quarta-feira, 26 de maio de 2010

Diferentes do mundo

Eu acho que eu gosto de você porque nós somos diferentes do mundo. Nós ficamos ali como uma sobra de vida, de tudo que é bom e ruim, a parte que ninguém quis. Eu acho que eu gosto de você porque quando eu fico sozinha – sozinha de verdade – aparece aquele fantasma do espelho que me lembra de tudo que não sou. E isso me faz lembrar você. Você se vende ríspido e seguro e eu sensata e segura, mas tem uma coisa que só a gente sabe que existe. Ela é grande e nos deixa pequenos e quando eu te abraço, nossas coisas juntas fazem eu me sentir maior. É por isso que eu gosto de você. Algumas pessoas acham que você é louco, mas eu não sei o que elas pensam de mim, o que elas não sabem é que vivemos com o que sobrou do mundo. É fácil ser normal quando se é maioria. É fácil julgar quando se é maioria. É fácil ser maioria. Eu quero ser. Talvez você não. Mas, talvez eu só pense isso porque você não finge bem. Porque você não liga para o cabelo bagunçado e impede que te decifrem como uma mensagem em código Morse. Vai ver você nem quer fingir. Nós não somos iguais, somos só diferentes do mundo. E todas as vezes que eu vejo tudo que podia ser meu – e não é –, todas as cenas simples para todos eles e quase impossíveis para mim. Todas essas vezes, eu tenho vontade de abraçar o resto do mundo que lhe cabe e me sentir um pouco maior. Amparada. E agora que você me deixou e tirou a única coisa que me completava quando a maior parte do mundo mandava eu sair, estou aprendendo a vivermos apenas eu e o meu fantasminha do espelho, nem sempre camarada. Companheiro. E ai eu fico aqui lutando sozinha comigo mesma sem o seu olhar para me entender e mostrar que caminho seguir, sem uma única palavra. Sem dizer o que devo fazer com seus enigmas que fazem todo sentido. Eu gosto de você. E por mais complexo que pareça, isso é muito simples para mim.

terça-feira, 18 de maio de 2010

17:25h

Hoje eu desejei um milagre. Não um grande milagre como ser atropelada ao sair daqui pelo homem da minha vida e casar um ano depois (esse também não seria nada mal). Não. Eu queria apenas um pequeno milagre. Se o meu telefone tocasse e desenhasse aqueles números no visor, então eu saberia que devia seguir pelo caminho que tanto conheço. Se meu telefone tocasse e acendesse aquele número, então eu deveria deixar toda essa loucura que está minha vida e dá meia volta. Não é só porque eu preciso ser salva. É porque todas as vezes que o relógio marca 17:25h eu lembro de você. E sempre são 17:25h. É porque todos os céus estrelados lembram o do seu quintal. E ninguém combina mais com o meu sofá do que você. Mas, é principalmente porque eu beijei ele. E ele não era você. Foi assim que descobri que o seu beijo era o que mais combinava com o meu em todo o mundo. E era meu. Só meu. E quanto mais eu me envolvia eu pensava em voltar para você. Porque por mais difícil que fosse nós dois, nem se compara a tudo isso que está começando agora. Que não podia começar. E se antes eu tinha medo de não te esquecer, agora eu tenho medo de esquecer você.
Twitter (particular):

e se eu dissesse sim?


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terça-feira, 11 de maio de 2010

Metade

O mundo não pára de dá voltas intermináveis no seu próprio eixo e eu continuo aqui, vendo ele passar. Toda vez que acontece uma coisa triste como ontem me dá uma vontade enorme de chorar, mas nem é só por você. É muito mais pelo grito surdo que a vida dá. Te peguei de novo. Ela não me ama. Talvez você sim. Eu estava quase acreditando que podia chorar quando aquelas milhares de pedras de gelo caíram em cima de mim e fecharam o livro. Mas, o que está acontecendo aqui, por pior que seja, não é o melhor? Desci, bati a porta do carro e deixei um mundo lá dentro. Lindo, mas infeliz. Eu consigo viver pela metade, mas não consigo viver com a metade de você. Entro em casa com a sensação de que tinha acabado. Mas o quê? Chegou ao fim daquela “coisa” sem denominação. Sem futuro. O fim daquele “disso” que você odeia e deu um nome que eu não posso repetir. Te peguei de novo – ameaça. Eu não acredito em você. Nela sim. Por mais dor que ela me cause, sempre vai ser menor do que conviver com tudo que você pode tirar de mim. O meu vazio já é grande demais para eu permitir que cavem ainda mais fundo. Você quer muito do meu pouco. Eu preciso de pouco do seu muito, ainda que você já não tenha mais nada pra oferecer. Tem razão. Era preciso coragem.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Twitter (particular):

ainda falta alguém sentado do lado direito do sofá.


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quinta-feira, 6 de maio de 2010

Se eu pedisse você ficaria ao meu lado? Assim, quieto, sem fazer nada. Só para eu saber que você está aqui. Não precisa se mover. Só fica aqui enquanto eu fecho os olhos e sinto a gente se abraçar sem se tocar. Não precisa você dizer nada que já foi dito, nem tentar me convencer. Só fica aqui enquanto eu alimento e mato tudo que você desperta em mim. Fica aqui ainda que eu insisto em dizer não. Fica comigo. Tive medo ao sentir saudade duas horas depois de te ver, até entender que não era saudade. Eu sinto sua falta. É isso. Tive ainda mais medo. Fica comigo. Meu braço toca no seu e eu te beijo. Você sorri e eu te beijo. Diz que não precisa que eu acredite em você e eu te beijo. Eu nunca beijei você. Eu sinto a sua falta mesmo depois de passarmos o dia inteiro juntos. Meu mundo para pra você e continua a girar. De cabeça pra baixo, repito que não existe final feliz. Existe um final feliz e não é meu. Existe um final feliz, se eu não estiver lá. Fica comigo. Senta aqui e segura a minha mão. Eu vou encostar minha cabeça no seu ombro e você vai sentir minha respiração. Não existe nada de mal nisso. Não precisa se mover. Pode durar um pouquinho ou para sempre. O que é sempre? Na verdade, não pode durar para sempre. Na verdade, nem pode durar. Mas, é só um pouquinho. Eu preciso só de um pouquinho. Segura de novo a minha mão sem que ninguém veja. Faz passar a minha dor de cabeça. Repete que você precisa de mim. Eu vou dizer não. Seu dedo indicador corre pelo meu antebraço. Eu olho pra você. Eu preciso de um pouquinho disso. Mas, eu preciso todos os dias.