sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Indiferente

Quando eu ouvi ela dizer: “ele está ali”, eu senti meu corpo arrepiar da cabeça aos pés. Meu coração acelerou, minhas mãos começaram a suar e eu fiquei extremamente esquisita. Tive vontade de sumir, mas tive mais vontade de chegar perto de você para saber o que faria então. Achei que só pudesse me sentir assim quando avistasse uma dessas minhas paixões, mas não. Você estava lá sentado e eu me senti menor que uma joaninha porque não tinha certeza sobre o que poderia acontecer nos próximos segundos. Antes, eu vibraria, puxaria uma cadeira e sentaria ao seu lado. “Dois chocolates quentes para as meninas, por favor”. Trocaríamos de mesa, mas dessa vez não trocamos mais do que quatro frases bobas. E minha vontade era te parabenizar por ter feito a barba e cortado o cabelo. Reclamar por ter desaparecido e combinar um almoço. Minha vontade era devanearmos sobre como esse mundo é ridículo e sem sentido... mas, agora para você eu faço parte desse mundo. E eu me culpo por não saber lidar com isso. Às vezes eu tenho vontade de xingar, porque eu não quero que seja assim. Eu quero tudo de novo. Nem você tem o direito de mexer na parte da minha vida que te pertence. Eu quero meus cafés no final da tarde, eu quero almoçar naquele restaurante, ainda que odeie a comida. Eu quero reclamar dessa overdose de twitter e ter alguém para me apoiar. Eu quero as longas tardes de sábado. Eu quero tudo de volta. E por mais que isso te pertença de alguma forma você não tem o direito de tirá-la de mim. E eu fico vendo as coisas acontecerem, uma atrás da outra, e fico puta da vida porque não sei como frear. E quando as pessoas vêm me dizer que você escreveu isso ou aquilo, só consigo responder “eu não ligo”. Eu não ligo porque eu tenho medo de perder você. Eu não ligo porque assim é mais fácil fazer de conta que nada está acontecendo. Eu não ligo porque tenho esperanças de você acordar um dia e fingir que esses últimos meses nem existiram. E eu também fingiria. Mas, receio que essa seja apenas mais uma das minhas ilusões, uma dessas formas que encontro de distorcer a realidade quando não quero encarar as coisas de frente. Eu sei que não é esse texto que vai te convencer. Aliás, ele nem é pra você. Isso é para mim. Para eu conseguir dissolver essa coisa aqui dentro. Acho que você é o primeiro homem por quem não sou apaixonada e está me fazendo sofrer. E desde que isso começou eu não paro de pensar como perdi minha convicção. Minha convicção de que você sempre seria sempre diferente para o mundo, mas nunca para mim. Indiferente ao mundo, mas nunca a mim.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Outro lugar

Eu posso sentir o vento mais leve do que pesado. Frio e morno. A pouca luz que passa entre as nuvens espessas que escondem o sol, transformando todas às 12 horas do dia em fim de tarde. Longos como dias de férias. Sem pressa, as folhas correm ao redor das árvores. Secas. e os personagens vão tomando seus lugares a medida que a cidade se constrói. Quando é cidade. Pode ser montanha. Ou a vista da janela da sala. Pode ser aquele lugar que não faz parte de lugar nenhum. Encontrado na memória ou na imaginação. Em todo lugar ele está. Menos aqui. Tomado por uma sinfonia de silêncio regida pelo grunhido dos pássaros ou a buzina dos carros. Não importa, contanto que estejam em harmonia com o cheiro de brisa e a fresta de luz que pinta tudo de laranja poente. Laranja poente. Adoro essa cor.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Romeu e Julieta de merda

Nossa história podia ser um clássico romance com elementos épicos que representasse a igualdade e o amor supremo vencendo preconceitos e unindo pessoas que possuem histórias de vidas diferentes e encantadoras. Poderia, se você quisesse. Mas, o preconceito não passa dos meus pensamentos lunáticos e fúteis que me fazem perder o sono antes de dormir. E a parte encantadora ficou há mais de um ano atrás quando duas pessoas começaram a se conhecer até descobrirem que, na verdade, é tudo igual. – Ou melhor, é bem diferente de tudo que se espera que pessoas que dizem que se gostam, mas que nunca foram encorajadas a disserem que se amam. Algo parecido com uma árvore com a poda errada, que cresce torta e pode cair a qualquer momento (estou sensível a uma reportagem sobre a saúde arbórea que vi em Ana Maria Braga essa semana – poderia até dizer que foi no Discovery, mas foi na Ana Maria mesmo). – E com o tempo se começa a pensar no que ainda é possível construir com esse resto de lenha, ou se comprar outro frasco de sabonete de leite não é jogar dinheiro fora. Não preciso parar para escrever sobre tudo isso – de novo – para ter a sensação de que estou perdendo um tempo precioso da minha vidinha. Estou mesmo. Não gosto quando os assuntos se repetem e esse... fala sério. Tenho pena de quem lê esse blog (se é que algum ser vivente ainda o faz). Mas, meus caros, a gente não pode fugir do que sente. E por mais que eu não tenha certeza exatamente do que sinto, sei onde quero estar. Não onde quero estar por toda minha vida, mas, onde quero estar até conseguir sair de fininho. Fininho de mim, claro. De fininho para nem eu mesma perceber. Eu crio uns jogos para mim mesma que às vezes funcionam. Outras eu me jogo mesmo é na cama, no sofá, no banheiro... e choro até quase a morte. Mas, às vezes eu me enrolo e dá certo. Eu me enrolo, você (literalmente) me enrola... até Julieta enrolou Romeu, e se ferrou depois. Só estou tentando não me ferrar também. Eu não vou mentir pra ninguém, preferia estar aqui falando que me apaixonei de novo pelo meu médico super fofo, pelo carinha da boate de sábado, pelo ser que me acordou 6:00h da manhã para pedir água pelo interfone... qualquer nova aventura amorosa estava valendo, mas não. Nãooo... minha vida está estacionada, meus sentimentos estão estacionados e, claro, meus problemas de relacionamento idem. Só uma última coisa, não se assustem se amanhã eu escrever outro texto dizendo o quanto estou apaixonada e como o mundo é colorido e maravilhoso porque é sempre assim depois da serenata. E a vida segue... (no meu caso, talvez não.).