quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Quase chuva

Fim de tarde de mercado. Tarde de quase chuva. Mais quente que fria. Mas, sente só a brisa. Fim de tarde de sofá. De programação das 17:30h. E daqui de cima, nada parece existir lá embaixo. Lento mundo. Fim de tarde de andar lado a lado com a calçada. Passa na padaria, por favor. Tarde de rede. E tudo se rende. O riso sai, a lágrima prende. Quem vai abrir o portão? Eu já volto. Vento e barro. Biscoito de polvilho. Tarde! A imensidão do que se sente. O pouco que se entende. Entra aqui na rua das goiabas. Fim de tarde sem laranja. Melhor não sair de casa. Melhor seria a outra. Melhor rir com a proposta. Agora, pode subir. Ao som da chuva. Mas, ela leva ou trás? Me encharca de mim. Do medo ao sonho. Do inicio ao fim. O que fica pro fim? O que de mim? E da mesa redonda de mármore? O único lugar que as estrelas brilham mesmo na chuva. Um dia eu vou voltar a tempo de arrumar a árvore de Natal.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Twitter (particular):

mesmo em meio a todo aquele barulho, foi fácil ouvir sua voz. outra vez.
isso não combina com você!
tudo mudou.


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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Re-significar

Eu podia me trancar em casa e chorar até passar. Se essa for a minha vontade. É. E se eu for no cinema, fizer um happy hour, almoço em casa com as pessoas de sempre. É. Melhor esse. Ou não. Quem sabe ir até o fim do mundo. Difícil quando acaba de voltar de um lugar bem pertinho dele. Pior é descobrir que não funcionou. É que a dor de toda aquela gente, mais a minha, fez um estrago maior do que... sei lá o que. Mas, não é dor. Eu acho. É um estado de inércia, inconstância, imperfeição, covardia, zonzeira. Nunca pensei caber tanta coisa em um corpo só. Especialmente quando o corpo é o meu. É tarde para recomeçar e cedo para acabar. Estou exatamente ai, presa nesse meio tempo como o fragmento entre dois mundos que se abrem em Caverna dos Dragões. E se ele fechar comigo aqui? Mas, eu nem estou em lugar nenhum. Talvez seja só a falta de uma lista. O que eu tenho para fazer hoje? Isso, isso, isso e aquilo. E o que eu tenho para sentir hoje? Isso, isso e isso. Nada mudou. Talvez falte aquilo.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Twitter (particular):

espelho: somos só você e eu.



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sexta-feira, 23 de julho de 2010

Twitter (particular):

menor que uma barata.


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quinta-feira, 8 de julho de 2010

Revoada

Essa manhã eu vi um pardal. Ele não gosta de pardal, pensei. Tentei lembrar o motivo, não consegui. Só conseguia lembrar de você escorregando lentamente para o meu colo quando eu disse aquela coisa de que você poderia ser o homem da minha vida – se isso fosse possível. Não é. A forma como a gente briga e se entende e o jeito como acreditamos um no outro. Em tudo que podemos ser. Tudo que não somos. Eu só conseguia lembrar de como consigo caber no seu colo. Cada milímetro de mim. O único lugar que é possível esquecer tudo. O mundo. Ás vezes você me faz não gostar dele. E de tudo. Mas, tudo começou sem que eu planejasse – você diz. Como se isso neutralizasse os efeitos. Há duas semanas eu planejo o fim (outra vez). O que vou dizer, vestir, comer. As músicas que vamos ouvir antes e depois. Minha expressão. Mas, se tratando de mim, é obvio que vou perder o controle. Serei mais fria, talvez. Porque eu sempre sou mais fria quando não devia só pra mostrar que sou mais forte que tudo aquilo. Mais forte que a forma como acho graça do seu sono. E como não me incomodo com o seu ronco. Mais forte que o segundo a mais que você me abraça. E tudo que escrevi da última vez, a única coisa que só você vai ler. Tudo parecia estar sobre controle, até as últimas 72 horas quando eu comecei a me perguntar “e depois?”. Mil pardais começaram a voar dentro de mim. Me deu um medo de te perder tão grande, tão grande, tão grande.... e ai depois de nós fazermos os planos que eu tanto queria, comecei a ter a sensação de que você quer voltar atrás. Não só sobre isso, mas sobre tudo. Talvez eu não seja mais encantada. Melhor não pensar nisso. Só pensar que um dia depois, quando eu te olhar e você me olhar, e não for mais a mesma coisa, já é o suficiente. Para você é o nosso plano, para mim é o fim. Ainda que eu não saiba o que fazer com ele.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Twitter (particular):

sensações: o mundo está caindo. e só eu segurando. mas, ele nem é meu.



