segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Voz
O que a gente faz quando descobre que não é quem gostaria? Não sente o que gostaria. Não vive o que gostaria. O que a gente faz? Pra ser forte até o fim. Pra esquecer. Pra pecar. Pra não ter vontade de errar. O que a gente faz pra nunca ter vontade de fugir? Pra não ter vontade de escrever. Pra não ter que ficar sem dormir. Pra não esperar pra amanhã. Amanhã. Amanhã. O que a gente faz quando descobre que só pode ser crônico? Nada que é crônico presta. O que a gente faz quando a consciência nos coloca em frente ao espelho e começa a falar? Em voz alta e branda e complacente. O que você tem você não quer. O que você tem não deveria querer. Que você não tem nada. O que a gente faz?
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Resgate
Eu queria que essa noite fosse diferente das outras. Das nossas dezenas de outras noites sempre iguais. Das nossas dezenas de boas noites incompletas. Incompletas porque falta uma parte de você. A parte de você que me reconhece. Hoje eu queria chegar em casa e tomar banho frio ao invés do quente, em um banheiro pequeno como aquele, naquele quarto sem janela, onde não consegui deixar nem um centímetro da minha identidade, e ao mesmo tempo trouxe tudo comigo – mas, isso é outra história. Eu queria que essa noite de quarta-feira, de um dia nublado, por vezes abafado, fosse diferente de todos os outros dias que eu abro a porta enquanto você ainda sobe as escadas, e olho para você enquanto ainda está olhando pro chão, e olho para Tv enquanto você olha para mim; a gente ri, você entra e eu deixo o mundo lá fora. Eu queria que essa noite você me olhasse e alguma coisa diferente acontecesse para que tudo voltasse a ser como antes. Um antes que há muito virou depois, mas não para de se arrastar. Como em um passe de mágicas desses filmes para meninas, você podia me olhar e se encantar de novo, sentir de novo... sei lá. Resgatar em algum lugar dentro de você aquele sentimento que fazia eu me sentir segura. Eu quase conseguia abraça-lo de tão real. E agora nossa realidade é tão diferente, tão mais azul do que rosa. Azul como o céu em dias de alto verão, quando não existem nuvens que possam nos conduzir de um lado para o outro – como pedras – e as vezes a gente acaba ficando perdido na imensidão daquele azul sem fim. Esperando. Esperando que venha uma noite e tudo seja tão diferente que eu sinta que você é capaz de me entregar o mundo. Outra vez.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
terça-feira, 20 de outubro de 2009
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
terça-feira, 13 de outubro de 2009
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
terça-feira, 29 de setembro de 2009
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Coletânea
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Muralha
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
"- Talvez isso seja só uma idéia idiota e romântica sul-americana, mas preciso que você entenda... querida, por você eu estou disposto até a sofrer - diz ele. - Qualquer que seja a dor que nos aconteça no futuro, já aceito, simplesmente pelo prazer de estar com você agora. Vamos aproveitar este tempo. Isso é maravilhoso". (trecho - um dos melhores - do livro "Comer, rezar, amar" de Elizabeth Gilbert).
*
terça-feira, 1 de setembro de 2009
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
A pessoa errada
terça-feira, 25 de agosto de 2009
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Fulga
Covarde
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Composição dramática
O colóquio da frase
quinta-feira, 16 de julho de 2009
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Sobre o Twitter
só acho que dscobri que a ferramenta não é mto pra mim..
acho que não tô (mesmo) afim dele...
acho que vou criar uma sessão de frases pro meu blog...
estou em análise
D. on Twitter diz:
hum..bacana amiga.
Beatriz Ferreira. diz:
é que meus pensamentos estão curtos
os longos doem
D. on Twitter diz:
essa já seria uma boa frase.
rs
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Tentativa
Eu sinto falta de escrever todas aquelas bobagens.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Plano
Tudo isso é para estilhaçar. Correr. Curar. Matar. Morrer. Ressuscitar. Planta. Ave. Pedra. Sólido.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Sobre verdade
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Cega
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Verdade ou desafio?
Fazer qualquer coisa para que você entenda que eu preciso de paz. Preciso que me dê razão. Preciso me sentir segura. Eu preciso de alguma coisa que eu não sei o que é, de fato. Mas, eu preciso.
