segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Presente

Podia passar o resto do dia cantando: “Me surpreende...”. Mas, essa música não é sua. Ainda bem. Mesmo assim você me surpreendeu. E eu adorei. E alguma coisa mudou aqui dentro. E não vou falar que eu não quero que seja assim intenso e diferente. (Apesar de ter medo que seja mais intenso que diferente). E eu não vou te esquecer. Não precisa pedir ou se preocupar. E eu sei que estou falando um monte de coisa sem nexo, mas deixa pra lá. Só preciso escrever. Estou com um pouco de culpa porque eu não te dei um presente de Natal. E você me deu um presente em uma sacola grande, colorida e arrumada. E fiquei feliz e constrangida. E só de pensar que eu não comprei o seu presente para não te deixar constrangido. E quem foi que me disse que eu sei alguma coisa da vida? Não me ensinaram a demonstrar esse tipo de carinho. Na verdade, me ensinaram. Mas, meu orgulho não permite! Estou feliz e constrangida. Odeio sentir peso na consciência. Amo o Natal. Vou sentir a sua falta, mas quem sabe só até o reveillon. Será? Uuiiii.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Arght! Sem título

Você faz falta.
Estou tendo que me virar sozinha e, isso tem sido quase um problema.
Tudo bem, eu sei que consigo, afinal não sou tapada. Era, não sou mais. Mas, que é muito mais chato sem você, isso é.
Quando voltei do médico na terça você não estava aqui para me acalmar e dizer: não seja boba, isso é normal - como boa consultora que é.
E também eu não tinha com que debater o diálogo que eu usaria para contar pra ele e não ficar constrangida. Sendo assim, não pensei na melhor forma, ou na mais engraçada, ou na simples, porém preocupada o suficiente por ser uma boa menina.
E ontem, depois de ficar entediada com aquela porra ardendo pra caralho você também não estava aqui pra passar na doceria e pegar duas fatias de torta para comermos vendo Tv lá em casa, já que eu não podia sair.
Tenho várias contas para pagar na bolsa e você não está aqui para me ajudar com os códigos de barra e ainda me fazer rir (muito!) com isso. Acho que vou atrasar tudo até você chegar.
Acabei de ler seu blog e o meu blog e você não está aqui para debatermos. Tenho duas versões para o seu último post, mas eu sei que uma com certeza é a verdadeira e a outra é bem remota. E depois que isso se confirmar você vai dizer que não quer mais falar sobre o assunto. E vai me perguntar quinze minutos depois o que eu acho. E eu vou dizer outra vez que você precisa tomar uma atitude, ou não. – É foda ficarmos restritos as convenções!
Ai você me daria um olhar triste e fuzilador. Triste porque é foda mesmo e, fuzilador porque eu disse “É foda!”.
E o pior de tudo isso é que não tem uma janelinha na minha tela piscando com seu nome.
Arght! Assim, não posso enviar, ouvir os comentários, definir o titulo e publicar. E é por isso que esse texto está sem titulo.
Não podemos avançar nos itens da lista.
Ohh sábado que não chega.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Lina

Há algum tempo achava que Lina era meu maior problema. Lina era uma ameaça. Lina não se tocava. Uma guria pervertida. Assanhada. Sonsa. Mas, Lina era gorda e tinha o cabelo cacheado (tipo palha). Feia a tal da Lina. E como tirava meu sono. E ela ligava e, ele atendia. E Lina quase conseguiu estragar nossa viagem de “lua-de-mel”. Que raiva eu sentia de Lina. Criei uma estória para Lina. Fantasiei. Ela quase roubava ele de mim. Eu quase entreguava ele a Lina. Ahhh, Lina!!!! Final de semana eu sabia que Lina vinha. Quando não sabia eu deduzia e, acreditava. Ele só pode estar com Lina. Talvez estivesse. Talvez esteja. Talvez ela tenha ligado ontem e eu não tenha visto. Talvez tenha sido ela e não João. Mesmo assim, depois de ontem só consigo pensar: Pobre Lina! Adiantou o que Lina? Quem é Lina? Depois de ontem comecei até gostar de Lina. Depois de ontem fiquei até feliz do meu único problema ser: Lina e, só.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

A espera

Estou aqui pensando que preciso ir embora. Passar no banco, farmácia, padaria. Arrumar a casa. Trocar os lençóis. Pegar toalhas limpas. Preparar algo bobo para o jantar, que não será jantar – você nunca come aqui (ops, lá). Tomar banho. Escolher aquela roupinha casual de quem está esperando alguém e quer fingir que não se preparou pra isso. Ver Tv. Esperar o telefone tocar: - Tô aqui embaixo.

