segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Twitter (particular):

A brisa espalha o típico domingo de dezembro. É hora de voltar pra casa.



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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Voz

O que a gente faz quando descobre que não é quem gostaria? Não sente o que gostaria. Não vive o que gostaria. O que a gente faz? Pra ser forte até o fim. Pra esquecer. Pra pecar. Pra não ter vontade de errar. O que a gente faz pra nunca ter vontade de fugir? Pra não ter vontade de escrever. Pra não ter que ficar sem dormir. Pra não esperar pra amanhã. Amanhã. Amanhã. O que a gente faz quando descobre que só pode ser crônico? Nada que é crônico presta. O que a gente faz quando a consciência nos coloca em frente ao espelho e começa a falar? Em voz alta e branda e complacente. O que você tem você não quer. O que você tem não deveria querer. Que você não tem nada. O que a gente faz?

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Twitter (particular):

Certeza: Hoje é um bom dia. Não sei se pelo sono tranquilo depois das vozes apaixonadas, pela companhia do café ou a programação do jantar. Aqui dentro, hoje é um bom dia!



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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Twitter (particular):

Entrelinhas: E, por um momento, em meio aquelas dezenas de pessoas, me senti só, frágil. Frágil como nós.



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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Twitter (particular):

Queria ter uma boa frase em mente nesse exato momento, só para não deixar ele passar. Mas, tenho mais que isso. Eu tenho...


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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Twitter (particular):


As vezes eu te sinto tão meu. As vezes eu te sinto tão só; como se em você não existisse nada de mim.


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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Resgate

Eu queria que essa noite fosse diferente das outras. Das nossas dezenas de outras noites sempre iguais. Das nossas dezenas de boas noites incompletas. Incompletas porque falta uma parte de você. A parte de você que me reconhece. Hoje eu queria chegar em casa e tomar banho frio ao invés do quente, em um banheiro pequeno como aquele, naquele quarto sem janela, onde não consegui deixar nem um centímetro da minha identidade, e ao mesmo tempo trouxe tudo comigo – mas, isso é outra história. Eu queria que essa noite de quarta-feira, de um dia nublado, por vezes abafado, fosse diferente de todos os outros dias que eu abro a porta enquanto você ainda sobe as escadas, e olho para você enquanto ainda está olhando pro chão, e olho para Tv enquanto você olha para mim; a gente ri, você entra e eu deixo o mundo lá fora. Eu queria que essa noite você me olhasse e alguma coisa diferente acontecesse para que tudo voltasse a ser como antes. Um antes que há muito virou depois, mas não para de se arrastar. Como em um passe de mágicas desses filmes para meninas, você podia me olhar e se encantar de novo, sentir de novo... sei lá. Resgatar em algum lugar dentro de você aquele sentimento que fazia eu me sentir segura. Eu quase conseguia abraça-lo de tão real. E agora nossa realidade é tão diferente, tão mais azul do que rosa. Azul como o céu em dias de alto verão, quando não existem nuvens que possam nos conduzir de um lado para o outro – como pedras – e as vezes a gente acaba ficando perdido na imensidão daquele azul sem fim. Esperando. Esperando que venha uma noite e tudo seja tão diferente que eu sinta que você é capaz de me entregar o mundo. Outra vez.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Twitter (particular):

Mimada: eu podia dizer sim, só pra você atender ao meu capricho. Mas, alguém me deu juízo.


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terça-feira, 20 de outubro de 2009

Twitter (particular):

João e Maria: juntando migalhas que não vão me levar a lugar algum.


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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Twitter (particular):

Silêncio: existem coisas que não podemos dividir nem com nós mesmos.


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Twitter (particular):

Peculiaridade: a brisa me machuca mais que qualquer ventania.


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terça-feira, 13 de outubro de 2009

Twitter (particular):

Permissividade: a gente pode acordar ou fingir que continua sonhando...


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Twitter (particular):

Contexto: é romântico se for visto assim, de forma isolada, como tenho visto tudo ultimamente.


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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

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Música do dia: "eu simplesmente não sei mais/ gostar de alguém sem ser você/ vc roubou a minha paz/ vem cá meu bem/ vem me dizer/ quem poderá/ me devolver", Victor e Léo.
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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

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Lição: talvez você exista para tudo isso me ensinar que eu posso quebrar minhas próprias regras.


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terça-feira, 29 de setembro de 2009

Twitter (particular):

Inconformismo: eu choro cada vez menos, penso cada vez menos, luto cada vez menos, mas sinto. e não entendo porque tem que ser assim.


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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Twitter (particular):

Compromisso: enquanto meu coração disparar quando meu telefone tocar com seu nome, eu continuarei com você.


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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Twitter (particular):

Música do dia: "Faça alguma coisa em quanto é tempo...". Zezé de Camargo e Luciano.


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Coletânea

Numa manhã teimosa, ela ressolveu ler Tati, eu ouvi. E entre todos aquelas palavras, aquelas sempre familiares, que há tempos eu não me preocupava em interpretar ou me encontrar, descobrimos (mais) semelhanças crueis e felizes. Muita coisa podia ter saido de mim, se morta fosse, realmente acreditaria na teoria da psicografia.
Muita coisa podia ter saido de mim, das partes de Tati que são minhas. Das minhas partes que ela descreve:
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"Apesar da gente nunca ter namorado ou casado ou feito planos, hoje completamos oito anos juntos. (...) Nunca contamos o tempo ou demos nomes aos nossos sentimentos de compromisso. (...) Foi e foi e foi. Aquilo que dizem sobre o que é pra ser. Simplesmente fomos e continuamos sendo. (...) Mas é isso, sou feliz com você. Sem esforço e mesmo sendo, muitas vezes, bem infeliz. Sou feliz. (...) Não fomos fáceis a nada e nem a ninguém, mas cá estamos. Sem a comemoração deslumbrada e terrivelmente curta do amor e por isso mesmo podendo celebrar o pouco cabível de cada instante. (...) Vai começar a chover e eu posso chorar. Hoje completamos oito anos juntos e eu só queria um presente. Voltar no tempo, me encontrar e chacoalhar meu corpo. Aquela época em que eu já estava quase cínica mas ainda acreditava em um relacionamento com todas as forças do mundo. Porque quanto mais cinismo e cansaço, mais força fazemos e mais forte parece. Eu queria me chacoalhar e dizer que ele existe, sim, o tal do amor, mas você, querida, não sabe ainda nada disso. (...) Amar um homem não é o telefone que não toca, é o telefone que toca (...). Foi e foi e foi e cá estamos.". Tati Bernardi.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Twitter (particular):

Verdade: Ela pode ser fina, frágil, quase quebradiça. Mas, continua aí.


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Twitter (particular):

Resposta: você é um caminho perigoso demais para mim.


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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Twitter (particular):

... e quando a brisa invade a casa, desperta o seu cheiro que pousava em algum dos móveis da sala, nas paredes do corredor, na toalha a secar na área de serviço ou no travesseiro sobre a cama. e esse é o melhor e mais breve cheiro que um punhado de vento pode ter.


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Muralha

Não faz sentido algum. Eu acabei de entender que não faz sentido algum. Eu sei que não enxergo nada através da sua pele. Desde o seu passado até se prefere pizza de frango com milho ou de frango e de milho. Nada sobre a disposição do seu dia. Nada sobre você ser medroso ou cretino. Mesmo assim, eu ainda quero continuar tentado pular o grande muro. Já chutei, empurrei, apedrejei. Mas, você sempre permaneceu intacto. Superior. Inatingível. E tudo se transformou em um problema meu. Era eu brigando com a minha ansiedade, com os meus medos, com as minhas limitações para tentar encaixar aquela parede sem fim bem ali na minha vida. Até que um dia eu cansei de berrar pra nada, gritar pra ninguém. Eu desgastada, você intocável. Então eu corri. Arght! Eu sou tão idiota. E você é uma muralha. Muralhas não têm fim. E mesmo que eu não olhasse pra trás, era sua a sombra no chão que eu pisava. Era estranho. Nostálgico. Injusto. E de tanto refletir sobre o quanto era injusto, eu achei que podia tentar voltar. E em frente àquela imensidão de coisas empilhadas sem nenhuma definição do que realmente forma tudo aquilo, senti vontade outra vez de descobrir o que havia ali do outro lado. E preferi cutucar ao invés de chutar. Rabiscar ao invés de apedrejar. Escalar ao invés de empurrar. E mesmo tendo certeza de que eu não quero ficar lá dentro, eu insisto em atravessar. Eu preciso. De alguma forma, eu preciso. E quanto mais perto da parede, mais próximo estou do outro lado. Mais perto de você.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Twitter (particular):
Itálico

Conclusão: ele é uma muralha. não consigo ver quase nada do outro lado.


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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Twitter (particular):


"- Talvez isso seja só uma idéia idiota e romântica sul-americana, mas preciso que você entenda... querida, por você eu estou disposto até a sofrer - diz ele. - Qualquer que seja a dor que nos aconteça no futuro, já aceito, simplesmente pelo prazer de estar com você agora. Vamos aproveitar este tempo. Isso é maravilhoso". (trecho - um dos melhores - do livro "Comer, rezar, amar" de Elizabeth Gilbert).



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terça-feira, 1 de setembro de 2009

Twitter (particular):

Música do dia: "você vai me vencer/ eu vou me apaixonar/ não há mais o que decidir". Victor e Léo.


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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Twitter (particular):

Música do dia: "Paixão quando bate de verdade/ a gente encara a realidade/ perde o medo de sofrer". Eduardo Costa.