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segunda-feira, 14 de junho de 2010

Twitter (particular):

hoje é o único dia em todo ano que eu posso me arriscar a ouvir a sua voz.


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sábado, 12 de junho de 2010

Twitter (particular):

o sono não chega. a chuva não vem. o frio não passa.
e o que falta?


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quarta-feira, 26 de maio de 2010

Diferentes do mundo

Eu acho que eu gosto de você porque nós somos diferentes do mundo. Nós ficamos ali como uma sobra de vida, de tudo que é bom e ruim, a parte que ninguém quis. Eu acho que eu gosto de você porque quando eu fico sozinha – sozinha de verdade – aparece aquele fantasma do espelho que me lembra de tudo que não sou. E isso me faz lembrar você. Você se vende ríspido e seguro e eu sensata e segura, mas tem uma coisa que só a gente sabe que existe. Ela é grande e nos deixa pequenos e quando eu te abraço, nossas coisas juntas fazem eu me sentir maior. É por isso que eu gosto de você. Algumas pessoas acham que você é louco, mas eu não sei o que elas pensam de mim, o que elas não sabem é que vivemos com o que sobrou do mundo. É fácil ser normal quando se é maioria. É fácil julgar quando se é maioria. É fácil ser maioria. Eu quero ser. Talvez você não. Mas, talvez eu só pense isso porque você não finge bem. Porque você não liga para o cabelo bagunçado e impede que te decifrem como uma mensagem em código Morse. Vai ver você nem quer fingir. Nós não somos iguais, somos só diferentes do mundo. E todas as vezes que eu vejo tudo que podia ser meu – e não é –, todas as cenas simples para todos eles e quase impossíveis para mim. Todas essas vezes, eu tenho vontade de abraçar o resto do mundo que lhe cabe e me sentir um pouco maior. Amparada. E agora que você me deixou e tirou a única coisa que me completava quando a maior parte do mundo mandava eu sair, estou aprendendo a vivermos apenas eu e o meu fantasminha do espelho, nem sempre camarada. Companheiro. E ai eu fico aqui lutando sozinha comigo mesma sem o seu olhar para me entender e mostrar que caminho seguir, sem uma única palavra. Sem dizer o que devo fazer com seus enigmas que fazem todo sentido. Eu gosto de você. E por mais complexo que pareça, isso é muito simples para mim.

terça-feira, 18 de maio de 2010

17:25h

Hoje eu desejei um milagre. Não um grande milagre como ser atropelada ao sair daqui pelo homem da minha vida e casar um ano depois (esse também não seria nada mal). Não. Eu queria apenas um pequeno milagre. Se o meu telefone tocasse e desenhasse aqueles números no visor, então eu saberia que devia seguir pelo caminho que tanto conheço. Se meu telefone tocasse e acendesse aquele número, então eu deveria deixar toda essa loucura que está minha vida e dá meia volta. Não é só porque eu preciso ser salva. É porque todas as vezes que o relógio marca 17:25h eu lembro de você. E sempre são 17:25h. É porque todos os céus estrelados lembram o do seu quintal. E ninguém combina mais com o meu sofá do que você. Mas, é principalmente porque eu beijei ele. E ele não era você. Foi assim que descobri que o seu beijo era o que mais combinava com o meu em todo o mundo. E era meu. Só meu. E quanto mais eu me envolvia eu pensava em voltar para você. Porque por mais difícil que fosse nós dois, nem se compara a tudo isso que está começando agora. Que não podia começar. E se antes eu tinha medo de não te esquecer, agora eu tenho medo de esquecer você.
Twitter (particular):

e se eu dissesse sim?