Match Point

Puta que pariu.
Só isso que eu queria escrever:
PUTA QUE PARIU!
Sabe quantos anos eu fico aqui a mercê de você? Quantos anos eu faço papel de idiota?
Idiota, é isso mesmo. Eu sou idiota. Podia até pregar na minha testa uma placa escrito: Eis aqui uma idiota. E se quando eu morrer isso ainda for latente na minha vida pode escrever no meu lindo e eterno jazigo que ficará a sombra de um ipê: - Jaz aqui uma idiota.
Às vezes eu me sinto uma bosta de mulher. Uma bosta por ser ela e não eu. Uma bostinha de mulher. É isso, sou uma bostinha de mulher. Sei que é exagero mais estou me sentindo como aquela mulher que namora anos com o cara, anos... e um belo dia eles acabam e ele casa com outra em duas semanas. Exagero. Dessa forma, parece que estamos falando de oficiais e, não estamos. Na verdade, me sinto aquela mulher que é amante do cara anos e anos. Ele separa da esposa e... fica com ela definitivamente? Não!!! Fica com outra que nem fazia parte da história. E eu de camarote.
Sou uma idiota. Bostinha de mulher.
E a outra (que pode ser a futura atual, ou já é) é legal. Como ela é legal! Que porra, ela é legal! Você não podia escolher uma daquelas filhas da puta que eu odeio? Não podia ficar com uma das suas amigas jubiracas? Pelo menos eu podia sentir ainda mais raiva delas. E ódio delas. E vontade de voar no pescoço delas. Mas, nem isso eu posso. Eu amo ela, porra!!! Não posso ficar louca de raiva e usar minha lista preferida de xingamentos. Eu queria. Juro que queria fazer um barraco. Não por você, há uns dois textos atrás já disse que não existe mais aquela coisa entre a gente. Mas, pelo jogo. O jogo era legal. E agora eu perdi o jogo. Match point.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Gaveta

Contexto:
> B. Ferreira --- para refletir: "(...) Você escreve tão bem mas sofrer é chaaaato" (TB). diz:
comecei a arrumar minha gaveta pra parar de chorar
> B. Ferreira --- para refletir: "(...) Você escreve tão bem mas sofrer é chaaaato" (TB). diz:
sempre faço isso, então ontem descobri que fazia umas duas semanas que eu não chorava pq ela estava uma bagunça
> B. Ferreira --- para refletir: "(...) Você escreve tão bem mas sofrer é chaaaato" (TB). diz:
ai achei esse texto

Sem rodeios. Você me tem mais uma vez nas suas mãos. E quanto mais me entrego a outro alguém, mais pertenço a você. Talvez não inteira, mas aquela pequena parte de mim que não quer te esquecer e, exatamente por ser pequena se une, grita, contagia e sai em passeata persuadindo todas as outras células que me formam e convence.
Às vezes, seus esforços não funcionam e ela enfraquece. Entra em coma, adormece; mas ela sempre sobrevive. É obstinada, a danada!
E quando te sente ali, perto de mim, perto de nós, fica toda assanhada, se enche de razão e sai espalhando por aí que esse sim é o melhor cheiro, que não existe outro abraço.
Bobinha e apaixonada.
Essa tal parte de mim é composta do que existe melhor no mercado em Abstrato Emotivo. Não possui nem 1% de razão. Pequenos pontos com cinco mil tons de rosa e vermelho. E foi se encantar logo com quem...
Confesso que já tentei algumas vezes, mas não consigo matá-la. Para ser sincera, agora nem quero que isso aconteça. Gosto dela. E exatamente por ser tola me faz sorrir, chorar, sentir raiva. E é ai que entendo que estou viva.
Tem espírito de criança, qualquer dia cansa e troca de brinquedo.