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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Twitter (particular):

Música do dia: "I know you may not want to see me/ On your way down from the clouds/ Would you hear me if I told you/ That my heart is with you now". She's only happy in the sun.


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A pessoa errada

O cheiro de hoje é o do passado. Das lembranças que não ficaram para trás. E ainda faltam dois dedos para acabar o frasco. Quis abrir. O meu cheiro voltou a lembrar você. Nada que eu havia esquecido. E eu nem tenho mais o que descrever diante da quantidade de vezes que eu te esmiucei. Hoje eu acordei com vontade de viver por mim e não pelo mundo. Ficar calada, não dividir nada com ninguém. E compartilhar tudo de maravilhoso que existe em mim. Pulsa, pula, deita, ri. Me deu uma vontade enorme de ser transparente, cometer meus erros sem atrair olhares atentos ou preocupados ou críticos. Tudo que eles dizem ser erro, mas só eu tenho medo de arriscar. Eu acordei com vontade de viver sem pressa, sem futuro, sem objetivo. Talvez tudo isso seja desculpa. Simplicidade. Talvez seja o segredo. Ainda preciso fazer um esforço enorme para escrever, principalmente agora que acho que não tenho mais nada para explicar. Só que ontem com a mão sobre os cabelos bem cortados, cobertor de solteiro, frio e calor, ao som do Ben, soube que aquele pensamento era, na verdade, um título. Só um título.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

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Música do dia: "Mas tenha certeza que eu vou sempre estar/ Perto de você onde quer que vá". (Filha).


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Twitter (particular):

Dúvida: isso pode me fazer mais triste. ou feliz.


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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

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Música do dia: " (...) you can dance/ you can jive/ having the time of your life (...)". Dancing Queen.


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Twitter (particular):

Domingo sem Faustão. Amo minha Sky!


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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Twitter (particular):

Música do dia: "há um clima/ todo diferente/ que aquece e mexe com o coração da gente".


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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

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quanta sinceridade: "a culpa é só a maneira que seu ego encontrou para fazer você pensar que está fazendo algum progresso moral". Ex-freira da África do Sul. (Comer, rezar, amar).


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Fulga

Me deu vontade de ir para casa ver Tv e comer pipoca. E olha que eu não gosto de pipoca. Eu nem mesmo sei fazer pipoca. Mas, me deu vontade. Depois - só porque ficou na geladeira - eu poderia comer aquele pão com queijo branco e peito de peru que não teve tempo de ser meu café da manhã. E um copo enorme de iogurte de morango. Na frente da Tv. Adoro sessão da tarde, mesmo que sejam aqueles filmes super repetidos. Aqueles filmes que passam depois da novela das duas desde que eu tinha três dentinhos, mas já usava óculos. Acho que as vezes a gente cansa, sabe... a gente cansa da rotina. De não ter rotina. Do que a gente faz todos os dias. Ou só de vez em quando. Vai ver que é por isso que estou com vontade de comer pipoca.

Covarde

A minha falta de coragem de abrir a porta para você entrar não me faz infeliz ou triste. Mas, me faz pensar se vale a pena nos deixar passar. Por eles. Ou seria por nós? Por mim. E por mim continuaria assim. Sem essa cena. Sem essa prosa. Nem verso. Sem ter chegado até aqui. Sem ter saido de lá.
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Prêmio Multishow inspira coragem: "quero que você me aqueça nesse inverno. e que tudo mais vá pro inferno".

mas, nada muda...


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quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Twitter (particular):

Eu queria saber escrever sobre as pessoas tudo que meu coração me diz sobre elas.


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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

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A gente cresce e começa a ter pensamentos de gente grande. Pensamentos difíceis que ferram com a gente.



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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Twitter (particular):

o clima peculiar de agosto.


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Twitter (particular):

e então, senti o cheiro da biblioteca de Monteiro.


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segunda-feira, 20 de julho de 2009

Twitter (particular):

Precoce nostalgia.


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Twitter (particular):

Música do dia: "você vai me vencer, eu vou me apaixonar (...)" .


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Twitter (particular):

Reflexão do dia: "Experimento pessoas como experimento comida baiana, “tá, deixa eu ver que gosto tem, mas não muito pra não morrer aqui, longe de casa, debaixo desse sol e dessa alegria”." Tati Bernardi.


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Twitter (particular):

Agora, tudo me pareceu meio sem sentido; como se o prazo tivesse expirado.


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Composição dramática

No auto da minha complexidade, entre momentos que oscilam entre a lamúria e impetuosa resignação. Entre o fugir e resistir para me entregar. Sacudindo meus pensamentos com movimentos tímidos, mas reais. Entre tentar (desesperadamente) me acalmar e gritar em silêncio; por vezes tenho surtos de sanidade. E meus magoadas infinitos e diferentes pontos de vista desaparecem. Tudo pode ser tão natural, possível e simples – ainda que não seja mais possível.
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Fazer mais o que se deseja.


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"(...) você precisa parar de lamber a lata vazia". Richard do Texas.



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Twitter (particular):

Independente (apesar de ser independente ser chato)!



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O colóquio da frase

Dormi e acordei pensando naquela frase. Tanto me esbofeteou que tive vontade de escrever. Não sei ainda se sobre dor ou alivio. Se sobre lembrar ou esquecer. Mas, acalmou minha vontade de querer arriscar. Estacionou meus pensamentos sobre não ter coragem para voltar pela estradinha e pegar aquele falso atalho que só irá me fazer dá uma volta maior para chegar ao mesmo lugar. O lugar que eu não queria, mas devo estar. Devo porque não sou o tipo de pessoa que é adepta ao erro consciente. Não sou o tipo de pessoa que não mede as conseqüências. Não sou o tipo de pessoa movida aos impulsos. Sou um estranho ser listrado de rosa e cinza (porque para mim, cinza é a cor da razão). E por mais que a dor seja insuportável, eu sou o tipo de pessoa que engole. Eu a guardo aqui, logo abaixo do meu peito e protejo minha dor de mim mesma. Assim, ela fica bem longe do telefone, longe dos passos, longe de você. Eu aprendi (tarde?) como se sofre. Por outro lado, me incomoda a lamentação. E acho que foi por isso que parei de escrever. Acho um tédio falar, falar, falar e não ter coragem de mudar nada. Não ter coragem de cometer uma loucura qualquer para se conseguir o que quer. E se eu sou o tipo de pessoa que não arrisca até a última gota do pote, quebra o pote e queima os pedacinhos para que ele vire pó – na tentativa de que seja o pó o fazedor da magia que fará tudo ser como se deseja; não adianta qualquer discurso. É só fechar a porta e tentar me entender, apagar, idealizar planos práticos ou megalomaníacos para destruir as lembranças que não quero mais dentro de mim. São elas que ferram a minha vida. E ai veio alguém, em meio a templos e cavernas de meditação e contou o segredo de como fazer tudo aquilo parar. Levou um capitulo inteiro, mas o segredo era composto apenas de algumas frases. Um período. Quase uma oração. Eis a chave para eu abrir a porta e sair correndo dali. Sair correndo daquele lugar de paredes pinchadas com as palavras que eu não quero mais ler, com imagens projetadas que não quero mais assistir, tocando as músicas que não quero mais ouvir; e de alguma forma, eu não conseguia sair. Porque quase metade de mim queria tudo aquilo desesperadamente até que a luz se apagasse e não existisse mais energia alguma. Até que tudo fosse embora. Só depois que isso acontecesse essa parte de mim iria decidir quando sair. Esse era o plano. Mas, doía demais. Não sei ao certo onde estou agora, mas não consigo parar de pensar naquela frase. Eu só preciso manter meu focinho longe do lixo.
Twitter (particular):

Anúncio: Vendo lembranças.


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Twitter (particular):

Curiosa e emocionada com "Anônimo" e suas definições.


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Twitter (particular):

Às vezes, o que você sonha é o suficiente para viver, não para ser feliz.


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quinta-feira, 16 de julho de 2009

Twitter (particular):

De repente, comecei a pensar; o que é a felicidade?


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quarta-feira, 15 de julho de 2009


Twitter (particular):

Meus pensamentos estão curtos, os longos doem.

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Sobre o Twitter

B. Ferreira. diz:
só acho que dscobri que a ferramenta não é mto pra mim..
acho que não tô (mesmo) afim dele...
acho que vou criar uma sessão de frases pro meu blog...
estou em análise

D. on Twitter diz:
hum..bacana amiga.

Beatriz Ferreira. diz:
é que meus pensamentos estão curtos
os longos doem

D. on Twitter diz:
essa já seria uma boa frase.
rs

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Tentativa

Eu tenho saudade das bochechas rosadas no espelho e do cheiro do protetor solar.
Eu sinto falta de escrever todas aquelas bobagens.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Plano

Tudo isso é para fugir. De você. De mim. Dos dias. Daquilo que era isso. Sumir, mesmo que já tenha desaparecido. Esquecida.
Tudo isso é para estilhaçar. Correr. Curar. Matar. Morrer. Ressuscitar. Planta. Ave. Pedra. Sólido.