Já tentei gritar e falar baixo. Ser irônica e critica. Divertida e rude. Fingir, dizer a verdade, me omitir. Nada ajuda a elevar o meu placar. Estou lá na zona de rebaixamento, me afogando no mar que enfureci. Tentando me manter calma para encontrar uma saída ou, pelo menos, parar de afundar.
Mas, o batuque não para. Oscila entre forte e fraco, alto e baixo. E, de repente, volta aquela vontade avassaladora de gritar, chorar, espernear e colocar tudo pra fora, outra vez. Começo a me convencer de que eu não sei lidar com isso. Não sei lidar comigo, nem com você, nem com essa ansiedade. Não sei lidar com coisas simples que insistem em se tornarem complexas, chatas, desgastantes. Eu não me conformo e acho tudo tão injusto.
Me canso entre a teoria e a prática. Conversar ou agir. E você finge que não viu nada, que não está nem ai. Até finalmente perguntar se estou mais calma. E eu quero receber um sermão, eu juro que eu quero. Mas, você volta a ignorar o fato de que não estou agindo da forma como você gostaria e não me diz mais nada. Até eu fazer outra coisa pra chamar sua atenção, te deixar irritado e eu voltar a alimentar o medo de te perder.
Preciso domar o monstrinho que existe dentro de mim. Ou libertá-lo. E peço a Ele todas as noites para tomar as rédeas da minha vida, dessa situação. Tudo é mais fácil do que interpretar sozinha, o que está acontecendo aqui, afinal. Preciso encontrar o limite, onde devo parar, até onde posso ir. Eu preciso de você. E do meu mundo. Eu preciso do seu.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Meu esconderijo secreto
sábado, 25 de abril de 2009
Veronika decidiu morrer e eu escrever
Talvez não tenha sido o livro. Talvez não seja nada. Nem ninguém. Nem eu. Nem ele. E exatamente tudo isso. Bom, afirmar que não sou normal (aqui) já virou clichê e odeio clichê. Definitivamente odeio clichê. Resisti a vir me debruçar sobre esse teclado enquanto ainda estivesse me sentindo assim, estava cansada para explicar. Agora, cansei de desistir.
(Eu vivo cansada – preciso refletir sobre isso).
Logo, não acredito que vocês gostarão de ler esse texto. É confuso. E pela primeira vez não vou me preocupar com a poética, coerência, o jogo de palavras, se isso combina com aquilo. Nem perguntarei: é publicável? Não me preocuparei com nada, nem que pensem: “essa menina não sabe mais escrever”. (Se é que soube um dia).
Só havia lido um livro de Paulo Coelho, Brida, e tinha gostado de toda aquela teoria sobre as almas gêmias. Mas, Veronika me deixou cansada. Mesmo assim acho que gostei.
Ainda não entendi porque isso mexeu tanto comigo. Nem quero. Eu não quero nada, na verdade. Nem esse texto vazio. No início da semana cheguei a querer vomitar tudo. Tudo que é abstrato. Aquele novelo de lã que subia e descia na minha garganta. Entre a garganta, o coração e o estômago. Me senti um gato. E odeio gatos. Não demorou muito para começar a estranhar aquela parede laranja gritante e os móveis escuros. Eu só queria o quatro azul e amarelo. Tudo claro e poético.
Havia um tempo que o lugar mais alto que eu conseguia chegar era a cabana em frente ao Fórum. E dali eu via o mundo. O mundo que eu conseguia controlar e acompanhar e amar, por inteiro. O céu era diferente. Eram muitas as árvores e as casas. E eu sabia quem morava em boa parte delas.
Queria tudo de volta. Quero tudo de volta. É tudo meu. Isso aqui, não é. Isso aqui, não tenho certeza se é.
O tempo que eu não tinha medo. No mundo que eu não tinha medo – só do professor de física. E lembro de, naquela época, querer chegar – quase – exatamente onde estou. Agora, estou pensando em parar no meio do caminho só para reavaliar. Que dizer, não estou. No início da semana eu pensei: “e se estivesse?”. Mas, não estou. Não estou porque acho que o mais sensato é não estar.