Aquarela

Chove.
Gotas que molham as pernas, o colo, a maçã.
Lava os pés e, nada da alma.
Gotas salgadas.
Dói, mas a chuva não alivia.
Esqueça o amor.
Pingos que molham as mãos. Gotas por toda parte.
E o lenço de papel encharcado.
Chove. E ninguém me ouve daqui e se ouvir, dane-se. Só quero trovejar e me inundar no silêncio. Eu quero tudo. Eu não quero nada.
Gotas salgadas borram a história rabiscada em aquarela. E tudo se apaga.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Hábito

O dia amanheceu preguiçoso. Sem tempo para pensamentos fúteis. Com planos desfeitos. Planos fúteis.
Sentei aqui antes do esperado e me deu vontade de escrever sobre você. De novo.
Há muito não faço isso.
E, dessa vez, quero falar sobre imunidade. Quero falar sobre borboletas que não voam. Sobre sorrisos que esqueceram segredos. Olhares sem graça. Hoje, quero falar sobre o que não aconteceu.
Ontem, adormeci pensando se havia acabado.
Todas aquelas vontades (quase) incontroláveis. A conversa sem palavras. Os abraços doídos que não podiam passar de... abraços. Aquela sensação que todos eram bobos e, nós os espertos que conseguíamos viver o que ninguém vivia, mesmo sem viver, de fato.
Acabou?
Sempre me vangloriei por fingir bem. Digna de uma boa seguidora de Fernando Pessoa, em sua Autopsicografia. “O poeta é um fingidor (...)”. Mas, dessa vez, talvez só dessa vez eu não esteja fingindo.
Estou imune a você e, desconfio que também esteja imune a mim.
Segundo o quinto verbete do Michaelis que está sempre ativo na área de trabalho do meu NB imunidade que dizer: estado de um organismo que resiste a infecções ou infestações por possuir anticorpos específicos contra o agente agressor.
Criamos anticorpos.
Se não fosse pelo hábito, talvez eu nem estivesse aqui.
Mas, estou.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Trilogia

Pensamento 01
Ainda não podia escrever sobre você, mas eu sou teimosa até comigo mesma. Isso é um defeito.
Tem medo de altura.
Balança o tronco e aperta os lábios quando está nervoso.
Possui vários sorrisos. E eu odeio aquele de canto de boca. Ou aquele outro de deboche.

Pensamento 02
Meu peão não usa bota ou espora. O couro não está no chicote e, sim no chinelo de padre. Meu peão que não é meu. Tênis e meias brancas. Cinto sem fivela de vaquejada. Blusa sem botão. Cabeça sem chapéu. Príncipe sem cavalo. Devoto de Nossa Senhora. Troca a ordem das mãos ao fazer o sinal da cruz. Come pouco no almoço e muito no jantar. Bebe whisky e cerveja ao mesmo tempo. Cowboy.

Pensamento 03
Nos últimos dias tenho olhado mais que o normal para o porta-retrato com a foto dos meus pais no criado-mudo ao lado da minha cama.
Coisa mais antiquada o tal criado-mudo. Acredito que o meu seja o único que fale, em todo o mundo. De qualquer forma, eu não moro mesmo nesse mundo.
O fato é que a foto está lá, me lembrando a todo tempo que o amor existe.
Ei, ele existe, mas não é para o seu bico.
Tudo bem, eu nem me arriscaria a viver algo tão complicado, intenso e sublime como o amor. Como posso amar se não sei identificar sequer se estou apaixonada.
Minhas mãos deveriam tremer ou algo assim? As vezes eu perco a fome, isso é um indicio? Aos 23 anos a paixão fica um pouco mais complicado do que aos 13. Porque às vezes não é só paixão, vários outros aspectos passam a serem analisados e, nem todos são avaliados necessariamente pelo seu lindo e puro coração.
Coração, suor, cérebro, consciente, inconsciente, ego. É muita gente tentando mandar em uma só. Como posso saber se estou apaixonada?
Eu preciso estar apaixonada para continuar com ele?
Ele está apaixonado?