Silêncio

Escrever é re-viver, re-sentir, re-moer, re-construir e, por ora, eu prefiro esquecer.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Sobre verdade

Quando eu pedi que me trouxessem alguém antes do verdadeiro amor da minha vida eu não imaginei que seria você. É, porque eu sempre tive certeza que só me envolveria de verdade com alguém com quem eu casaria, quem eu amaria loucamente e pacientemente, com quem eu teria filhos, dois cachorros e uma chácara no interior de uma cidade grande. Uma única pessoa. Mas, para a vida não ser assim tão chata e as pessoas não me acharem muito estranha e eu me sentir um pouco mais desejada pedi para encontrar alguém no meio do caminho. Mas, eu não imaginei que essa pessoa seria você. Não foi isso que eu imaginei quando te vi pela primeira vez. Não mesmo. E, de repente, ficaram para trás todas aquelas paixões impossíveis e vazias que eu praticava. Praticava, não vivia. Todas elas. Todos eles até chegar em você. Mas, todos mesmo. E só agora eu sei porque relutaram tanto em oferecer um brinquedo para me entreter enquanto o prêmio não chegava. Mentira. Eu sempre soube. Eu sempre soube que de alguma forma eu ia sofrer e sofrer de um jeito que nunca havia experimentado porque até aqui nada tinha sido de verdade. Era só eu mergulhada na minha ilusão. E quando eu tinha vontade de chorar fingia que era por alguém. E quando estava afim discava um daqueles números. E tudo bem. Tudo bem porque nada daquilo era verdade. Tudo bem porque nenhum deles era o escolhido para mim. E agora, escolheram você. Eu sei que ainda não é você, mas eu pedi alguém e me mandaram você. No início, relutaram muito, mas eu sou teimosa e pedi, pedi, pedi. E quando você apareceu na minha frente pela primeira vez eu nem imaginei que seria você, mas foi. Eu não sei se queria aprender mais sobre ser feliz ou sobre sofrer. Acho que era sobre verdade. É, com certeza era sobre verdade. Descobri o que é chorar de verdade e querer estacionar momentos de verdade e perder a fome de verdade. Sentir uma dor estranha até ter ânsia de vômito e perceber que o vômito não é material. E mesmo assim gostar muito de alguma coisa. E mesmo assim sentir o prazer do alivio. Mas, eu não sei porque, não sei porque ainda continua errado. Os protótipos sempre dão errado. Eles parecem brilhantes e incomparáveis, mas sempre apresentam um defeito grave e nem sempre se descobre o que é, mas sabe-se que ele existe. Eu preciso devolver você. Seus olhos perderam o brilho. Eu preciso devolver você. E era por isso que não queriam me entregar você, sabiam que eu não ia querer devolver, mas eu preciso. Queria que você fosse menos covarde e fosse embora sozinho e avisasse que estava indo, mas você não vai. E é por tudo isso que eu estou terminando comigo por você. Estou terminando comigo por você. Eu sinto que já não existe mais tanta água em mim o quanto deveria. Sinto que deu certo de um jeito que não deu. Sinto em ficar sem você. Sou eu quem sinto tudo. Eu. E é por isso que estou terminando comigo por você.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Cega

Ele não gosta de se alongar ao telefone, mas liga para dar boa noite. Ele não gosta de escrever mensagens, mas não deixa de desejar bom dia. Não gosta de pizza, mas come a de milho. Ele gosta de frio, mas dorme no calor. É impaciente, mas escuta os meus dramas. Gosta de água fria, mas acaba tomando banho quente. Adora dormir, mas fica acordado.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Verdade ou desafio?

Tenho sérios problemas em controlar a minha ansiedade. Tem alguma coisa que fica pulsando aqui dentro em um ritmo diferente do meu coração. E não para. Vem aquela vontade enorme de gritar, xingar, colocar o dedo na sua cara e dizer absurdos. Perder a razão. Me jogar no chão, chorar, berrar e sapatear até perder a força. Murchar. Despejar tudo em algum lugar ou em alguém. Molhar e sujar você inteiro. Tirar essa coisa de dentro de mim.
Fazer qualquer coisa para que você entenda que eu preciso de paz. Preciso que me dê razão. Preciso me sentir segura. Eu preciso de alguma coisa que eu não sei o que é, de fato. Mas, eu preciso.
Já tentei gritar e falar baixo. Ser irônica e critica. Divertida e rude. Fingir, dizer a verdade, me omitir. Nada ajuda a elevar o meu placar. Estou lá na zona de rebaixamento, me afogando no mar que enfureci. Tentando me manter calma para encontrar uma saída ou, pelo menos, parar de afundar.
Mas, o batuque não para. Oscila entre forte e fraco, alto e baixo. E, de repente, volta aquela vontade avassaladora de gritar, chorar, espernear e colocar tudo pra fora, outra vez. Começo a me convencer de que eu não sei lidar com isso. Não sei lidar comigo, nem com você, nem com essa ansiedade. Não sei lidar com coisas simples que insistem em se tornarem complexas, chatas, desgastantes. Eu não me conformo e acho tudo tão injusto.
Me canso entre a teoria e a prática. Conversar ou agir. E você finge que não viu nada, que não está nem ai. Até finalmente perguntar se estou mais calma. E eu quero receber um sermão, eu juro que eu quero. Mas, você volta a ignorar o fato de que não estou agindo da forma como você gostaria e não me diz mais nada. Até eu fazer outra coisa pra chamar sua atenção, te deixar irritado e eu voltar a alimentar o medo de te perder.
Preciso domar o monstrinho que existe dentro de mim. Ou libertá-lo. E peço a Ele todas as noites para tomar as rédeas da minha vida, dessa situação. Tudo é mais fácil do que interpretar sozinha, o que está acontecendo aqui, afinal. Preciso encontrar o limite, onde devo parar, até onde posso ir. Eu preciso de você. E do meu mundo. Eu preciso do seu.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Meu esconderijo secreto

Existe um lugar onde ninguém consegue chegar. Lá é sempre fim de tarde. É alto e bonito. Vazio. E cheio dos meus pensamentos. Somos só eu e o nada. E ouço tantas coisas que não consigo raciocinar. Não dá pra entender se lá sou feliz ou triste. Mais triste do que feliz. Sou tudo e ao mesmo tempo. Sou o que sinto e o que cogito. O que acredito e o que refugio. Lá tudo se desfaz. E sinto mais forte. Mais forte do que aqui fora. Mais intenso do que aqui fora. Mais vivo do que aqui. De um jeito exausto, sem vida. Colorido e borrado. Existe um lugar ao ar livre que a porta está sempre trancada. Um lugar onde ninguém consegue chegar.

sábado, 25 de abril de 2009

Veronika decidiu morrer e eu escrever

Estou me sentindo um pouco estranho por dentro. Acho que não deveria ter lido “Veronika decide morrer”. Não que eu faria uma loucura daquelas, mas são muitas reflexões. Credo! Acho que existe uma parte de mim que não está assim... muito bem definida. Acho que em ninguém. Deve ser normal. Anormal deve ser completo.
Talvez não tenha sido o livro. Talvez não seja nada. Nem ninguém. Nem eu. Nem ele. E exatamente tudo isso. Bom, afirmar que não sou normal (aqui) já virou clichê e odeio clichê. Definitivamente odeio clichê. Resisti a vir me debruçar sobre esse teclado enquanto ainda estivesse me sentindo assim, estava cansada para explicar. Agora, cansei de desistir.
(Eu vivo cansada – preciso refletir sobre isso).
Logo, não acredito que vocês gostarão de ler esse texto. É confuso. E pela primeira vez não vou me preocupar com a poética, coerência, o jogo de palavras, se isso combina com aquilo. Nem perguntarei: é publicável? Não me preocuparei com nada, nem que pensem: “essa menina não sabe mais escrever”. (Se é que soube um dia).
Só havia lido um livro de Paulo Coelho, Brida, e tinha gostado de toda aquela teoria sobre as almas gêmias. Mas, Veronika me deixou cansada. Mesmo assim acho que gostei.
Ainda não entendi porque isso mexeu tanto comigo. Nem quero. Eu não quero nada, na verdade. Nem esse texto vazio. No início da semana cheguei a querer vomitar tudo. Tudo que é abstrato. Aquele novelo de lã que subia e descia na minha garganta. Entre a garganta, o coração e o estômago. Me senti um gato. E odeio gatos. Não demorou muito para começar a estranhar aquela parede laranja gritante e os móveis escuros. Eu só queria o quatro azul e amarelo. Tudo claro e poético.
Havia um tempo que o lugar mais alto que eu conseguia chegar era a cabana em frente ao Fórum. E dali eu via o mundo. O mundo que eu conseguia controlar e acompanhar e amar, por inteiro. O céu era diferente. Eram muitas as árvores e as casas. E eu sabia quem morava em boa parte delas.
Queria tudo de volta. Quero tudo de volta. É tudo meu. Isso aqui, não é. Isso aqui, não tenho certeza se é.
O tempo que eu não tinha medo. No mundo que eu não tinha medo – só do professor de física. E lembro de, naquela época, querer chegar – quase – exatamente onde estou. Agora, estou pensando em parar no meio do caminho só para reavaliar. Que dizer, não estou. No início da semana eu pensei: “e se estivesse?”. Mas, não estou. Não estou porque acho que o mais sensato é não estar.
Passou.