Passou.
terça-feira, 7 de abril de 2009
O dia que a terra (quase) parou
Muita gente acha que ser jornalista é o fundo do poço. Às vezes, eu também acho, mas não é de coração. Ser jornalista é legal, apesar de ninguém (nem nós) lembrarmos do dia reservado para celebrar a nossa profissão. Sem contar com essa história de ter que trabalhar ao invés de simplesmente esquecer que somos jornalistas por 24 horas.
Quando alguém pergunta “você trabalha com quê?” e respondo “sou jornalista”, aí sim é verdadeiramente gratificante porque as pessoas geralmente se expressam de duas formas: 1) Ah.; 2) você aparece na Tv?.
Muito digno. Ou eu sou “ah, um faz nada” ou “ohhh, ela aparece na Tv”. Coisa é quando uma vem seguida da outra. “Ah. (pausa para esperança). Mas, então você aparece na Tv.”. Só rindo.
Ultimamente ando trocando as letras. M por n, o por q, y por z, a por todas as 20 e muitas letras do alfabeto (após a mudança ortográfica). Deve ser de tanto digitar e o dia inteiro e sobre coisas completamente diferentes. Mas, eu sou apenas “ah”, uma jornalista.
Legal. Sou jornalista.
E já que hoje é o nosso dia, podíamos não trabalhar. O mundo não ia , assim, parar. As pessoas só não iam perceber ele girar, mas era só por 24 horas.
Ah, uma bobagem.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
A filosofia e todo o resto
terça-feira, 31 de março de 2009
Parte II
E ouvir meu nome três vezes consecutivas, só porque havia ido até a cozinha, o fato de ter me acompanhado quando fui por dois segundos até o quarto, e toda aquela necessidade visceral de me ter por perto, me fez pensar que talvez você goste mesmo de mim.
No sábado, depois do minha solitária lamúria cheguei a conclusão que não cresci tanto quanto deveria, já que continuo cometendo os mesmos erros de quando tinha (apenas) 15 anos. Preciso esquecer esse meu complexo de perfeita aceitação. Rasgar a lista que criei com os 10 mil motivos pelos quais não devo ficar com você e, de alguma forma, me desprover dos conceitos lunáticos que muitas vezes não fazem sentindo nem para mim mesma.
Assim como Machado, tenho consciência que essas idéias fixas que coloco na minha cabeça e sigo com elas custe o que custar, não é saudável. Talvez, dar a largada mais uma vez seja o primeiro passo para viver algo realmente perigoso e real. É disso que eu preciso.
Agora, que tudo voltou ao normal – de uma forma diferente – não sinto nenhuma onda de entusiasmo ou euforia, só uma sensação suave como se fosse arrebatada pela utópica pacificidade mundial.
Ainda me sinto um pouco confusa e temerosa, mas é como se a corda bamba ganhasse alguns centímetros e fosse promovida a ponte do rio que cai. Se eu fizer a coisa certa e seguir na linha sem praticar minhas costumeiras bobagens, chego lá. Não lá, no “felizes para sempre” – por enquanto – mas, lá na prática da minha maturidade sentimental, lá na decadência do conceito da idéia fixa, lá no desuso dos meus conceitos lunáticos, lá na multiplicação das frações de segundo em que fico parada na porta do banheiro sentindo aquele cheiro.
terça-feira, 24 de março de 2009
A especialista
quinta-feira, 19 de março de 2009
Fôlego
A primeira vista
quinta-feira, 12 de março de 2009
Dia nublado (do meu jeito)
Muitos querem a sol. Para brilhar, talvez.
Adoro dias nublados.
Adoro meu dia.
terça-feira, 10 de março de 2009
She-ra
Lembranças
Não minto pra mim.
Não minto aqui.
Falta da sua conversa calada, da curiosidade vazia, do pequenino sinal marrom e do grande sinal marrom em forma de folha.
Ando sentindo a sua falta.
Falta o boa noite inesperado e o carinhoso bom dia programado.
Falta você.
E eu.
E o calor que faz na casa.
Assim me valho das lembranças.
E deixo sem sofrer.
Ando sentindo a sua falta, mas não dói sem você.
É como um final bonito e triste.
Um final que de tão bonito minimiza o fato de ser triste.
Assim me valho da beleza do fim.
Da beleza de nós.
Do pedacinho da sua beleza que ficou em mim.
Sem uma linha a mais.