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Alforria

Não vou me surpreender se você parar de me ligar. Não irei ficar chocada se o bip de mensagem do meu celular parar de cantar todas as manhãs.
Chateada, sim. Chocada, não.
Eu sabia que podia acontecer. O problema é que só entendi isso quando fechei a minha bendita boca. Eu realmente podia ter dito tudo aquilo de outro jeito.
Um jeito mais doce, talvez.
Mais brando. Menos agressivo.
Talvez tenha sido o modo interpelativo que te fez olhar para mim com aquele olhar que eu não gosto e, falar comigo com aquele timbre de voz que detesto. Mas, eu não sei o que acontece comigo. Quando estou com você eu simplesmente não sei como agir, não sei defender o que penso – sobre nós dois.
Falo, mas sempre da maneira errada.
Agora estou com medo de não ter com quem falar no fim do dia.
Caso você pare de me ligar ficarei com raiva. Te xingarei algumas vezes e, não se engane, vou agredir verbalmente a sua mãe em vingança ao fato de não tê-la conhecido – pedirei perdão por isso (à Deus, não à você).
Talvez eu chore um pouco (agora sim, por você, pelos outros e por Deus, que sempre me faz passar por isso).
Se você parar de ligar, saberei o motivo.
Minha dúvida é como você vai parar.
Talvez devagar. Me procura assim, uma vez a cada três ou quatro dias, depois cinco, depois dez. Depois, a gente finge que fui eu que te dei um pé na bunda porque você já não me servia mais.
Talvez rápido. Deixa de me atender. Deixa de me ver. Deixa de me ligar.
Desaparece e, só.
Ainda que não tenha a minha permissão.

sábado, 8 de novembro de 2008

Paranóia (?)

De todas as dúvidas que você causa em mim, esta é a que mais irradia.
Quase fere.
Seja pela minha insegurança, ou pela verdade.
Talvez meia.
Talvez mentira.
Talvez inteira.
E fico ainda mais confusa quando você toca o meu rosto devagar.
É mentira.
E não sei o que pensar quando você parece saná-la.
Amigos?
É verdade.
Não é verdade.
Não tire ela de mim.
Minha perturbadora e companheira, dúvida.
Se os relacionamentos fossem paternais, ela seria hereditária. Eles nascem, morrem e lá está ela como herança para o próximo. É bem verdade que dessa vez a bolsa de valores subiu e ela foi supervalorizada.
Chega quase a doer.
Doeria se fosse certeza.
Enquanto for dúvida, não sei se sofro, não sei se me alegro.
Talvez paranóia.
Talvez sexto sentido.
E a história se repete.
Comigo é sempre assim.
Talvez seja a miopia.
Tomara que seja.
Existe uma diferença entre a realidade e o que eu percebo dela.
Existe?
Tomara que exista.
Não tem jeito; eu devo questionar a minha normalidade.
As pessoas normais enxergam as coisas boas, algumas delas chegam a catar coisas legais, para continuar apostando nelas. E vivendo-as com tranqüilidade.
Eu caço as ruins. O que for ruim manda pra cá porque, afinal de contas, eu preciso subsidiar a minha dúvida. Preciso engordá-la e acarinhá-la como um animalzinho de estimação abstrato.
Mas, é preciso.
Caso morra a minha querida Dúvida, o que farei eu com a Certeza?

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Eu acho que você não vai me deixar

De repente, você estava ali do meu lado com os dedos entrelaçados nos meus cabelos e o rosto inclinado em minha direção.
De repente, você começou a me olhar fixamente até me fazer sorrir.
Agora, me acho aqui no seu quarto, sentada na sua cama, sem sapatos, assistindo o mesmo dvd, enquanto espero você voltar do banho.
As paredes, o guarda-roupas com cheiro de perfumaria, a Tv no alto, o aparelho de som, a roupa suja empilhada aos pés da cama, o cinto ainda na calça. Nossos sapatos no chão. O frigobar, meus brincos, nossas pulseiras, chaves, carteira, o pente e a pistola.
A porta entreaberta.
Sua cor, o cabelo (bem) baixinho, a barba de um dia, os pés calçados nas meias brancas, as unhas bem cortadas. Tudo se encaixa com meus cabelos (meio) longos, minhas unhas vermelhas, meus pés calçados nos seus chinelos.
Sua coragem. Meu medo.
Sua graça. Minha vontade de sorrir.
E o cheiro fresco de sabonete de leite invade o quarto.
É você.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Eu sei que você vai me deixar