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terça-feira, 11 de maio de 2010

Metade

O mundo não pára de dá voltas intermináveis no seu próprio eixo e eu continuo aqui, vendo ele passar. Toda vez que acontece uma coisa triste como ontem me dá uma vontade enorme de chorar, mas nem é só por você. É muito mais pelo grito surdo que a vida dá. Te peguei de novo. Ela não me ama. Talvez você sim. Eu estava quase acreditando que podia chorar quando aquelas milhares de pedras de gelo caíram em cima de mim e fecharam o livro. Mas, o que está acontecendo aqui, por pior que seja, não é o melhor? Desci, bati a porta do carro e deixei um mundo lá dentro. Lindo, mas infeliz. Eu consigo viver pela metade, mas não consigo viver com a metade de você. Entro em casa com a sensação de que tinha acabado. Mas o quê? Chegou ao fim daquela “coisa” sem denominação. Sem futuro. O fim daquele “disso” que você odeia e deu um nome que eu não posso repetir. Te peguei de novo – ameaça. Eu não acredito em você. Nela sim. Por mais dor que ela me cause, sempre vai ser menor do que conviver com tudo que você pode tirar de mim. O meu vazio já é grande demais para eu permitir que cavem ainda mais fundo. Você quer muito do meu pouco. Eu preciso de pouco do seu muito, ainda que você já não tenha mais nada pra oferecer. Tem razão. Era preciso coragem.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Twitter (particular):

ainda falta alguém sentado do lado direito do sofá.


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quinta-feira, 6 de maio de 2010

Se eu pedisse você ficaria ao meu lado? Assim, quieto, sem fazer nada. Só para eu saber que você está aqui. Não precisa se mover. Só fica aqui enquanto eu fecho os olhos e sinto a gente se abraçar sem se tocar. Não precisa você dizer nada que já foi dito, nem tentar me convencer. Só fica aqui enquanto eu alimento e mato tudo que você desperta em mim. Fica aqui ainda que eu insisto em dizer não. Fica comigo. Tive medo ao sentir saudade duas horas depois de te ver, até entender que não era saudade. Eu sinto sua falta. É isso. Tive ainda mais medo. Fica comigo. Meu braço toca no seu e eu te beijo. Você sorri e eu te beijo. Diz que não precisa que eu acredite em você e eu te beijo. Eu nunca beijei você. Eu sinto a sua falta mesmo depois de passarmos o dia inteiro juntos. Meu mundo para pra você e continua a girar. De cabeça pra baixo, repito que não existe final feliz. Existe um final feliz e não é meu. Existe um final feliz, se eu não estiver lá. Fica comigo. Senta aqui e segura a minha mão. Eu vou encostar minha cabeça no seu ombro e você vai sentir minha respiração. Não existe nada de mal nisso. Não precisa se mover. Pode durar um pouquinho ou para sempre. O que é sempre? Na verdade, não pode durar para sempre. Na verdade, nem pode durar. Mas, é só um pouquinho. Eu preciso só de um pouquinho. Segura de novo a minha mão sem que ninguém veja. Faz passar a minha dor de cabeça. Repete que você precisa de mim. Eu vou dizer não. Seu dedo indicador corre pelo meu antebraço. Eu olho pra você. Eu preciso de um pouquinho disso. Mas, eu preciso todos os dias.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Pura estudipez

Eu me fecho e me firo. Me abro e me firo. Me mexo e me firo. Eu me firo mesmo quando estou quieta só olhando você. Me firo por ter olhado você. Eu disse “bate do outro lado pra ver se consegue fazer doer mais que esse” e você bateu. Doeu ainda mais porque a mão não era a sua. E o mundo riu de mim. Riu porque eu cai de novo. Eu cai entre as páginas daquele romance mentiroso que facilmente poderia ter sido escrito por Eça de Queiroz. E me perdi no labirinto que eu mesma criei de irrealidade. Mentira. Verdade. Mentira. Verdade. Mais uma vez a minha inocência – que de tão cega chega a ser absurda – acreditou que alguém nesse mundo poderia compactuar com meus pensamentos cor de rosa, do meu mundo cor de rosa, sem malícia ou volúpia, em um jardim com mais flores que folhagem. Bati com a cara na parede, como das vezes que estou distraída e esqueço meu braço quando entro no corredor. Dói, mas dessa vez não tem como rir de mim mesma pela minha estupidez. Não que não seja uma estupidez, mas porque não tem nenhuma graça. Não tem graça tirar os monstros de dentro de mim e espalhar pela sala para me fazerem companhia durante os domingos a tarde. Levanta, lava o rosto que já é segunda-feira e você precisa fingir que nada aconteceu. Esse é o seu melhor papel.
Twitter (particular):

nem tudo é o conto de fadas que parece...


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terça-feira, 20 de abril de 2010

Twitter (particular):

ficar com você, é injusto com meus sonhos.



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segunda-feira, 12 de abril de 2010

Twitter (particular):

é melhor não ter por quem esperar, do que esperar por alguém que não sabe se vai chegar.