Abrobrinha
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Aquela salada de frutas
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Pasárgada
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Notification_3.mid
E eu sei o que é, eu sei. Cada vez que eu recebia aquela mensagem eu tinha mais certeza que ia sentir falta dela. Cada novo dia que o bipe me acordava, eu tinha certeza que um dia eu ainda ia chorar por elas. Ela, na verdade. Era a mesma, repetidas vezes. E mesmo assim, eu lia. E ria. E as vezes sentia raiva, mas mesmo assim eu sempre ria. Era tão simples e tão significativo.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Dia de chuva
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
05 de outubro
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Quero uma tv a cabo
E o chato em morar sozinha é não ter com quem compartilhar, efetivamente, o domingo. E, claro, não ter quem gritar quando se esquece a toalha. A síndica do meu prédio veio me devolver a chave reserva da porta principal. Pode ficar com a senhora. Afinal, o que vou fazer caso perca a minha? Pior, caso me tranque fora de casa de camisola e sem as lentes de conato? Já fiz isso.
Em que mundo a pessoa deixa a chave de casa com a sindica? No meu. É, eu ainda tenho um mundo. Resumido, menos complexo e modesto. Mas, ainda tenho um. E no meu mundo Faustão não entra. Raul Gil, acompanhado de Ivete, vá lá... de qualquer forma, é o fundo do poço.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Marco
– Olha a roleta da vida, vai girar...
Numa extremidade a fidelidade, na outra a traição. Mas, a paleta nunca acusa uma coisa ou outra. Não acho que é traição. Melhor. Eu não poderia achar. E aí entra aquela coisa que falei sobre julgamento. Não dá pra achar que você está certa ou errada. Alguém fazer algo que eu não espero que faça ou que eu não quero que ela faça ou que não ache certo, não é condenável. Já entendi isso. O mundo não é meu. Quando eu vivia no meu mundo, talvez eu pudesse. Acontece que você me tirou de lá. Você veio com o alfinete, explodiu minha bolha e eu percebi que podia respirar. Eu podia ter morrido, mas não. Aprendi a respirar esse ar leve e pesado, limpo e nojento. Eu posso respirar aqui fora. Eu posso respirar! Então, pode-se aprender com tudo na vida. Essa é uma verdade. Com pessoas que amamos e odiamos. Do melhor e do pior jeito. Eu não odeio ninguém, aprendo com quem amo. Do melhor ou do pior jeito.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Porque o imperfeito é perfeito
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Ser frágil
Dor e alívio.
Dor de alívio.
Mas, só doeu depois que tudo passou.
Depois que me percebi ainda perfeita.
Foi só um susto.
Mas, tudo deixa marcas.
Por menor que seja, deixa marcas.
Meu talhinho de 5cm deixou marcas.
E agora é assim.
Todas as vezes que alguma coisa acontece – por mais boba que seja – me lembro da minha marca.
Gotas vermelhas lembram a minha marca.
Não sou eu quem lembro.
É o eu.
O eu faz tudo tremer e ficar girando e girando...
O eu pede pra descansar e deixa minha boca amarelinha.
Foi uma bobagem para mim.
O que é 5 cm em 1,65m?
Mas, o eu é pequeno e grande.
E a parte frágil do eu é do tamanho de um grão de feijão.
5cm é muito para um grão de feijão.
E depois que tudo girou, sentei, melhorei. Cheguei em casa. Chorei.
Eu chorei.
Chorei porque tudo é tão pequeno e frágil e estranho.
O mundo é tão estranho.
Naquele dia, depois que saí do hospital, e me ligaram para falar aquela barbaridade sobre o meu pai, eu chorei.
Chorei de medo.
Tive medo desse mundo.
E tudo pode ficar realmente estranho.
E agora, com esse papo. História triste.
Tudo é tão estranho.
E tudo deixa marcas.
Tenho uma pequena marca.
Suportável.
Que me faz chorar de alívio.
O ser humano é tão frágil.
Ser humano é tão frágil.
Frágil ser.
Humano.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Será? Será? Será?