terça-feira, 7 de abril de 2009

O dia que a terra (quase) parou

Hoje é o Dia do Jornalista e nós podíamos não trabalhar. Porque o professor não trabalha no Dia do Professor e o aluno fica livre durante o Dia do Estudante. No máximo eles fazem recreações. E como meu compromisso é com a verdade, devo admitir que não estou afim de trabalhar hoje. Estou cansada demais para pensar e organizar o meu dia. Preguiça ou estafa mental. E desde ontem a única coisa que quero desse escritório – que não é uma redação – é a pipoca doce para comer enquanto assisto à “sessão da tarde”. O filme podia ser “O resgate de Jéssica” ou “Enchente – quem salvará nossos filhos?”. Não me importo em já saber o final (e o começo, o meio, os gritos das mães desesperadas, a filosofia do “não se fazem mais galhos como antigamente” e a canção de minar que a mãe de Jéssica canta pra ela dormir no fundo do poço).
Muita gente acha que ser jornalista é o fundo do poço. Às vezes, eu também acho, mas não é de coração. Ser jornalista é legal, apesar de ninguém (nem nós) lembrarmos do dia reservado para celebrar a nossa profissão. Sem contar com essa história de ter que trabalhar ao invés de simplesmente esquecer que somos jornalistas por 24 horas.
Quando alguém pergunta “você trabalha com quê?” e respondo “sou jornalista”, aí sim é verdadeiramente gratificante porque as pessoas geralmente se expressam de duas formas: 1) Ah.; 2) você aparece na Tv?.
Muito digno. Ou eu sou “ah, um faz nada” ou “ohhh, ela aparece na Tv”. Coisa é quando uma vem seguida da outra. “Ah. (pausa para esperança). Mas, então você aparece na Tv.”. Só rindo.
Ultimamente ando trocando as letras. M por n, o por q, y por z, a por todas as 20 e muitas letras do alfabeto (após a mudança ortográfica). Deve ser de tanto digitar e o dia inteiro e sobre coisas completamente diferentes. Mas, eu sou apenas “ah”, uma jornalista.
Legal. Sou jornalista.
E já que hoje é o nosso dia, podíamos não trabalhar. O mundo não ia , assim, parar. As pessoas só não iam perceber ele girar, mas era só por 24 horas.
Ah, uma bobagem.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

A filosofia e todo o resto

Definimos a música título para segunda fase. Mas, essa parte aí não, amor. Ri. Tudo bem. A música todo menos essa parte. A música toda menos aquela parte da separação. A música toda, menos a parte triste. A história toda, menos o que me leva a ficar sem você. Eu ri. Por dentro. Com os olhos. Tira essa parte que vai dá tudo certo. Tira esse pedacinho para não existirem ameaças. E o acordo é selado com um beijo rápido e sorridente. Apagamos aquilo ali e pronto. Está resolvido. Agora, você não solta a minha mão e aperta bem forte. E suave. E eu sei que você fica sem graça porque é tudo novo e diferente. Tantas personalidades e pessoas para absorver. Eu também tenho medo. Também acho meio estranho dividir meus personagens e meus pedacinhos e minha atenção. Sei lá. Já disse que não sou normal. Mas, vou aprender a ser. Estou aprendendo a ser. Aprendendo com as palavras que você engole e minha consciente não-interpretação prévia. Aprendendo com o que poderiam ser desculpas e que deve ser verdade. O limite entre criatividade e realidade. A diferença entre o que eu penso e o que é, de fato. Aprendendo com você e com ela e com o mundo. E com ela mais do que com o mundo. E comigo. Mas, a gente pode tirar essa parte que vai ficar tudo bem. Tirar essa parte que não combina com que a gente espera da música. Ninguém precisa viver os pedacinhos chatos da vida. E daí nasceu uma filosofia. Fora todo o resto.

terça-feira, 31 de março de 2009

Parte II

Quando percebi estava parada ali, na porta do banheiro, inebriada por aquele cheiro que já não sentia havia alguns dias. Muitos dias. Você sorriu e anunciou como a água estava fresca e convidativa. Mas, eu preferi ficar parada ali, na porta do banheiro, sentindo outra vez aquele cheiro que havia trancado no armário por todo tempo que fiquei sem você. E assim, foi dada a largada mais uma vez.
E ouvir meu nome três vezes consecutivas, só porque havia ido até a cozinha, o fato de ter me acompanhado quando fui por dois segundos até o quarto, e toda aquela necessidade visceral de me ter por perto, me fez pensar que talvez você goste mesmo de mim.
No sábado, depois do minha solitária lamúria cheguei a conclusão que não cresci tanto quanto deveria, já que continuo cometendo os mesmos erros de quando tinha (apenas) 15 anos. Preciso esquecer esse meu complexo de perfeita aceitação. Rasgar a lista que criei com os 10 mil motivos pelos quais não devo ficar com você e, de alguma forma, me desprover dos conceitos lunáticos que muitas vezes não fazem sentindo nem para mim mesma.
Assim como Machado, tenho consciência que essas idéias fixas que coloco na minha cabeça e sigo com elas custe o que custar, não é saudável. Talvez, dar a largada mais uma vez seja o primeiro passo para viver algo realmente perigoso e real. É disso que eu preciso.
Agora, que tudo voltou ao normal – de uma forma diferente – não sinto nenhuma onda de entusiasmo ou euforia, só uma sensação suave como se fosse arrebatada pela utópica pacificidade mundial.
Ainda me sinto um pouco confusa e temerosa, mas é como se a corda bamba ganhasse alguns centímetros e fosse promovida a ponte do rio que cai. Se eu fizer a coisa certa e seguir na linha sem praticar minhas costumeiras bobagens, chego lá. Não lá, no “felizes para sempre” – por enquanto – mas, lá na prática da minha maturidade sentimental, lá na decadência do conceito da idéia fixa, lá no desuso dos meus conceitos lunáticos, lá na multiplicação das frações de segundo em que fico parada na porta do banheiro sentindo aquele cheiro.

terça-feira, 24 de março de 2009

A especialista

Estou me transformando em uma especialista de mim. Essa coisa de ficar sozinha, de pensar na vida enquanto tento fugir de Faustão, de não ter tempo limitado para tomar banho, ninguém batendo na porta. Especialista de mim.
Às vezes, até canso de tanto pensar e refletir e ruminar.
Canso de me sentir uma ruminante de sensações, remascando o que existiu e o que nunca aconteceu. Lembrando do que foi escrito e do que se confunde no romance baralhado da minha vida – romance de narrativa, não de romântico.
Perdi a noção entre realidade e ficção. E o que eu vivo e o que gostaria de viver, o que poderia ser.
Realidade e ficção. Já não encontro limite em mim.
Nunca encontrei, embora tivesse esquecido disso. Esquecido desse pedaço fantasioso e criativo. Fantástico e assustador.
Acho tudo isso fantástico e assustador.
Me sinto tão complexa, simples, chata e dramática.
Me sinto tão preconceituosa e boba e inocente.
Me sinto tão esperta, vazia, inquieta.
Me sinto sedenta.
Intranqüila.
Valente e covarde.
Me sinto eu, eu e eu, de novo.
Sinto quando tinha 14, 17, 21 e 23.
Oca e cheia.
Me sinto estranha e, me entendo completamente.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Fôlego

Quando o rio é largo demais temos que erguer a cabeça para respirar. Quando a travessia é maior do que imaginamos não dá pra saltar e ir de vez por baixo da água até o outro lado. Eu pulei. Pulei e comecei a mergulhar, queria sair, óbvio! Mas, o outro lado não chegava nunca. Realmente é maior do que eu imaginei. O sentimento era maior do que imaginei. Não deu pra atravessar de vez, tive que levantar a cabeça pra respirar. Tomar fôlego. Às vezes, temos que voltar um passo para conseguir chegar até o fim. Estou aqui, com a cabeça erguida para tentar capturar o máximo de ar que eu conseguir para só então, continuar. Eu sei que é passageiro, sei que vou ter que enfiar minha cabeça na água outra vez e seguir nadando em frente. Eu sei. Tenho consciência que com isso talvez eu fique atrás alguns milésimos de segundos na chegada, mas não me importo. Eu também queria bater meu próprio recorde, mas prefiro isso do que afundar no fundo do rio, da piscina ou não sei mais onde. Parei para respirar. Tomar fôlego. Qual o pecado disso? Sim, corro o risco de agarrarem minha cabeça, me arrancarem da água e ser aprisionada. De qualquer forma eu iria conduzir meu corpo pesado e desacordado até o fundo. Parei para respirar. Ler suas frases cretinas e otimistas. Rir quando você fala sério. Te ver, quem sabe, e lembrar que tenho que mergulhar outra vez. Me encher de ar e esquecer que preciso me encher de você.

A primeira vista

Atravessou a rua – na faixa – de vestido surrado, trouxa na cabeça, chinelinho gasto e quase sem solado. Ligeira. Só faltou a mão nos quartos. Vida sofrida, dava pra ver de longe. Foi inevitável não pensar que ela não deve sofrer de amor. De repente, me veio a cabeça que esse negócio de sofrer de amor não é para todos. Não sei se trata de um privilegio ou de uma futilidade, mas com certeza não é para todos. Talvez quem tenha preocupações reais e físicas não dê bola para aquelas necessidades abstratas. Pessoas miseráveis amam? Não tenho certeza. Também não gosto da palavra “miseráveis”, só que me parece óbvio que elas possuem coisas mais importantes e valorosas na vida triste e sofrida que levam. De repente, amar me pareceu fútil.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Dia nublado (do meu jeito)