Quando eu disse que estava com medo, quis te alertar que aquela podia ser a nossa última noite juntos. O último abraço, o último toque do pé frio. Mas a frase ficou pela metade. Por que eu ainda continuo acreditando naquela história de que, palavra tem poder? Por via das dúvidas, preferi ficar quieta, te ouvindo perguntar do que eu tinha medo, sem responder nada.
Talvez, se eu tivesse revelado o meu monstrinho indomável, você fingiria que continuaria comigo e eu estaria com você mais algumas últimas vezes. Mas, já que fiquei calada, eu sei que você vai me deixar. Assim, sem cerimônia, você vai sair da minha vida e eu vou ficar sem o cheiro do seu sabonete líquido.
Eu queria dizer várias coisas para tentar te convencer de continuar aqui, só que todas as vezes que penso em fazer isso, lembro-me que nossa intimidade ainda não atingiu esse nível.
Ainda estou pisando em ovos.
E agora não sei o que fazer para que você fique.
Você chegou, pinchou minha casinha branca, destelhou meu terraço, fez a luz entrar... e, agora vai embora, levando a sombra e a minha tranqüilidade.
Agora que sei que você vai me deixar, começo até sentir falta de te ouvir enroscar as palavras quando a situação foge do controle. Sinto falta da sua preguiça de calçar o tênis e desligar o ar condicionado.
Não queria perder você...

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

07 de agosto. 27 minutos...

Ok. 27 minutos em frente a esse computador e não sei o que escrever. Quando isso aconteceu antes? Minha memória não é lá essas coisas, confesso, mas não me recordo de nada parecido.
Agora já se passaram 29 minutos e ainda não consegui formatar em palavras o que estou sentindo.
Preciso trabalhar, caramba!
Mas enquanto eu não desfizer esse calo de sentimento e botar o excesso pra fora não vou conseguir fazer mais nada.
Talvez seja esse o problema, não existe excesso. As sensações foram tão bem acomodadas em mim que não preciso expulsar nenhuma delas. Não estou com raiva ou nervosa. Nada de ansiedade. Tudo que existe dentro de mim tornou-se sereno.
Mas como?
Eu nunca fui sentimentalmente equilibrada.
Tudo bem, eu sei que é você.
De repente, não tenho mais motivos pra chorar ou sofrer porque meu telefone toca todos os dias (religiosamente). Alguém sente a minha falta e me acorda durante a noite. Eu tenho quem me faça massagem quando estou cansada e se interessa em ouvir o meu dia.
Eu tenho alguém!
Alguém que não é perfeito.
Um relacionamento como todos os outros: diferente dos outros.
Tenho uma história com uma trama que não foi escrita por mim.
Tenho mensagens apaixonadas no celular e com quem ver as primeiras nuvens rosadas do dia.
Tenho alguém que me pede para ficar, alguém que não me deixa fingir.
Tenho você.
Tendo você, não tenho medo que acabe.
Não me preocupa o futuro. Não preciso mais de planos.
Sou presente.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Bolinha de Paixão