É. Eu sei que não é certo as coisas como estão. Queria dizer: “Mas, o que é certo, afinal?” e ligar o foda-se total. Mas, não sou mulher o suficiente pra isso. Eu só sou mulher o suficiente para viver o que é normal. Nada além do normal. E agora, que o tempo da indecisão está passando, não sei o que fazer. Queria saber o que você pensa. E aí? Será que é hora de jogar tudo no ventilador? Será que é agora que devemos sentar e acertar os ponteiros, combinar que no sábado você só pode beber com os amigos até às 16:00 ou que eu tenho que avisar que vou viajar com 24 horas de antecedência. Será que é agora que eu devo dizer que gosto muito de você todos os dias e não só quando estou afim? Será? Será? Será?
Mais um prato na mesa
Eu sei que naturalmente todos estão certos em querer que eu me enquadre.
Que você se enquadre.
E que o simples seja mesmo simples, pra nós dois.
Todos querem colocar um prato a mais na mesa.
Sair para jantar. Viajar. Farrear.
E não é porque eles gostam de você.
Eles gostam de mim.
Eu também deveria gostar mais de mim e te deixar, se fosse o caso.
Ou gostar mais de você.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Desabafo (a tempo)
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Não tenho mais medo
Não tenho mais medo.
E a porta do quarto só fica fechada quando estou sozinha.
Mas, se um dia esquecer ela aberta, acho que não tenho mais medo.
O escuro não me deixa sem dormir.
E quando não consigo expulsar o invasor pela janela, tranco ele no banheiro.
Simples assim.
Nos últimos dias só tenho medo mesmo da minha geladeira.
Não sei como fui acumular tanto doce ali.
E está acabando.
E só tem eu para comer.
Minha grande companheira é a novela das 20h.
O problema é que agora ela é mesmo às 20h.
E quando ela vai embora eu vou dormir.
Aí lembro que ainda são 21h30.
Enrolo até às 22h – essa é a hora dele.
Faço planos.
Vou ou não lavar o cabelo. A roupa de amanhã. O que vou fazer para o café. Vou fazer café? Viva a geladeira!
Programo o despertador.
Sagrado seja cada minuto de sono na manhã seguinte.
O quase escuro.
Sozinha.
Vou lendo sem tocar uma página, descobrindo, constatando.
Às vezes deixo uma ou duas lágrimas caírem – para não perder o hábito.
E durmo com os pés pra fora, sem me enrolar dos pés a cabeça.
Não tenho mais medo.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
O ano da telha
Gente, eu penso tanto, tanto, mas taaaaaaaaaaaaaaaanto antes de tomar uma decisão, que eu nunca me arrependendo do que faço. Isso é bom? Depende; eu nunca me arrependo do que eu faço, mas posso me arrependo do que não faço. Tá! Não sei se é arrependimento, mas do mesmo jeito que eu passo séculos pensando em qual decisão tomar, eu passo centenários pensando em como seria se eu tivesse agido diferente, se eu tivesse agido no ímpeto, no calor da emoção, se eu tivesse sido explosiva, se tivesse...
O mais legal dessa história é que todos acham essa minha característica uma qualidade. No fundo, eu também acho que é bom ser assim como eu sou, mas estou enjoada de ser assim – sabe como e aquela história de ano novo, vida nova. Aliás, estou curiosa pra saber como seria se eu fosse diferente. Enfim, eu cansei mas acho que não tenho coragem de mudar, de ser uma Capitu, uma Maisa, uma Chiquinha Gonzaga, uma Erin Brococvhic e tantas outras mulheres determinadas, fortes e impulsivas conhecidas por boa parte do seres humanos.
Ainda assim, decidi que em 2009 vou tentar fazer mais o que “der na telha”. 2009: o ano da telha.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Não me admire
Não queria ser ninguém.
Ninguém que admiro. Ninguém que tenho um carinho estúpido.
Ninguém que eu amo. Não queria ser ninguém – além de mim.
Aí é fácil me aceitar.
Aí é fácil me sentir satisfeita pela pessoa que me tornei. Ai é fácil sentir orgulho de mim. Esses dias tenho aprendido que não existe ninguém extraordinário, além do normal.
E isso não é triste.
Não é ruim.
O que existe são pessoas normais aqui em baixo desse sol escaldante de verão.
Quero ter mesmo o meu nariz estranho e a minha super barrigona.
Minhas psicoses e meu jeito estranho de mostrar que gosto das pessoas.
Quero ser dramática e dengosa de vez em quando.
Quero meus defeitos todos pra mim.
E mesmo assim quero ser eu.