Cantei ainda na cama.
Janela aberta, dia nublado.
Adoro dias nublados.
Adoro dias.
Adoro.
Coloquei os pães de queijo no forno cantando, fui buscar a toalha cantando, tomei banho cantando, escovei os dentes cantando. Cantando peguei o vestido no (outro) armário.
Cantando e pensando que eu não tenho do que reclamar. Pensando que já foram tantas coisas legais.
E cara! não lembrei de nada triste.
Descobri que eu deleto fácil o que é chato. Coisas verdadeiramente chatas e dolorosas não existem na minha vida. As sensações não ficam, sabe... Sou uma pessoa otimista.
Eu sou.
E segui, cantando e pensando os dias nublados que me trouxeram até aqui.
Nublados e felizes.
Muitos querem a sol. Para brilhar, talvez.
Eu quero as nuvens.
As muitas nuvens brancas no céu azul em dia de praia. As nuvens escuras e espessas que guardam as gotas de chuva. Nuvens finas que compõem a lua grande e redonda.
Nunca gostei de andar no sol. Oh coisinha que cansa...
e, se eu quero viver muito, prefiro viver descansada.
Sou baiana, só quero sombra e água fresca.
A sombra das nuvens.
Quero os elefantes, os pássaros, os peixes, a coroa, poodles, unicórnios, jacarés e Falkor, o cachorro voador da História Sem Fim.
Todos feitos de nuvem.
Algodão doce.
As nuvens fofas e densas dos ursinhos carinhosos.
Adoro dias nublados.
Adoro meu dia.
E hoje, o que existe é a essência.

terça-feira, 10 de março de 2009

She-ra

O que realmente importa na vida não é quem você tem nela. Não é. Isso é tudo uma verdadeira baboseira. O que realmente importa na vida é o quanto você é forte. Forte para reagir quando te trancam no armário das pessoas que não fazem mais parte da vida (dela). O que realmente importa na vida é você e as paredes da sua casa que nunca te deixam sozinho e compartilham contigo as traças. O que realmente importa na vida é o quanto você é forte. Porque as pessoas um dia deixam você ou simplesmente deixam você se perder. Quando o coração das pessoas não pedem mais pelo seu, elas deixam você. Por isso, o que realmente importa na vida é o quanto você é forte. E se engana quem pensa que eu estou falando do amor. O amor dos casais. Casais discutem, reclamam, terminam e reatam. Pessoas que realmente importam para nós nos tranca na tal gaveta e pronto. É simples. É fácil. Para elas. E lá no escuro, às vezes, a gente vê as coisas continuarem acontecendo do lado de fora e lembra que nem sabe o motivo por te exilarem ali. Às vezes, a gente até sabe, mas é tão ridículo. As pessoas não podem ser tão ridículas. Por isso, o que realmente importa na vida é o quanto você é forte. Mas, essa lição não sou eu quem vai te ensinar. Eu até poderia dizer que ninguém vai. Você poderia passar sua linda vida sem aprender isso, mas um dia você aprende. Você não pede, mas alguém te ensina. E se engana quem pensa que são pessoas ruins. Não são. Por isso, o que realmente importa na vida é o quanto você é forte. Não, eu não perdi a fé nas pessoas. Longe disso. Eu só perdi alguém que era importante pra mim. Sem briga. Sem drama. Sem gritos. E sem diminuir o número de vezes que nos encontramos ou nos perdemos. Perdi. E é por isso que o que importa na vida é o quanto você é forte.

Lembranças

Ando sentindo a sua falta.
Não minto pra mim.
Não minto aqui.
Falta da sua conversa calada, da curiosidade vazia, do pequenino sinal marrom e do grande sinal marrom em forma de folha.
Ando sentindo a sua falta.
Falta o boa noite inesperado e o carinhoso bom dia programado.
Falta você.
E eu.
E o calor que faz na casa.
Assim me valho das lembranças.
E deixo sem sofrer.
Ando sentindo a sua falta, mas não dói sem você.
É como um final bonito e triste.
Um final que de tão bonito minimiza o fato de ser triste.
Assim me valho da beleza do fim.
Da beleza de nós.
Do pedacinho da sua beleza que ficou em mim.
Sem uma linha a mais.

Abrobrinha

E o telefone tocou. Tocou e tocou outra vez. Nada demais. Só pra saber como você estava. Pra saber. Ótimo. Se eu ainda estivesse doente, grávida, com algum problema grave; mas minha vidinha é tão normal. Não faz sentido você ligar só pra perguntar se eu estou bem. E depois que eu sentei novamente na mesa, pensando em pra que merda você ligou, olhei para o céu. Foi sem querer, juro. Mas, olhei. E ele estava tão limpo e estrelado como o do seu quintal. Pintado a pincel com tinta acrílica cintilante.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Aquela salada de frutas

Ele quase não vinha e, quando vinha ficava meses. Vinha quase sempre no fusca. Branco. Como ele. Cabelo grisalho. E comia arroz com vinagre. O almoço, o lanche, tudo mudava quando ele estava na mesa. Pouco sal e não sei mais o quê. Quando ele abria a geladeira e via que ela não estava dizia manso: - Faz aquela salada de frutas. E eu adorava. Coincidência – ou não – na sexta fizemos a salada de frutas. Ele adorava. Quando mais novo, era mais sério, fechado. Mas, depois que descobri seu romance, caiu na graça. Casa, casa, casa. Se ele cassasse ficava pra sempre. E eu gostava (muito!) dela. Ele não podia e eu não entendia por quê. Agora entendo. Andava devagar. Sempre calmo, sempre lento, limpando o fusca novinho. Companheiro de anos. Anotava a quilometragem. Era chato, não nego, mas me acostumei. Depois de um tempo só ria quando ele apertava a língua. Quanto mais velho, mais legal. Nunca pensei que um dia ele fosse tema, mas quem pode imaginar qualquer coisa nessa vida...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Pasárgada

Eu sou o sofá, a tv, e a brisa leve que faz dançar a cortina de renda que finge guardar uma privacidade que não existe. Eu sou o grito que vem do portão e todas aquelas pessoas que passeiam em frente a televisão. Furados, transparentes. E entro naquele vagão com cheiro de mofo aromatizado feliz em estar indo ao melhor lugar que eu poderia chegar. E quando vejo a grama verde, o muro verde (e vivo), o verde das folhas enormes das plantas enormes do jardim... eu sou aquele lugar. Cada célula, cada tossi, cada lágrima e todos os pensamentos complexos ou vazios. É ele. Sou eu. O ócio que me carrega sublime ao sofá enquanto esfregam o chão da varanda com água e sabão. Sou eu. É simples. É vivo. Eu só preciso me encher outra vez.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Notification_3.mid

De repente, tudo ficou muito chato. Chato e cansado. Não cansativo, cansado mesmo. O cansativo ainda exala alguma energia. Sendo cansado mal se consegue pensar. Por isso, não indico esse texto para quem procura uma leitura inteligente. Na verdade, nenhum destes que aqui estão. Minhas bobagens. Meus dramas. Meus surtos. Mas, eu não quero falar sobre isso. De repente, tudo ficou tão chato. É sobre isso que quero falar.
E eu sei o que é, eu sei. Cada vez que eu recebia aquela mensagem eu tinha mais certeza que ia sentir falta dela. Cada novo dia que o bipe me acordava, eu tinha certeza que um dia eu ainda ia chorar por elas. Ela, na verdade. Era a mesma, repetidas vezes. E mesmo assim, eu lia. E ria. E as vezes sentia raiva, mas mesmo assim eu sempre ria. Era tão simples e tão significativo.
Estou aqui hoje. Estou aqui hoje. Estou aqui hoje.
Não era isso que eu lia, mas era exatamente isso que eu entendia. Era tudo que eu precisava. Por maior que fosse a briga ou a crise, logo cedo vinha a certeza. Estou aqui hoje. Tudo aquilo foi uma bobagem e eu continuo aqui hoje. Apesar de toda sua cena de ciúmes, eu continuo aqui. Mesmo você achando que eu não te quero, eu continuo aqui. Eu não te esqueci como os outros, eu continuo aqui. Era isso que eu entendia daquelas três palavras que formavam uma frase sem vírgula. E eu respondia com uma frase de quatro palavras e uma vírgula, que na maioria das vezes significava uma: obrigada. Às vezes, eu variava. As mulheres sempre têm mais coisas a dizer, mesmo sem escrever o que dizem. Eu disse. E você, não está aqui hoje.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Dia de chuva

O dia, finalmente, amanheceu chuvoso e eu acabei lembrando que ela (a chuva) me faz gostar mais de você. Dia escuro, gotas grossas e suaves, vento frio. E alguma coisa sopra dentro de mim alimentando aquela vontade de passar a vida inteira ao seu lado. É como se o inverno fosse tão claro e quente como o verão. É como se a chuva, o céu escuro e o vento frio me fizessem entender que se eu estiver com você o sol e o dia quente habitarão sempre dentro de mim. É como se a chuva cantasse, o vento cantasse, o bem-te-vi cantasse – escondido em um breve momento de estio –, e as gotas cantassem ao tocar o chão: “pode ser ele. pode ser mesmo ele. é ele.”. E faz crescer aquela sensação de que não era uma brincadeira de adolescentes. Isso não é de enlouquecer?
Eu sempre gostei do inverno. Sempre gostei das luzes do inverno, das pessoas mais bonitas, do riso suave ao observar o jardim inundar sentada na varanda. Sempre gostei do banho de chuva e da água que caia forte da bica, da lama quando ainda não tinha asfalto. Sempre gostei de deitar no sofá enrolada na colcha para assistir thandercats, ursinhos carinhosos, caverna do dragão, os smurfs e os outros desenhos da manhã. Mas, eu me esforço para entender porque tudo isso me faz gostar mais de você. Você nem gosta de chuva.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