Ainda criança ganhei uma boneca chamada Bolinha de Sabão. Era loira, um pouco rechonchuda e usava um vestido rodado cor-de-rosa. Bolinha de Sabão dava pequenos (e poucos) passos; parava e conduzia ligeiramente seu braço gordo da caneca até a altura da boca e soprava no circulo mágico. O ar ganhava forma e o sopro se transformava em uma jaula furta-cor que fazia do ar, seu prisioneiro.
Mas com seu pulmãozinho de boneca, Bolinha de Sabão ficava limitada a produzir jaulas pequenas, de forma que eu jamais caberia em uma delas. Era desejável a sensação de entrar em uma bola de sabão, uma bolha leve que passeava pelo ar. Talvez fosse como estar em uma nave espacial transparente feita do mesmo tecido saltitante e macio dos pula-pulas.
Tinha um verdadeiro fascínio por Bolinha de Sabão, até descobrir que eu podia fazer algo bem melhor! Bastava ir à lavanderia, misturar água com sabão em pó, catar um bambu no jardim e soprar contra a água para tornar a solução borbulhante. Depois de todo preparo da minha formula mágica mexia-a com o bambu, levava a varinha verde até a boca e soprava lentamente...
O ar ia ganhando forma na cavidade contraria e crescia, crescia, crescia... quando estava completa voava de acordo com a velocidade do vento.
Eu fazia dezenas delas, uma após a outra – e bem rápido para que ficasse rodeada de naves espaciais transparentes. Mas, nunca consegui soprar o suficiente para que eu pudesse entrar em uma das minhas jaulas pula-pulas...
De fato, o ar que saia do meu pulmão – corria pelo bambu e era aprisionado na frágil camada invisivelmente colorida – não aproveitava muito aquele momento de intensa diversão. Imaginava que dentro da tal câmara era tão legal que só podíamos experimentar um pouquinho daquilo. Sendo assim, segundos depois de voar livremente pelo meu céu, a bolha pousava e explodia; por vezes ela se desfazia no próprio ar.
Como você, a esfera furta-cor me fazia esquecer que acabaria. A magia, o sorriso bobo em ver a bolhinha inflar na ponta do bambu, a gargalhada pura como resposta a uma brincadeira de criança, o cuidado ao soprar para que não a perdermos antes do tempo.
Como a nossa paixão, a casca de sopro dançou ao vento; grande, colorida, esvoaçante. Porém, frágil. E assim que se cansou, não fez cerimônia. Egoísta, se decompôs no ar. Enquanto eu, imergida na pureza das suas cores cintilantes, torcia para que não acontecesse de novo.
Aconteceu.
Mesmo com um pulmão de gente grande, não consigo soprar o suficiente para que eu possa entrar na bolinha de sabão.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Seu último texto


Você é real. Acho que pela primeira vez está acontecendo uma coisa de verdade por aqui.
Nada de encontros secretos ou relacionamentos paralelos. O que estamos vivendo não é platônico, não é chiclete. Talvez frágil, mas só pelo medo (tipo: frio na espinha) que sentimos quando realmente nos envolvemos com alguém de verdade.
Agora, é como se todos os outros-antes-de-você tivessem uma etiqueta semelhante aquelas que colocam nas roupas e só percebemos quando pagamos muito caro e não queremos (nem de longe) que algo a estrague.

VOCÊ ACABOU DE ADQUIRIR UM PRODUTO DE QUALIDADE (?), TOME OS DEVIDOS CUIDADOS PARA OBTER MAIOR DURABILIDADE DA PEÇA, seguido de um “prático” MODO DE LAVAR.

Sendo assim, eu sabia exatamente o que podia esperar deles, uns sumiriam, outros não me assumiriam e existia ainda aqueles que jamais seriam meus, de fato (até porque já eram de outras).
Depois de perceber que você era desprovido da tal etiqueta comecei a pensar então que estava vivendo uma coisa real. Ainda não tenho certeza, mas como nunca me aconteceu nada parecido, acredito que deva ser.
E é por isso que estou aqui escrevendo o último texto sobre você. Não que você seja menos importante que os outros.
Não, não é nada disso.
Só que não posso sair por ai fantasiando, criando falas, pré-fazendo suas atitudes e o que é pior, vendo tudo virar realidade, como acontecia com eles. Não posso te manipular, ligar apenas quando estou frágil ou te cogitar como meu acompanhante para uma festa chata onde seria estranho eu aparecer desacompanhada. Não posso te encaixar aqui ou ali. Muitos menos te usar como fonte de inspiração.
Parei por aqui.
Antes que você se transforme em um deles e perca a anatomia e a (linda) barriguinha de cerveja, eu jogo a toalha.
Sem frases feitas, sem palavras dramáticas, sem descrições infindáveis e raios x das situações que vivemos (ou não). Esqueça as palavras bem escritas, as sensações debulhadas, os devaneios, o papel e a caneta (é mais poético que a tela e o teclado) como válvula de escape. Não existe mais nada aqui que seja seu (além de mim).
Para a minha paixão real, um mundo real; com palavras reais e atitudes reais.
Para meu príncipe sem conto de fadas declarações ditas, não escritas.
Viveremos de início e meio.
Para nós, uma história sem final feliz.