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sábado, 10 de abril de 2010

Twitter (particular):

Prudência: "não vai", eu diria. mas, é melhor silenciar.


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sexta-feira, 9 de abril de 2010

Twitter (particular):

Minha lista de "Coisas que nunca posso fazer" nunca foi tão frustrante.


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terça-feira, 23 de março de 2010

Twitter (particular):

eu queria escrever um texto de verdade sobre você, mas tenho medo.



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segunda-feira, 22 de março de 2010

Twitter (particular):

o que me deixa feliz nessa história triste é que não preciso mais esperar.



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sexta-feira, 19 de março de 2010

Twitter (particular):

eu queria fazer parte daquele mundo.



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quinta-feira, 18 de março de 2010

Twitter (particular):

Trocadilho: "eu escrevo mais quando sofro. e sofro menos quando escrevo".


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quarta-feira, 17 de março de 2010

Em frente

O número familiar na tela sucumbiu minha respiração. Atendi. Desci. Parei na escada por cinco segundos e rezei. Eu preciso de forças extras para enfrentar isso. Isso que acreditava já ter acabado. Só longe estou totalmente protegida, bem longe, exilada no meu país secreto de faz de conta. Mas, você ali na minha frente mais uma vez era real. Meu coração fervia mais que o sol. Minha expressão, congelada. Ainda bem que meu corpo não depende de mim para respirar. Será que ninguém entendeu que eu estava fugindo? Você me passou o envelope branco e lembrei da existência daquele remoto motivo. Um motivo mais importante do que eu, inclusive. Cadê o botão escrito: “Desmaterializar”?. Odiei o envelope, a minha roupa, o meu cabelo, as palavras mal escolhidas, mas não odiei você. Eu odiei você! Eu tô odiando isso. Cadê a merda do botão escrito: “Desmaterializar”?. Eu quero minha paz de volta servida em uma bandeja como prato principal. Eu quero você fora daqui. Fora de mim. Eu não preciso de uma última conversa ou um último beijo. Eu nem precisava te ver pela última vez (e que essa seja a última vez). Eu só preciso de paz. Eu só preciso esquecer... e eu estava quase lá. Não sei se me dói mais ficar sem você ou essa sensação de ter dado um passo pra trás no meu plano (quase) secreto de fazer com que você nunca tenha existido na minha vida. Subi com meu pulmão ligado no piloto automático (Eu estou ligada no piloto automático!). Entrei. Fechei a porta. Sentei. Eu não devia ter olhado pra trás.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Vista

Daqui dá pra ver a cruz da Igreja de concreto e cristal, as antenas, o prédio onde fica a ante-sala que aflora minhas angustias. Dessa vez eu tô ferrada, não dá pra confiar. Não dá pra confiar! Eu gosto quando as árvores balançam, quando sopra o vento. Eu gosto da tarde, mais do meio pro fim do que do começo pro meio. Eu não gosto do fim.
Twitter (particular):

Vazia: "Em silêncio eu pedia pra você ligar, mas rezava para não ouvir."



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quinta-feira, 11 de março de 2010

Quase só

Eu estou chegando lá. Lá onde só existe o meu familiar vazio. Onde a ansiedade só aparece ao ouvir o meu próprio nome. Onde o que me faz entupir de tanto chorar durante um filme é apenas a historinha interpretada por um par de atores qualquer. Lá onde não me falta ar. Eu estou chegando lá... de volta a minha paz bagunçada, meus dramalhões efêmeros e meu coração cheio de mim.

terça-feira, 9 de março de 2010

Cof cof

"Benalete", ele disse. "Passa na fármacia e compra Benalete".
Com a mesma facilidade com que você me esquece eu lembro daquela cena onde a sacola da fármacia pousava na mesa branca. "Você precisa melhorar". Agora as lembranças ruins são o meu remédio, as boas não. Essa é boa. Essa não.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Indiferente