Não quero ser ninguém que eu admiro.
E não quero que ninguém queira ser eu.
Ninguém que me admire.
Quero ser eu.
Não quero tomar pra mim aquelas qualidades pra depois descobrir que elas nem existiam em você. Esses dias tenho aprendido muito contigo.
Aprendi que só preciso ser eu.
Ninguém mais.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Sobre escrever
Se eu estou de bobeira: É, né?! Vou escrever.
Se estou super atarefada: Ai droga! Preciso escrever, e agora?
Chorando: Escreve que passa.
Saltitante: Escreve pra compartilhar, boba.
Sozinha: Vou escrever para sentir que tenho companhia.
Calada: O jeito vai ser escrever pra conseguir desabafar.
Escrevo para entender. Escrevo para esquecer. Escrevo para gargalhar. Escrevo para prever. Escrevo para amortecer. Para viver.
Escrevo mensagens no celular, diários, no MSN, recados, perfis, em guardanapos e escrevo também esses textos que em 2008 eu diria que são ridículos (mas, não em 2009).
Escrevo por aí...
Pra mim, pra você, pra eles, pra elas, pra Deus.
Quando enviava cartas, escrevia recados fofos nos envelopes para os carteiros.
Escrevo.
Assim sem propósito (como agora) ou com propósito (como sempre).
Escrevo para deixar rastros de mim.
Um pedacinho aqui, outro lá.
Escrevo e leio o que escrevo. E gosto. E não gosto. E leio de novo. E não tenho coragem de ler – mas, não apago.
Eu não me apago.
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Minhas metas (não!) bizarras
Talvez, assim como emagrecer – minha meta highlander – eu não consiga atingir essas também. Mas, são as minhas metas para 2009 e ponto. Estou adorando isso.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Farol
Me deu uma vontade tão grande de sentir aquela plenitude.
Me deu uma vontade tão grande de ser um jarro de cristal transparente com curvas leves e refinadas.
Me deu uma vontade tão grande de pegar aquele mar, o sol, o alaranjado do fim da tarde de outono, o farol e transformar tudo em líquido.
Me deu vontade de encher o jarro com aquele líquido até transbordar.
Cheia.
Plena.
E depois que você chegou, recebemos visitas, comemos, rimos, relembramos a briga da noite anterior, cansamos, tomamos banho. Depois de tudo, quando estávamos lá deitados no quase escuro, quietos, em silêncio, eu senti.
Senti uma coisa encher e transbordar.
Foi tão rápido que eu quase não senti.
Se eu não estivesse quieta, no quase escuro, confortável, em silêncio, eu não tinha sentido. E foi assim, sem mar, sem tarde alaranjada, sem farol.
Eu senti.
Eu não amo você, tenho ciúmes, pensamentos doentios. Às vezes, eu fico olhando pra você e pensando se devíamos mesmo estar juntos ou por quanto tempo vamos permanecer juntos.
Mesmo assim, eu senti.
Então, resolvi não pensar. Resolvi esquecer que eu fico tentando decifrar o que eu sinto. Esquecer que eu gosto. Esquecer que não gosto. Esquecer que me faz sorrir. Esquecer que me faz chorar. Esquecer que é perfeito. Esquecer que é imperfeito.
Esquecer e só deixar você. Você, o quase escuro, a cortina rosa pink, o lençol de borboletas, os três travesseiros, a fresta de céu estrelado.
Ádios
Esperei tanto por esse dia.
Sinto alívio e uma dose de raiva.
Raiva porque alguém vai perguntar: “(..) e fulana, você já comeu?”.
E “fulana” sou eu.
Alguém vai te perguntar, quase sem se mexer, ainda um pouco ofegante ao sentir algum vento frio correndo pelo corpo.
Já fiz isso.
Na verdade, nunca disse a palavra “comer” porque nessa época eu ainda não falava palavrão e “comer” pra mim é palavrão.
E você vai olhar para alguém de lado e vai dizer “sim” com a boca ou com os olhos.
Acho que com a boca mesmo. Pra alguém você não mente.
E ele diz que não mente para mim.
E eu nunca fiquei tão aliviada em deixar pra trás algo que achei que não conseguiria.
E eu não preciso mais ter vergonha dela. Nem de ninguém. Nem de alguém. Nem de nada.