05 de outubro

Cinco meses depois do dia 05 de outubro, parece que está (finalmente) chegando ao fim. E agora é inevitável sentir aquela dor leve e constante. Nos últimos dias tenho sentido uma dor leve e constante que parece pesar cada vez mais meu órgão-vital-pulsante. Talvez todo esse tempo ele não tenha estado vazio. Acho que isso é um lamento por ficar sem você. Cinco meses depois do dia 05 de outubro, quando achei que tudo acabaria, acho que está (realmente) chegando ao fim. E é como se nossas mãos se perdessem como naquelas cenas deprimentes dos filmes de drama; aquela cena deprimente que indica que as pessoas se perdem para sempre. E nos últimos dias só tenho pensado que eu posso realmente sentir a sua falta, por mais estranho que isso pareça. E aquela idéia que eu tive de te deixar simplesmente por um capricho social não me parece mais tão genial. Acho que não dá mais pra voltar atrás. Não dá mais pra voltar atrás no discurso que eu ensaiei ou no que eu prometi a mim mesma. Não dá mais pra voltar atrás em tudo que eu me fiz acreditar, muito menos nas concessões que eu estabeleci. E eu passei tantos dias criando toda essa coisa na minha cabeça, mas acho que só hoje percebi que eu gosto mesmo de você. Repeti muito isso, mas só hoje percebi que eu gosto mesmo. Ah, existe uma grande diferença entre gostar e gostar mesmo de alguém. Talvez eu esteja blefando. Talvez eu esteja assim só porque meu coração quer me provar que não é de ferro e está a fim de sofrer um pouquinho. Ele já me fez sofrer enganada várias vezes, achando que eu gostava de fulano ou sentia falta de cicrano, mas no fundo... ele só queria se sentir vivo. Tomará que seja isso. Tomará que eu faça a coisa certa hoje ou amanhã a noite. Porque cinco meses depois do dia 05 de outubro, parece que nós (infelizmente) estamos chegando ao fim.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Quero uma tv a cabo

Cheguei ao fundo do poço. O número do canal alí estampado na tela: 12. Estacionei o controle remoto no 12. Eu estava assistindo Raul Gil. O fundo do poço. Incontestavelmente, o fundo do poço. Pelo menos, Ivete estava no palco para assegurar minha dignidade. O dvd pifou na metade da sessão 3, de domingo. Bom, antes Raul Gil do que Faustão. Em 2009, não assistirei aquele pançudo das pernas finas. E não é porque ele é gordo; é chato demais!
E o chato em morar sozinha é não ter com quem compartilhar, efetivamente, o domingo. E, claro, não ter quem gritar quando se esquece a toalha. A síndica do meu prédio veio me devolver a chave reserva da porta principal. Pode ficar com a senhora. Afinal, o que vou fazer caso perca a minha? Pior, caso me tranque fora de casa de camisola e sem as lentes de conato? Já fiz isso.
Em que mundo a pessoa deixa a chave de casa com a sindica? No meu. É, eu ainda tenho um mundo. Resumido, menos complexo e modesto. Mas, ainda tenho um. E no meu mundo Faustão não entra. Raul Gil, acompanhado de Ivete, vá lá... de qualquer forma, é o fundo do poço.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Marco

Marco. Essa seria uma boa palavra pra definir você. Você que está sendo um marco na minha vida por me ensinar coisas que ninguém nunca me ensinou. E por deixar tudo turvo, só para eu aprender sozinha que posso fazer ficar claro depois. Visível. Assim, tenho pensado muito em seres humanos. As pessoas são tão medíocres. Elas podem puxar o seu tapete só para te ensinar a levantar – mesmo sem saber que estão fazendo isso. É tudo tão subjetivo e aparentemente bobo. É tudo tão real e sacana. É tudo tão meu. E o que é nosso não é você e eu. As pessoas são tão incríveis. E eu podia achar que você me tirou tudo, mas só consigo entender que você me deu tudo. Me deu um mundo diferente para viver. Um mundo bem real e, caramba! Eu sei viver no mundo real. Eu sei viver aqui onde todo mundo vive!!! E tudo que eu sinto é o que todo mundo sente. Tudo que eu sinto pode ser até mais brando do que todo mundo sente. Eu entendo. Eu entendo como uma boa filha de Deus, embora sinta e pense como ser imperfeito que sou. É como se tudo fosse volúvel.
– Olha a roleta da vida, vai girar...
Numa extremidade a fidelidade, na outra a traição. Mas, a paleta nunca acusa uma coisa ou outra. Não acho que é traição. Melhor. Eu não poderia achar. E aí entra aquela coisa que falei sobre julgamento. Não dá pra achar que você está certa ou errada. Alguém fazer algo que eu não espero que faça ou que eu não quero que ela faça ou que não ache certo, não é condenável. Já entendi isso. O mundo não é meu. Quando eu vivia no meu mundo, talvez eu pudesse. Acontece que você me tirou de lá. Você veio com o alfinete, explodiu minha bolha e eu percebi que podia respirar. Eu podia ter morrido, mas não. Aprendi a respirar esse ar leve e pesado, limpo e nojento. Eu posso respirar aqui fora. Eu posso respirar! Então, pode-se aprender com tudo na vida. Essa é uma verdade. Com pessoas que amamos e odiamos. Do melhor e do pior jeito. Eu não odeio ninguém, aprendo com quem amo. Do melhor ou do pior jeito.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Porque o imperfeito é perfeito

Existem dias que o mundo amanhece mais colorido. Ontem, eu queria falar sobre te olhar e não te reconhecer, te olhar e não me reconhecer, dormir enquanto você fica acordado e acordar para tentar te fazer dormir. Ontem. Mas, hoje o dia está mais colorido. Reflexões são normais. Sentar na beiradinha da cama e ficar te olhando de lado, no escuro, é normal. Não preciso surtar por isso. Nem terminar, nem mandar você ir embora, nem chorar. As coisas que não entendemos na vida é normal. Todas essas sensações que não consigo definir como boas ou ruins. Mutantes entre boas e ruins. É normal. Eu só preciso querer parar de entender tudo. Preciso parar de querer esmiuçar a célula do abstrato. Não dá pra entender, a vida definitivamente não dá pra entender. É tão bom quando a gente não pára pra ficar analisando como seria perfeito se fosse perfeito. Mas, pra que inferno criaram o perfeito se ele não existe? “Porque sem o perfeito não haveríamos como definir Deus”, vocês diriam. Então, eu tenho que parar de querer que tudo na minha vida seja Deus. Tenho que parar de desejar que ele seja Deus. Minha casa seja Deus. Meu humor seja Deus. Minha tv que chuvisca, o saldo da minha conta, meus amigos, a cadeira que dói minhas costas, minha barriga, a franja que ondula, os motoristas que não respeitam a faixa. Tenho que parar de desejar que o mundo seja Deus. Que o meu mundo seja Deus. Nada é perfeito. Só Deus é. E se eu sento na pontinha da cama e te olho de lado, no escuro, sem saber se eu te conheço ou se eu me conheço ou o quanto eu sinto falta de assistir He-man, à tarde, comendo pipoca doce. Dane-se! Eu não sou Deus. E é perfeito não ser. Eu tenho que entender que é imperfeito não ser. E isso não é ruim. Não, isso não é ruim.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Ser frágil

Doeu. Não doeu fisicamente, mas aquela dor aqui dentro.
Dor e alívio.
Dor de alívio.
Mas, só doeu depois que tudo passou.
Depois que me percebi ainda perfeita.
Foi só um susto.
Mas, tudo deixa marcas.
Por menor que seja, deixa marcas.
Meu talhinho de 5cm deixou marcas.
E agora é assim.
Todas as vezes que alguma coisa acontece – por mais boba que seja – me lembro da minha marca.
Gotas vermelhas lembram a minha marca.
Não sou eu quem lembro.
É o eu.
O eu faz tudo tremer e ficar girando e girando...
O eu pede pra descansar e deixa minha boca amarelinha.
Foi uma bobagem para mim.
O que é 5 cm em 1,65m?
Mas, o eu é pequeno e grande.
E a parte frágil do eu é do tamanho de um grão de feijão.
5cm é muito para um grão de feijão.
E depois que tudo girou, sentei, melhorei. Cheguei em casa. Chorei.
Eu chorei.
Chorei porque tudo é tão pequeno e frágil e estranho.
O mundo é tão estranho.
Naquele dia, depois que saí do hospital, e me ligaram para falar aquela barbaridade sobre o meu pai, eu chorei.
Chorei de medo.
Tive medo desse mundo.
E tudo pode ficar realmente estranho.
E agora, com esse papo. História triste.
Tudo é tão estranho.
E tudo deixa marcas.
Tenho uma pequena marca.
Suportável.
Que me faz chorar de alívio.
O ser humano é tão frágil.
Ser humano é tão frágil.
Frágil ser.
Humano.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Será? Será? Será?

Cansei desse assunto. Mas, minha necessidade cavernária de escrever não entende isso. E lá vou eu traduzir o que acabei de digitar. De volta a teoria (e necessidade) de esmiuçar o tal do sentimento. Sentimentos. Tudo isso, na tentativa incansável de me entender. Vamos lá... namorar é algo muito complicado (pelo menos pra mim). Gostaria que fosse algo que desse pra fazer apenas entre duas pessoas. Ilusão.
Às vezes – estou usando muito essa expressão ultimamente – eu queria entrar na sua cabeça e entender o que você pensa disso. O que você pensa de eu entrar na sua casa (pela porta da frente) com a sobremesa do almoço. Ou o que você acha de ir a festas de uma família (altamente fofoqueira e preconceituosa). O que você vai achar de ser analisado? O que vai pensar das pessoas começarem a me associar a você e você a mim. O que você acha de nós dois juntos, de fato.
É. Eu sei que não é certo as coisas como estão. Queria dizer: “Mas, o que é certo, afinal?” e ligar o foda-se total. Mas, não sou mulher o suficiente pra isso. Eu só sou mulher o suficiente para viver o que é normal. Nada além do normal. E agora, que o tempo da indecisão está passando, não sei o que fazer. Queria saber o que você pensa. E aí? Será que é hora de jogar tudo no ventilador? Será que é agora que devemos sentar e acertar os ponteiros, combinar que no sábado você só pode beber com os amigos até às 16:00 ou que eu tenho que avisar que vou viajar com 24 horas de antecedência. Será que é agora que eu devo dizer que gosto muito de você todos os dias e não só quando estou afim? Será? Será? Será?

