quinta-feira, 30 de abril de 2009

Verdade ou desafio?

Tenho sérios problemas em controlar a minha ansiedade. Tem alguma coisa que fica pulsando aqui dentro em um ritmo diferente do meu coração. E não para. Vem aquela vontade enorme de gritar, xingar, colocar o dedo na sua cara e dizer absurdos. Perder a razão. Me jogar no chão, chorar, berrar e sapatear até perder a força. Murchar. Despejar tudo em algum lugar ou em alguém. Molhar e sujar você inteiro. Tirar essa coisa de dentro de mim.
Fazer qualquer coisa para que você entenda que eu preciso de paz. Preciso que me dê razão. Preciso me sentir segura. Eu preciso de alguma coisa que eu não sei o que é, de fato. Mas, eu preciso.
Já tentei gritar e falar baixo. Ser irônica e critica. Divertida e rude. Fingir, dizer a verdade, me omitir. Nada ajuda a elevar o meu placar. Estou lá na zona de rebaixamento, me afogando no mar que enfureci. Tentando me manter calma para encontrar uma saída ou, pelo menos, parar de afundar.
Mas, o batuque não para. Oscila entre forte e fraco, alto e baixo. E, de repente, volta aquela vontade avassaladora de gritar, chorar, espernear e colocar tudo pra fora, outra vez. Começo a me convencer de que eu não sei lidar com isso. Não sei lidar comigo, nem com você, nem com essa ansiedade. Não sei lidar com coisas simples que insistem em se tornarem complexas, chatas, desgastantes. Eu não me conformo e acho tudo tão injusto.
Me canso entre a teoria e a prática. Conversar ou agir. E você finge que não viu nada, que não está nem ai. Até finalmente perguntar se estou mais calma. E eu quero receber um sermão, eu juro que eu quero. Mas, você volta a ignorar o fato de que não estou agindo da forma como você gostaria e não me diz mais nada. Até eu fazer outra coisa pra chamar sua atenção, te deixar irritado e eu voltar a alimentar o medo de te perder.
Preciso domar o monstrinho que existe dentro de mim. Ou libertá-lo. E peço a Ele todas as noites para tomar as rédeas da minha vida, dessa situação. Tudo é mais fácil do que interpretar sozinha, o que está acontecendo aqui, afinal. Preciso encontrar o limite, onde devo parar, até onde posso ir. Eu preciso de você. E do meu mundo. Eu preciso do seu.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Meu esconderijo secreto

Existe um lugar onde ninguém consegue chegar. Lá é sempre fim de tarde. É alto e bonito. Vazio. E cheio dos meus pensamentos. Somos só eu e o nada. E ouço tantas coisas que não consigo raciocinar. Não dá pra entender se lá sou feliz ou triste. Mais triste do que feliz. Sou tudo e ao mesmo tempo. Sou o que sinto e o que cogito. O que acredito e o que refugio. Lá tudo se desfaz. E sinto mais forte. Mais forte do que aqui fora. Mais intenso do que aqui fora. Mais vivo do que aqui. De um jeito exausto, sem vida. Colorido e borrado. Existe um lugar ao ar livre que a porta está sempre trancada. Um lugar onde ninguém consegue chegar.

sábado, 25 de abril de 2009

Veronika decidiu morrer e eu escrever

Estou me sentindo um pouco estranho por dentro. Acho que não deveria ter lido “Veronika decide morrer”. Não que eu faria uma loucura daquelas, mas são muitas reflexões. Credo! Acho que existe uma parte de mim que não está assim... muito bem definida. Acho que em ninguém. Deve ser normal. Anormal deve ser completo.
Talvez não tenha sido o livro. Talvez não seja nada. Nem ninguém. Nem eu. Nem ele. E exatamente tudo isso. Bom, afirmar que não sou normal (aqui) já virou clichê e odeio clichê. Definitivamente odeio clichê. Resisti a vir me debruçar sobre esse teclado enquanto ainda estivesse me sentindo assim, estava cansada para explicar. Agora, cansei de desistir.
(Eu vivo cansada – preciso refletir sobre isso).
Logo, não acredito que vocês gostarão de ler esse texto. É confuso. E pela primeira vez não vou me preocupar com a poética, coerência, o jogo de palavras, se isso combina com aquilo. Nem perguntarei: é publicável? Não me preocuparei com nada, nem que pensem: “essa menina não sabe mais escrever”. (Se é que soube um dia).
Só havia lido um livro de Paulo Coelho, Brida, e tinha gostado de toda aquela teoria sobre as almas gêmias. Mas, Veronika me deixou cansada. Mesmo assim acho que gostei.
Ainda não entendi porque isso mexeu tanto comigo. Nem quero. Eu não quero nada, na verdade. Nem esse texto vazio. No início da semana cheguei a querer vomitar tudo. Tudo que é abstrato. Aquele novelo de lã que subia e descia na minha garganta. Entre a garganta, o coração e o estômago. Me senti um gato. E odeio gatos. Não demorou muito para começar a estranhar aquela parede laranja gritante e os móveis escuros. Eu só queria o quatro azul e amarelo. Tudo claro e poético.
Havia um tempo que o lugar mais alto que eu conseguia chegar era a cabana em frente ao Fórum. E dali eu via o mundo. O mundo que eu conseguia controlar e acompanhar e amar, por inteiro. O céu era diferente. Eram muitas as árvores e as casas. E eu sabia quem morava em boa parte delas.
Queria tudo de volta. Quero tudo de volta. É tudo meu. Isso aqui, não é. Isso aqui, não tenho certeza se é.
O tempo que eu não tinha medo. No mundo que eu não tinha medo – só do professor de física. E lembro de, naquela época, querer chegar – quase – exatamente onde estou. Agora, estou pensando em parar no meio do caminho só para reavaliar. Que dizer, não estou. No início da semana eu pensei: “e se estivesse?”. Mas, não estou. Não estou porque acho que o mais sensato é não estar.
Passou.