Quando eu ouvi ela dizer: “ele está ali”, eu senti meu corpo arrepiar da cabeça aos pés. Meu coração acelerou, minhas mãos começaram a suar e eu fiquei extremamente esquisita. Tive vontade de sumir, mas tive mais vontade de chegar perto de você para saber o que faria então. Achei que só pudesse me sentir assim quando avistasse uma dessas minhas paixões, mas não. Você estava lá sentado e eu me senti menor que uma joaninha porque não tinha certeza sobre o que poderia acontecer nos próximos segundos. Antes, eu vibraria, puxaria uma cadeira e sentaria ao seu lado. “Dois chocolates quentes para as meninas, por favor”. Trocaríamos de mesa, mas dessa vez não trocamos mais do que quatro frases bobas. E minha vontade era te parabenizar por ter feito a barba e cortado o cabelo. Reclamar por ter desaparecido e combinar um almoço. Minha vontade era devanearmos sobre como esse mundo é ridículo e sem sentido... mas, agora para você eu faço parte desse mundo. E eu me culpo por não saber lidar com isso. Às vezes eu tenho vontade de xingar, porque eu não quero que seja assim. Eu quero tudo de novo. Nem você tem o direito de mexer na parte da minha vida que te pertence. Eu quero meus cafés no final da tarde, eu quero almoçar naquele restaurante, ainda que odeie a comida. Eu quero reclamar dessa overdose de twitter e ter alguém para me apoiar. Eu quero as longas tardes de sábado. Eu quero tudo de volta. E por mais que isso te pertença de alguma forma você não tem o direito de tirá-la de mim. E eu fico vendo as coisas acontecerem, uma atrás da outra, e fico puta da vida porque não sei como frear. E quando as pessoas vêm me dizer que você escreveu isso ou aquilo, só consigo responder “eu não ligo”. Eu não ligo porque eu tenho medo de perder você. Eu não ligo porque assim é mais fácil fazer de conta que nada está acontecendo. Eu não ligo porque tenho esperanças de você acordar um dia e fingir que esses últimos meses nem existiram. E eu também fingiria. Mas, receio que essa seja apenas mais uma das minhas ilusões, uma dessas formas que encontro de distorcer a realidade quando não quero encarar as coisas de frente. Eu sei que não é esse texto que vai te convencer. Aliás, ele nem é pra você. Isso é para mim. Para eu conseguir dissolver essa coisa aqui dentro. Acho que você é o primeiro homem por quem não sou apaixonada e está me fazendo sofrer. E desde que isso começou eu não paro de pensar como perdi minha convicção. Minha convicção de que você sempre seria sempre diferente para o mundo, mas nunca para mim. Indiferente ao mundo, mas nunca a mim.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Outro lugar

Eu posso sentir o vento mais leve do que pesado. Frio e morno. A pouca luz que passa entre as nuvens espessas que escondem o sol, transformando todas às 12 horas do dia em fim de tarde. Longos como dias de férias. Sem pressa, as folhas correm ao redor das árvores. Secas. e os personagens vão tomando seus lugares a medida que a cidade se constrói. Quando é cidade. Pode ser montanha. Ou a vista da janela da sala. Pode ser aquele lugar que não faz parte de lugar nenhum. Encontrado na memória ou na imaginação. Em todo lugar ele está. Menos aqui. Tomado por uma sinfonia de silêncio regida pelo grunhido dos pássaros ou a buzina dos carros. Não importa, contanto que estejam em harmonia com o cheiro de brisa e a fresta de luz que pinta tudo de laranja poente. Laranja poente. Adoro essa cor.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Romeu e Julieta de merda

Nossa história podia ser um clássico romance com elementos épicos que representasse a igualdade e o amor supremo vencendo preconceitos e unindo pessoas que possuem histórias de vidas diferentes e encantadoras. Poderia, se você quisesse. Mas, o preconceito não passa dos meus pensamentos lunáticos e fúteis que me fazem perder o sono antes de dormir. E a parte encantadora ficou há mais de um ano atrás quando duas pessoas começaram a se conhecer até descobrirem que, na verdade, é tudo igual. – Ou melhor, é bem diferente de tudo que se espera que pessoas que dizem que se gostam, mas que nunca foram encorajadas a disserem que se amam. Algo parecido com uma árvore com a poda errada, que cresce torta e pode cair a qualquer momento (estou sensível a uma reportagem sobre a saúde arbórea que vi em Ana Maria Braga essa semana – poderia até dizer que foi no Discovery, mas foi na Ana Maria mesmo). – E com o tempo se começa a pensar no que ainda é possível construir com esse resto de lenha, ou se comprar outro frasco de sabonete de leite não é jogar dinheiro fora. Não preciso parar para escrever sobre tudo isso – de novo – para ter a sensação de que estou perdendo um tempo precioso da minha vidinha. Estou mesmo. Não gosto quando os assuntos se repetem e esse... fala sério. Tenho pena de quem lê esse blog (se é que algum ser vivente ainda o faz). Mas, meus caros, a gente não pode fugir do que sente. E por mais que eu não tenha certeza exatamente do que sinto, sei onde quero estar. Não onde quero estar por toda minha vida, mas, onde quero estar até conseguir sair de fininho. Fininho de mim, claro. De fininho para nem eu mesma perceber. Eu crio uns jogos para mim mesma que às vezes funcionam. Outras eu me jogo mesmo é na cama, no sofá, no banheiro... e choro até quase a morte. Mas, às vezes eu me enrolo e dá certo. Eu me enrolo, você (literalmente) me enrola... até Julieta enrolou Romeu, e se ferrou depois. Só estou tentando não me ferrar também. Eu não vou mentir pra ninguém, preferia estar aqui falando que me apaixonei de novo pelo meu médico super fofo, pelo carinha da boate de sábado, pelo ser que me acordou 6:00h da manhã para pedir água pelo interfone... qualquer nova aventura amorosa estava valendo, mas não. Nãooo... minha vida está estacionada, meus sentimentos estão estacionados e, claro, meus problemas de relacionamento idem. Só uma última coisa, não se assustem se amanhã eu escrever outro texto dizendo o quanto estou apaixonada e como o mundo é colorido e maravilhoso porque é sempre assim depois da serenata. E a vida segue... (no meu caso, talvez não.).