Mais um prato na mesa

A simples complexidade da vida.
Eu sei que naturalmente todos estão certos em querer que eu me enquadre.
Que você se enquadre.
E que o simples seja mesmo simples, pra nós dois.
Todos querem colocar um prato a mais na mesa.
Sair para jantar. Viajar. Farrear.
E não é porque eles gostam de você.
Eles gostam de mim.
Eu também deveria gostar mais de mim e te deixar, se fosse o caso.
Ou gostar mais de você.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Desabafo (a tempo)

Às vezes eu odeio você. Não odeio de verdade, mas sinto tanta raiva que só me contenta o ódio. Queria mesmo era ter escrito ontem. Se eu tivesse feito isso só iria escrever coisas ruins. Coisas ruins sobre você. Sobre nós. Por isso não o fiz. E iria listar todos os seus defeitos. E dizer que não te conhecer por inteiro é o pior deles. Eu iria contabilizar quantas vezes você já fez isso e repensar como fico com raiva e a raiva passa depois. Reviver aquela sensação de “Aii, como sou tonta por fazer todo esse drama por aquilo”. Sou mesmo tonta. Eu me odeio por ainda acreditar em você mesmo quando a luz vermelha pisca. Esperança consciente. Odeio depois ter que ouvir: “Eu avisei”. Eu também sabia. Odeio a tal da esperança consciente. Você tem consciência de tudo que me deixa pirada. Só que eu não me conformo em mandar você dormir – como você faz comigo. Ontem eu o fiz mesmo porque estava cansada demais para discutir, cansada demais para explicar, cansada demais para te ouvir. Ontem eu estava cansada. Às vezes eu canso de você. Às vezes eu canso até de mim, imagine. E não acho que isso seja necessariamente ruim. Ruim mesmo é você me fazer chorar. Odeio quando você me faz chorar. Mas, tanta gente me faz chorar e por tantos motivos diferentes. São tantas as bobagens. De qualquer forma, não gosto quando você me faz chorar. É fato. Ainda tenho que avaliar se o fato de você ter consciência de que está errado é bom ou ruim. Não posso negar que a mensagem que você enviou antes de dormir fez passar um pouco da minha raiva. Mas, eu estava cansada demais pra responder. Estava cansada demais pra você. E fiz um sacrifício enorme para responder a outra - de sempre - hoje pela manhã. Estou cansada demais para guerra. Respondi. E agora, que a raiva está passando, vejo que gosto mesmo de você. Às vezes, eu tenho dúvidas em relação a isso. Confesso. Mas, acho que se eu não gostasse de você não tinha sentido ódio, nem raiva, nem nada. Sentimentos ruins provém dos bons – principalmente quando os motivos são bobos. Principalmente quando eles não são essencialmente ruins. E é por isso que às vezes eu odeio você.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Não tenho mais medo

Minha cama não é pequena, mas agora eu também durmo com os pés pra fora.
Não tenho mais medo.
E a porta do quarto só fica fechada quando estou sozinha.
Mas, se um dia esquecer ela aberta, acho que não tenho mais medo.
O escuro não me deixa sem dormir.
E quando não consigo expulsar o invasor pela janela, tranco ele no banheiro.
Simples assim.
Nos últimos dias só tenho medo mesmo da minha geladeira.
Não sei como fui acumular tanto doce ali.
E está acabando.
E só tem eu para comer.
Minha grande companheira é a novela das 20h.
O problema é que agora ela é mesmo às 20h.
E quando ela vai embora eu vou dormir.
Aí lembro que ainda são 21h30.
Enrolo até às 22h – essa é a hora dele.
Faço planos.
Vou ou não lavar o cabelo. A roupa de amanhã. O que vou fazer para o café. Vou fazer café? Viva a geladeira!
Programo o despertador.
Sagrado seja cada minuto de sono na manhã seguinte.
O quase escuro.
Sozinha.
Vou lendo sem tocar uma página, descobrindo, constatando.
Às vezes deixo uma ou duas lágrimas caírem – para não perder o hábito.
E durmo com os pés pra fora, sem me enrolar dos pés a cabeça.
Não tenho mais medo.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O ano da telha

* ** Garimpo:
Algo diferente para nós. Não, não fui eu quem escreveu.
Porque postar? Compactuo com ele em tudo. Compactuo com ela.
*
*
*
Depois de passar dias maravilhosos no mundo da fantasia, retornei ao mundo real muito bem disposta e cheia de metas para 2009. O choque da realidade faz você ficar criativa e pensativa também. Quer saber no que andei pensando? Acho que eu me cansei de ser certinha demais, boazinha demais, calma demais, tolerante demais, comedida demais, ponderada demais...
Gente, eu penso tanto, tanto, mas taaaaaaaaaaaaaaaanto antes de tomar uma decisão, que eu nunca me arrependendo do que faço. Isso é bom? Depende; eu nunca me arrependo do que eu faço, mas posso me arrependo do que não faço. Tá! Não sei se é arrependimento, mas do mesmo jeito que eu passo séculos pensando em qual decisão tomar, eu passo centenários pensando em como seria se eu tivesse agido diferente, se eu tivesse agido no ímpeto, no calor da emoção, se eu tivesse sido explosiva, se tivesse...
O mais legal dessa história é que todos acham essa minha característica uma qualidade. No fundo, eu também acho que é bom ser assim como eu sou, mas estou enjoada de ser assim – sabe como e aquela história de ano novo, vida nova. Aliás, estou curiosa pra saber como seria se eu fosse diferente. Enfim, eu cansei mas acho que não tenho coragem de mudar, de ser uma Capitu, uma Maisa, uma Chiquinha Gonzaga, uma Erin Brococvhic e tantas outras mulheres determinadas, fortes e impulsivas conhecidas por boa parte do seres humanos.
Ainda assim, decidi que em 2009 vou tentar fazer mais o que “der na telha”. 2009: o ano da telha.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Não me admire

Esses dias tenho aprendido que a melhor pessoa que posso ser sou eu.
Não queria ser ninguém.
Ninguém que admiro. Ninguém que tenho um carinho estúpido.
Ninguém que eu amo. Não queria ser ninguém – além de mim.
Aí é fácil me aceitar.
Aí é fácil me sentir satisfeita pela pessoa que me tornei. Ai é fácil sentir orgulho de mim. Esses dias tenho aprendido que não existe ninguém extraordinário, além do normal.
E isso não é triste.
Não é ruim.
O que existe são pessoas normais aqui em baixo desse sol escaldante de verão.
E eu não quero ser ninguém além de mim.
Quero ter mesmo o meu nariz estranho e a minha super barrigona.
Minhas psicoses e meu jeito estranho de mostrar que gosto das pessoas.
Quero ser dramática e dengosa de vez em quando.
Quero meus defeitos todos pra mim.
E mesmo assim quero ser eu.
Não quero ser ninguém que eu admiro.
E não quero que ninguém queira ser eu.
Ninguém que me admire.
Só eu me conheço. Só eu me percebo como sou. Quem quer ser a minha consciência? Eu não quero ser a de ninguém.
Quero ser eu.
Não quero tomar pra mim aquelas qualidades pra depois descobrir que elas nem existiam em você. Esses dias tenho aprendido muito contigo.
Aprendi que só preciso ser eu.
Ninguém mais.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Sobre escrever

É. Escrever é a minha sina.
Se eu estou de bobeira: É, né?! Vou escrever.
Se estou super atarefada: Ai droga! Preciso escrever, e agora?
Chorando: Escreve que passa.
Saltitante: Escreve pra compartilhar, boba.
Sozinha: Vou escrever para sentir que tenho companhia.
Calada: O jeito vai ser escrever pra conseguir desabafar.
Escrevo para entender. Escrevo para esquecer. Escrevo para gargalhar. Escrevo para prever. Escrevo para amortecer. Para viver.
Escrevo mensagens no celular, diários, no MSN, recados, perfis, em guardanapos e escrevo também esses textos que em 2008 eu diria que são ridículos (mas, não em 2009).
Escrevo por aí...
Pra mim, pra você, pra eles, pra elas, pra Deus.
Quando enviava cartas, escrevia recados fofos nos envelopes para os carteiros.
Escrevo.
Assim sem propósito (como agora) ou com propósito (como sempre).
Escrevo para deixar rastros de mim.
Um pedacinho aqui, outro lá.
Escrevo e leio o que escrevo. E gosto. E não gosto. E leio de novo. E não tenho coragem de ler – mas, não apago.
Eu não me apago.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Minhas metas (não!) bizarras