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Carta
Ontem a noite voltei a desejar que você aparecesse na minha porta com o rosto escondido atrás de ramalhetes de margaridas. Me deu vontade de ler aquelas cartas outra vez. E rezar outra vez. E ver o dia nascer. E ouvir como nasce o sol carioca.
A música se repetia. E eu não senti vontade de chorar. Nem de sorrir. Só sentia. A menina cresceu. E você só percebeu isso porque não estava aqui. Não te contei sobre todas as minhas novas paixões, mas soube que você estava certo quando uma das antigas ficou para trás. Não compartilhei com você minhas paranóias, meu ciúme, minhas cólicas. Você nem sabe que eu quase não sinto mais cólica.
Mas ontem, percebi que nada mudou. E aquela história de “para sempre” é verdade. Caramba! Tudo aquilo é verdade. E os nossos cinco dias oficias continuam existindo (Natal, Reveillon, meu aniversario, seu aniversario e nosso aniversario). E disso eu tive certeza quando depois de meses e meses o identificador de chamadas acusou aquele número. O número que eu decorei desde que tinha 15 anos. E descobri que não tenho mais o seu número na minha agenda, mas eu sabia que era você.
E todo mundo pode achar isso uma verdadeira bobagem. Ou podem achar que sou promiscua, já que agora eu faço parte do grupo de pessoas que podem ser promiscuas. Mas, não é nada disso. É você. E nada de errado ou ruim acontece quando você também está no jogo. O que estou dizendo? Não existe jogo.
Ontem a noite, adormeci cheia de uma única e boa certeza. Eu continuo com 15 anos e, você continua aqui (mesmo longe).
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Novo ano. Velhos tempos.
Estou sozinha.
Sozinha como não ficava há muito tempo.
15 dias? Por aí.
Já é 2009 e, eu nada disse sobre isso.
Já é 2009 e eu nem tinha me dado conta disso.
Percebi agora, sozinha.
Fui ler os posts delas e me dei conta.
Elas não escrevem, elas conversam.
Eu não converso, eu escrevo.
Hoje, sozinha, resolvi conversar.
Falar que está chovendo e chuva me traz nostalgia.
Falar que estou com preguiça e muita vontade de trabalhar ao mesmo tempo.
Concordar que o espírito de Natal também não tocou meu coração esse ano, mas mesmo assim continuo acreditando em Papai Noel.
Queria falar e tomar chocolate quente.
E reclamar que engordei 1,3 kg durante as férias e não podia estar tomando aquele chocolate quente.
E suspirar dizendo que queria muito passar esse fim de semana viajando com ele.
E perguntar se concordam que eu sugira isso.
E ouvir elas dizendo: “Claro! Você tem que parar de agir assim, você já cresceu (...)” e blá bláblá.
Cresci.
2008 foi o ano que eu cresci.
2008 foi o ano que descobri que xingar é muito bom.
2008 foi o ano que constatei que a barriga que a cerveja deixa em mim não compensa o seu “efeito”.
Em 2008 aprendi que passar ferro pode ser muito doloroso se você não possui um domínio sobre ele e subir em vasos sanitários é realmente muito (!) perigoso - conselho do ano: jamais façam isso.
Foi em 2008 que plantei o fruto do qual vou viver por toda a minha vida.
Aprendi a fazer novos molhos, patês e uma receita diferente de brusqueta.
Esse (aquele?) foi o ano que quase perdi os cachos do meu cabelo.
Cobrar. Eu aprendi a cobrar.
E entendi que coisas realmente boas acontecem por trás de coisas ruins.
Em 2008 eu perdi e, ganhei muito com isso.
Foi em 2008 que tive ainda mais certeza que não vai acabar. Estúpida, cheguei a achar que acabaria. "Sorria e saiba o que eu sei (...)". Vamos continuar sorrindo e sabendo...
2008 foi o meu ano.
Foi em 2008 que descobri que eu consigo pelo menos três vezes o que muita mulher não consegue umazinha só.
Me tornei muito mais bonita em 2008. Mais bonita, mais chata, mais introspectiva, observadora, boca suja, fresca, magra, organizada, engraçada, dona de casa e até um pouco perfeccionista.
Gostei de escrever em 2008.
Gostei de 2008.
Feliz ano velho.
Bem vindo, ano novo!