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Sr(a). Estranho

Nesse dia arrastado, acredito que feito para acalentar minhas múltiplas demasiadas angustia infundadas, fui moderar os comentários do blog e lá estava, mais uma vez, as sábias palavras do querido (ou querida – segundo Mister J.) Anônimo. E eu tive a sensação que talvez, para alguém, eu seja apenas o que escrevo. Talvez, para alguém, eu seja essas centenas de palavras que se acumulam nesse espaço virtual quase inexistente. Até então, real apenas dentro de mim. Esse lugar que confunde as minhas mentiras e as mentiras sobre minhas mentiras. O que passa e o que fica. E fiquei a imaginar esse ser – conhecido ou não – juntando os pedaços de mim que se espalham nessa tela marrom. E não sei se foi curiosidade ou interesse, mas queria saber quem é essa pessoa. Não ele o anônimo, mas eu. Que leitura será que alguém é capaz de fazer sobre eu vestindo tudo isso aqui. Feliz, triste, inconstante, louca, chata, arrogante, pessimista, boba... sei lá. E, principalmente, se tudo isso junto, me restringe ou me completa. Talvez, tanta coisa não caiba no espelho.

Em 2010...

Hoje o dia está mais calmo que o normal. Calmo de dá medo. E aproveitei esses dois altos na merda da minha vida agitada para escrever o que vai e vem da minha cabeça nos últimos 11 dias. Na verdade, nos primeiros 11 dias desse ano novo que a gente tá vendo nascer. A minha lista. A lista que não fiz sobre o que quero para 2010. Pior que isso, a lista que eu acho que deveria ter feito porque todo mundo fez uma, mas vontade mesmo, não tenho nenhuma. Então, fico pensando porque diabas eu não parei e escrevi tudo que eu esperava de 2010. Talvez eu não acredite em 2010. Talvez eu tenha perdido a crença nessa coisa de que aumentamos um número no último digito do ano e tudo muda. Talvez eu estivesse esperando que ao primeiro minuto do dia 01 de janeiro de 2010 um cometa invisível e radiante movido por uma força mágica e rosa cintilante passasse pela Terra e transformasse tudo. Nada aconteceu. Talvez isso tenha me frustrando um pouco. Porque eu tava tão cansada de 2009, com o saco tão cheio daquele ano que tenho medo de descobrir que, na verdade, nada mudou. Não aconteceu nenhum milagre fora ou dentro de mim. Tudo começou como acabou e deve ser isso aí. É verdade, estou parecendo bem pessimista mesmo. Acho que o que mais detestei em 2009 foi que esse maldito ano me colocou cara a cara com a realidade. E agora é muito mais difícil mentir pra mim mesma. Fico naquela de mentir sabendo que estou mentindo, sabe?! Aquele fingimento consciente. Que bela pessoa me tornei, nem eu mesma acredito nas coisas que invento... odeio o mundo real e agora não consigo fugir dele.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Twitter (particular):

oito: "eu queria congelar a vida (delas) em nossos melhores momentos, mas não consigo controlar a água que corre, sem eu saber que caminho ela quer seguir".
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