Minhas metas para 2009 andam causando uma certa polêmica. É, elas são um pouco estranhas realmente. Ou pelo menos não são comuns como emagrecer, fazer a cirurgia da miopia, conhecer a Grécia. Nada disso. Mas, são as minhas metas; o que posso fazer? Elas afloraram de mim, de todo meu ser. Em 2009 eu quero ser mal-humorada mesmo e, não tem nada haver com aquele motivo ridículo que o sr. de todas as coisas disse ontem. Não mesmo! Se não sinto vontade de rir por qualquer bobagem o que posso fazer? Em 2008 eu riria só para te agradar, mas não em 2009, porque este ano uma das minhas metas é fazer o que eu tenho vontade e ponto. Claro que existem exceções para esse “ponto”, mas serão poucas. Aviso logo. Humm... você acha que eu não deveria está dizendo isso? Ok. O problema é que uma outra meta para 2009 é falar o que eu penso. Nada de ficar constrangida ou fingir para agradar. Ache o que quiser, vou sair falando. Não, não... ser barraqueira não faz parte das minhas metas para 2009. 2010, quem sabe. Tudo bem, eu já sei que corro o risco de muita gente me odiar em 2009 ou me achar antipática. Corro até o risco de magoar alguém (e Deus me dê discernimento e medida para não fazer isso), mas fingida ninguém vai me achar. Não, ninguém disse que sou fingida, mas eu me achava um pouco já que me escondia em prol da paz mundial. Não o conceito do senso comum para uma pessoa fingida, mas o meu conceito. Em 2009, serei soldado de batalha. E desde que resolvi analisar o porquê destas metas estou inclinada a culpar Maysa. É, a cantora da minissérie, mãe de Jaime Monjardim. Nunca serei louca como ela, mas Maysa é o meu ícone de liberdade. E em 2009 acho que quero ser livre. Não livre, no conceito do senso comum, mas livre no meu conceito.
Talvez, assim como emagrecer – minha meta highlander – eu não consiga atingir essas também. Mas, são as minhas metas para 2009 e ponto. Estou adorando isso.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Farol

Quando vi aquela cena do filme que assisti no domingo (sozinha) me deu uma vontade enorme de correr para um farol abandonado e ficar sentada na campina vendo o mar no fim de uma tarde qualquer. Ela só precisava ser alaranjada. Outono, talvez.
Me deu uma vontade tão grande de sentir aquela plenitude.
Me deu uma vontade tão grande de ser um jarro de cristal transparente com curvas leves e refinadas.
Me deu uma vontade tão grande de pegar aquele mar, o sol, o alaranjado do fim da tarde de outono, o farol e transformar tudo em líquido.
Me deu vontade de encher o jarro com aquele líquido até transbordar.
Cheia.
Plena.
E depois que você chegou, recebemos visitas, comemos, rimos, relembramos a briga da noite anterior, cansamos, tomamos banho. Depois de tudo, quando estávamos lá deitados no quase escuro, quietos, em silêncio, eu senti.
Senti uma coisa encher e transbordar.
Foi tão rápido que eu quase não senti.
Se eu não estivesse quieta, no quase escuro, confortável, em silêncio, eu não tinha sentido. E foi assim, sem mar, sem tarde alaranjada, sem farol.
Eu senti.
Eu não amo você, tenho ciúmes, pensamentos doentios. Às vezes, eu fico olhando pra você e pensando se devíamos mesmo estar juntos ou por quanto tempo vamos permanecer juntos.
Mesmo assim, eu senti.
Então, resolvi não pensar. Resolvi esquecer que eu fico tentando decifrar o que eu sinto. Esquecer que eu gosto. Esquecer que não gosto. Esquecer que me faz sorrir. Esquecer que me faz chorar. Esquecer que é perfeito. Esquecer que é imperfeito.
Esquecer e só deixar você. Você, o quase escuro, a cortina rosa pink, o lençol de borboletas, os três travesseiros, a fresta de céu estrelado.

Ádios

Finalmente, você saiu da minha vida.
Esperei tanto por esse dia.
Sinto alívio e uma dose de raiva.
Raiva porque alguém vai perguntar: “(..) e fulana, você já comeu?”.
E “fulana” sou eu.
Alguém vai te perguntar, quase sem se mexer, ainda um pouco ofegante ao sentir algum vento frio correndo pelo corpo.
Já fiz isso.
Na verdade, nunca disse a palavra “comer” porque nessa época eu ainda não falava palavrão e “comer” pra mim é palavrão.
E você vai olhar para alguém de lado e vai dizer “sim” com a boca ou com os olhos.
Acho que com a boca mesmo. Pra alguém você não mente.
E ele diz que não mente para mim.
E eu nunca fiquei tão aliviada em deixar pra trás algo que achei que não conseguiria.
E eu não preciso mais ter vergonha dela. Nem de ninguém. Nem de alguém. Nem de nada.
Estou feliz. Nunca fui triste.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Carta

Já estava me arrumando para ir dormir quando me deu vontade de ouvir aquela música. Acho que nem deve saber que ela me faz lembrar você – já que ela não faz parte da nossa lista oficial de músicas – e, não lembra, na verdade. Fazer lembrar é diferente de fazer sentir. Aquela música me faz sentir. Senti outra vez. Havia muito tempo que eu não sentia aquilo que era tão corriqueiro. Eu tinha 15 anos. Senti como se ainda tivesse. E voltei a ter vontade de programar a nossa viagem, fantasiar encontros, imaginar diálogos, te fazer parar de ser manhoso e te dá um labrador de presente – para fazer companhia ao meu sharpei, naquela chácara que ainda não existe.
Ontem a noite voltei a desejar que você aparecesse na minha porta com o rosto escondido atrás de ramalhetes de margaridas. Me deu vontade de ler aquelas cartas outra vez. E rezar outra vez. E ver o dia nascer. E ouvir como nasce o sol carioca.
A música se repetia. E eu não senti vontade de chorar. Nem de sorrir. Só sentia. A menina cresceu. E você só percebeu isso porque não estava aqui. Não te contei sobre todas as minhas novas paixões, mas soube que você estava certo quando uma das antigas ficou para trás. Não compartilhei com você minhas paranóias, meu ciúme, minhas cólicas. Você nem sabe que eu quase não sinto mais cólica.
Mas ontem, percebi que nada mudou. E aquela história de “para sempre” é verdade. Caramba! Tudo aquilo é verdade. E os nossos cinco dias oficias continuam existindo (Natal, Reveillon, meu aniversario, seu aniversario e nosso aniversario). E disso eu tive certeza quando depois de meses e meses o identificador de chamadas acusou aquele número. O número que eu decorei desde que tinha 15 anos. E descobri que não tenho mais o seu número na minha agenda, mas eu sabia que era você.
E todo mundo pode achar isso uma verdadeira bobagem. Ou podem achar que sou promiscua, já que agora eu faço parte do grupo de pessoas que podem ser promiscuas. Mas, não é nada disso. É você. E nada de errado ou ruim acontece quando você também está no jogo. O que estou dizendo? Não existe jogo.
Ontem a noite, adormeci cheia de uma única e boa certeza. Eu continuo com 15 anos e, você continua aqui (mesmo longe).

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Novo ano. Velhos tempos.

Sozinha.
Estou sozinha.
Sozinha como não ficava há muito tempo.
15 dias? Por aí.
Já é 2009 e, eu nada disse sobre isso.
Já é 2009 e eu nem tinha me dado conta disso.
Percebi agora, sozinha.
Fui ler os posts delas e me dei conta.
Elas não escrevem, elas conversam.
Eu não converso, eu escrevo.
Hoje, sozinha, resolvi conversar.
Falar que está chovendo e chuva me traz nostalgia.
Falar que estou com preguiça e muita vontade de trabalhar ao mesmo tempo.
Concordar que o espírito de Natal também não tocou meu coração esse ano, mas mesmo assim continuo acreditando em Papai Noel.
Queria falar e tomar chocolate quente.
E reclamar que engordei 1,3 kg durante as férias e não podia estar tomando aquele chocolate quente.
E suspirar dizendo que queria muito passar esse fim de semana viajando com ele.
E perguntar se concordam que eu sugira isso.
E ouvir elas dizendo: “Claro! Você tem que parar de agir assim, você já cresceu (...)” e blá bláblá.
Cresci.
2008 foi o ano que eu cresci.
2008 foi o ano que descobri que xingar é muito bom.
2008 foi o ano que constatei que a barriga que a cerveja deixa em mim não compensa o seu “efeito”.
Em 2008 aprendi que passar ferro pode ser muito doloroso se você não possui um domínio sobre ele e subir em vasos sanitários é realmente muito (!) perigoso - conselho do ano: jamais façam isso.
Foi em 2008 que plantei o fruto do qual vou viver por toda a minha vida.
Descobri que viajar com ele é muito bom. Mas, eu preciso aprender a escolher hotéis.
Aprendi a fazer novos molhos, patês e uma receita diferente de brusqueta.
Esse (aquele?) foi o ano que quase perdi os cachos do meu cabelo.
Cobrar. Eu aprendi a cobrar.
E entendi que coisas realmente boas acontecem por trás de coisas ruins.
Em 2008 eu perdi e, ganhei muito com isso.
Foi em 2008 que tive ainda mais certeza que não vai acabar. Estúpida, cheguei a achar que acabaria. "Sorria e saiba o que eu sei (...)". Vamos continuar sorrindo e sabendo...
Fui feliz em 2008. Fui feliz durante todos os anos da minha vidinha de 20 e poucos, mas em 2008 fui feliz comigo e por mim.
2008 foi o meu ano.
Foi em 2008 que descobri que eu consigo pelo menos três vezes o que muita mulher não consegue umazinha só.
Me tornei muito mais bonita em 2008. Mais bonita, mais chata, mais introspectiva, observadora, boca suja, fresca, magra, organizada, engraçada, dona de casa e até um pouco perfeccionista.
Gostei de escrever em 2008.
Gostei de 2008.
Feliz ano velho.
Bem vindo, ano novo!