quinta-feira, 7 de agosto de 2008

07 de agosto. 27 minutos...

Ok. 27 minutos em frente a esse computador e não sei o que escrever. Quando isso aconteceu antes? Minha memória não é lá essas coisas, confesso, mas não me recordo de nada parecido.
Agora já se passaram 29 minutos e ainda não consegui formatar em palavras o que estou sentindo.
Preciso trabalhar, caramba!
Mas enquanto eu não desfizer esse calo de sentimento e botar o excesso pra fora não vou conseguir fazer mais nada.
Talvez seja esse o problema, não existe excesso. As sensações foram tão bem acomodadas em mim que não preciso expulsar nenhuma delas. Não estou com raiva ou nervosa. Nada de ansiedade. Tudo que existe dentro de mim tornou-se sereno.
Mas como?
Eu nunca fui sentimentalmente equilibrada.
Tudo bem, eu sei que é você.
De repente, não tenho mais motivos pra chorar ou sofrer porque meu telefone toca todos os dias (religiosamente). Alguém sente a minha falta e me acorda durante a noite. Eu tenho quem me faça massagem quando estou cansada e se interessa em ouvir o meu dia.
Eu tenho alguém!
Alguém que não é perfeito.
Um relacionamento como todos os outros: diferente dos outros.
Tenho uma história com uma trama que não foi escrita por mim.
Tenho mensagens apaixonadas no celular e com quem ver as primeiras nuvens rosadas do dia.
Tenho alguém que me pede para ficar, alguém que não me deixa fingir.
Tenho você.
Tendo você, não tenho medo que acabe.
Não me preocupa o futuro. Não preciso mais de planos.
Sou presente.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Bolinha de Paixão


Ainda criança ganhei uma boneca chamada Bolinha de Sabão. Era loira, um pouco rechonchuda e usava um vestido rodado cor-de-rosa. Bolinha de Sabão dava pequenos (e poucos) passos; parava e conduzia ligeiramente seu braço gordo da caneca até a altura da boca e soprava no circulo mágico. O ar ganhava forma e o sopro se transformava em uma jaula furta-cor que fazia do ar, seu prisioneiro.
Mas com seu pulmãozinho de boneca, Bolinha de Sabão ficava limitada a produzir jaulas pequenas, de forma que eu jamais caberia em uma delas. Era desejável a sensação de entrar em uma bola de sabão, uma bolha leve que passeava pelo ar. Talvez fosse como estar em uma nave espacial transparente feita do mesmo tecido saltitante e macio dos pula-pulas.
Tinha um verdadeiro fascínio por Bolinha de Sabão, até descobrir que eu podia fazer algo bem melhor! Bastava ir à lavanderia, misturar água com sabão em pó, catar um bambu no jardim e soprar contra a água para tornar a solução borbulhante. Depois de todo preparo da minha formula mágica mexia-a com o bambu, levava a varinha verde até a boca e soprava lentamente...
O ar ia ganhando forma na cavidade contraria e crescia, crescia, crescia... quando estava completa voava de acordo com a velocidade do vento.
Eu fazia dezenas delas, uma após a outra – e bem rápido para que ficasse rodeada de naves espaciais transparentes. Mas, nunca consegui soprar o suficiente para que eu pudesse entrar em uma das minhas jaulas pula-pulas...
De fato, o ar que saia do meu pulmão – corria pelo bambu e era aprisionado na frágil camada invisivelmente colorida – não aproveitava muito aquele momento de intensa diversão. Imaginava que dentro da tal câmara era tão legal que só podíamos experimentar um pouquinho daquilo. Sendo assim, segundos depois de voar livremente pelo meu céu, a bolha pousava e explodia; por vezes ela se desfazia no próprio ar.
Como você, a esfera furta-cor me fazia esquecer que acabaria. A magia, o sorriso bobo em ver a bolhinha inflar na ponta do bambu, a gargalhada pura como resposta a uma brincadeira de criança, o cuidado ao soprar para que não a perdermos antes do tempo.
Como a nossa paixão, a casca de sopro dançou ao vento; grande, colorida, esvoaçante. Porém, frágil. E assim que se cansou, não fez cerimônia. Egoísta, se decompôs no ar. Enquanto eu, imergida na pureza das suas cores cintilantes, torcia para que não acontecesse de novo.
Aconteceu.
Mesmo com um pulmão de gente grande, não consigo soprar o suficiente para que eu possa entrar na bolinha de sabão.