terça-feira, 1 de julho de 2008

Madame B, a charlatona

Essa tal Madame B. é uma vigarista; nada entende de amor, paixão ou futuro. Coitada de quem cair na lábia dela.
Coitada de mim!
Certo dia me garantiu (G-A-R-A-N-T-I-U) que eu pudesse ficar tranqüila que não iria me apaixonar por você. Ela afirmou com todas as letras que não ia dá certo.
Disse que a gente não combinava e que os astros jamais permitiriam tal união.
Mentiu, a charlatona.
Agora estou aqui, mergulhada em uma paixão que não esperava. Desfazendo planos, esperando o telefone tocar, sorrindo ao invés de chorar.
Não tive tempo de me preparar, de ensaiar os discursos que me defenderiam de você.
Não passo de uma boba apaixonada. E o que é pior, não estou sofrendo!
Estou P-E-R-D-I-D-A!
Você deveria me fazer padecer, me fazer sentir raiva (pelo menos uma vez ao dia), você deveria desaparecer.
Quem você pensa que é para fugir das regras?
A palavra saudade jamais deveria ter sido mencionada. É proibida. E o que foi que te deu na cabeça para afirmar que estava apaixonado por mim? Meu querido, eu cabulei as aulas de paixão bumerangue, aquelas que batem e voltam na mesma ou em maior proporção. O que eu aprendi bem foi jogar Tainha, a gente lança a pedra no rio e depois dela chicotear sobre a água uma, duas ou vinte vezes, ela afunda.
Mas ao invés disso aquela coisa que eu arremessei voltou para minhas mãos. Tentei fingir, juro que tentei como em todas outras vezes, mas não deu certo.
Ai meu Deus, eu admiti!
Para você eu falo. Só para você eu confesso que tenho medo de acreditar que é verdade. Conto meus segredos baixinho para eu não perceber que eles agora também te pertencem.
Para você eu falo. Para você admito. Para você, e só pra você.
Como fui admitir que também estou apaixonada por você? A gente não combina, lembra?! Foi assim que a charlatona interpretou o que as cartas disseram. As cartas, os búzios, o tal biscoito da sorte. Todos sem o mínimo valor cientifico-sentimental.
Não quero mais saber desses elementos supersticiosos.
A partir de agora só acredito na madeira.
Ficar sem você?
“Bate na madeira!”.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

"a distância que existe entre nós; a linha que não nos liga, mas envolve. Perto, e longe por estar tão próximo. Próximo, não longe de estar perto."

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Madame B.

Por que nenhum ser, por mais desprezível que seja, consegue passar pela minha vida só passando... sem dor de cabeça, sem análises profundas ou constatações de possíveis erros e defeitos?
Por que todos me fazem entrar em crise?
Estou em crise.
Não sei nem o seu sobrenome, e você já tirou uma peça do meu quebra-cabeça (que, diga-se de passagem, já estava complicado para montar mesmo completo).
Já joguei carta, comparei personalidades, abri biscoitos da sorte, consultei a influência entre nossos signos e constatei que nós dois não vamos dar certo.
Não somos compatíveis, é fato.
Só não sei que parte do “nós não vamos dar certo” que os dez minutos de cada hora do meu dia que dedico a você, não entendeu.
E você continua ali brigando entre os tantos outros não-donos de mim por concorridos espaços no meu pensamento antes de dormir.
Sinto em informá-lo, mas esse lugar não te pertence, honey.
Não conheço a sua personalidade, não sei qual é o seu signo, estou gorda para comer o tal biscoito (altamente calórico) da sorte, e mesmo sem saber jogar cartas de uma coisa tenho certeza: não vamos dar certo.
Só não sei que parte disso o pedacinho de mim que fecunda as falsas paixões não entendeu.
Só não sei porque continuo aqui torcendo para você mudar isso.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Ventre

Palavras que nos fazem tremer.
Frases inesperadas.
Pontos de exclamação.

O quanto a sua vida é capaz de mudar?

Batidinhas de um coração frágil.
Existe vida aqui.
Existe vida aí.
Vida que gera felicidade.
Vida que gera alegria.
Vida de amor.

Quando nossas vidas começaram a mudar?

Ser. Sentir. Aceitar.
Se apaixonar pelo que está por vir.
Todas apaixonadas por um só (ou será uma?)
O amor se revela.
Um amor maior, bem maior do que todos que já sentimos.
Amor sublime.
Amor sem dor.

Esqueça a dor.

Seu amor.
Nosso amor.
Sua vida.
Nossa vida.
Suas dúvidas, nossas certezas.