terça-feira, 7 de abril de 2009

O dia que a terra (quase) parou

Hoje é o Dia do Jornalista e nós podíamos não trabalhar. Porque o professor não trabalha no Dia do Professor e o aluno fica livre durante o Dia do Estudante. No máximo eles fazem recreações. E como meu compromisso é com a verdade, devo admitir que não estou afim de trabalhar hoje. Estou cansada demais para pensar e organizar o meu dia. Preguiça ou estafa mental. E desde ontem a única coisa que quero desse escritório – que não é uma redação – é a pipoca doce para comer enquanto assisto à “sessão da tarde”. O filme podia ser “O resgate de Jéssica” ou “Enchente – quem salvará nossos filhos?”. Não me importo em já saber o final (e o começo, o meio, os gritos das mães desesperadas, a filosofia do “não se fazem mais galhos como antigamente” e a canção de minar que a mãe de Jéssica canta pra ela dormir no fundo do poço).
Muita gente acha que ser jornalista é o fundo do poço. Às vezes, eu também acho, mas não é de coração. Ser jornalista é legal, apesar de ninguém (nem nós) lembrarmos do dia reservado para celebrar a nossa profissão. Sem contar com essa história de ter que trabalhar ao invés de simplesmente esquecer que somos jornalistas por 24 horas.
Quando alguém pergunta “você trabalha com quê?” e respondo “sou jornalista”, aí sim é verdadeiramente gratificante porque as pessoas geralmente se expressam de duas formas: 1) Ah.; 2) você aparece na Tv?.
Muito digno. Ou eu sou “ah, um faz nada” ou “ohhh, ela aparece na Tv”. Coisa é quando uma vem seguida da outra. “Ah. (pausa para esperança). Mas, então você aparece na Tv.”. Só rindo.
Ultimamente ando trocando as letras. M por n, o por q, y por z, a por todas as 20 e muitas letras do alfabeto (após a mudança ortográfica). Deve ser de tanto digitar e o dia inteiro e sobre coisas completamente diferentes. Mas, eu sou apenas “ah”, uma jornalista.
Legal. Sou jornalista.
E já que hoje é o nosso dia, podíamos não trabalhar. O mundo não ia , assim, parar. As pessoas só não iam perceber ele girar, mas era só por 24 horas.
Ah, uma bobagem.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

A filosofia e todo o resto

Definimos a música título para segunda fase. Mas, essa parte aí não, amor. Ri. Tudo bem. A música todo menos essa parte. A música toda menos aquela parte da separação. A música toda, menos a parte triste. A história toda, menos o que me leva a ficar sem você. Eu ri. Por dentro. Com os olhos. Tira essa parte que vai dá tudo certo. Tira esse pedacinho para não existirem ameaças. E o acordo é selado com um beijo rápido e sorridente. Apagamos aquilo ali e pronto. Está resolvido. Agora, você não solta a minha mão e aperta bem forte. E suave. E eu sei que você fica sem graça porque é tudo novo e diferente. Tantas personalidades e pessoas para absorver. Eu também tenho medo. Também acho meio estranho dividir meus personagens e meus pedacinhos e minha atenção. Sei lá. Já disse que não sou normal. Mas, vou aprender a ser. Estou aprendendo a ser. Aprendendo com as palavras que você engole e minha consciente não-interpretação prévia. Aprendendo com o que poderiam ser desculpas e que deve ser verdade. O limite entre criatividade e realidade. A diferença entre o que eu penso e o que é, de fato. Aprendendo com você e com ela e com o mundo. E com ela mais do que com o mundo. E comigo. Mas, a gente pode tirar essa parte que vai ficar tudo bem. Tirar essa parte que não combina com que a gente espera da música. Ninguém precisa viver os pedacinhos chatos da vida. E daí nasceu uma filosofia. Fora todo o resto.