Certeza de que dará certo.
Certeza que tudo vai acabar bem.
Certeza que estaremos sempre ao seu lado.
E, claro, certeza de que também ditaremos as regras: "Correr dentro de casa nem pensar!"
Fazemos parte disso.

Somos várias.
Somos uma.
E bendito seja o fruto.

P.S.: de todo esse blog, esse texto é o que realmente importa. (EU TE AMO!)

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Arght

Muito bem! Se você está entre as pessoas que rezaram para que eu voltasse a escrever algum textinho bobo outra vez está de parabéns. Acabo de entender que a corrente deu certo, já que estou aqui, mais uma vez, tentando decifrar em palavras o que estou sentindo, na tentativa de arrancar isso de mim. Pois, é... arrancar, tirar, sumir, desaparecer, virar pó. Estou com raiva, estou confusa, estou puta da vida... estou mais uma vez apaixonada (estou?).
Agora prestem atenção, não sei como pessoas tão boas (como vocês parecem ser) conseguem fazer figa para outra (melhor ainda) sofrer, porque é desumano com o próprio corpo sentir tanta coisa e ao mesmo tempo.
Não estou cabendo em mim... estou triste, estou desamparada, estou morrendo de desejo, estou sorrindo. EU QUERO CHORAR!
Acho mesmo que nenhuma de vocês deveria dormir essa noite antes de conseguirem responder a seguinte pergunta: “Meu Deus! Como eu torci para essa pobre menina sofrer isso tudo de novo?”. E vocês conseguiram... ah, conseguiram.
Estou de volta meninas.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Letra

Passa essa música
Muda de faixa
Ouvir meus próprios pensamentos ganhando melodia e som de violão é mais do que posso suportar

Troca esse cd
Troca eu
Troca você
E esse pôr-do-sol refletido no retrovisor que ao invés de roubar-me a atenção se tornará mais uma lembrança que me liga a você.

Não quero mais ouvir as suas músicas
Não quero ouvir você cantar
Não precisava querer mais de você
Mais você
Mais um pedacinho que eu deseje

Passa essa música

Quero mais de mim
Menos de você
Tudo de nós

Passa essa musica

Cansei de me privar
Deixa a música tocar
Toca eu
Toca você assim sem querer
E tudo estremece

Menos coração
Mais suor
Posso pulsar por você, mas não te pertenço

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Uma flecha, por favor

Por que será que a falta de paixão nos deixa assim tão apáticos, arranca de nós a inspiração, a vontade de externar o que sentimos, de pegar aquela bola consistente e imaginária de energia que é o sentimento e torna-la o mais concreta e real possível?
Devo confessar: travei!
Coração vazio... as paixões antigas esfriaram, as novas se arrastam tão devagar que nem despertam a necessidade de extravasar.
É meninas (e meninos?), até a próxima flechada (e que seja rápido porque não estou habituada a ser uma não-apaixonada).

terça-feira, 1 de abril de 2008

O fim da história

Você não me faz bem.

Queria gritar:
- VOCÊ NÃO ME FAZ BEM!

Mais alto:
- V-O-C-Ê – NÃO – ME – F-A-Z – B-E-M.

Para sempre queria você longe de mim. Para sempre, para sempre.
Para sempre nunca mais sentir o seu cheiro.
Para sempre não desejar que você sinta a minha falta.
Para sempre sem sentir raiva quando você não está ao meu lado.
Para sempre viver para mim, e para outra pessoa que não seja você.
Para sempre você não fazer parte da lista das pessoas que me fazem sentir.
Para sempre apática a você, suas mãos e sua barba que eu odeio.
(Odiar é sentir.)
Para sempre não precisar escrever para você ou sobre você.
Você não me faz bem.

Queria ter coragem de gritar:
- VOCÊ NÃO ME FAZ BEM!

Ou te dizer baixinho:
- Você não me faz bem!

Queria ter coragem para pedir:
- Me ajuda! Desaparece...

Mas é claro que jamais vou dizer isso; parte pelo meu orgulho não permitir já que com isso estaria afirmando minha paixão avassaladora, parte por ter medo que você desapareça e eu não saiba o que fazer sem a sua sombra.
Três letras me assustam.
Três letras me quebrantam.
Três letras me rendem.
F-I-M.
Impeço.
Liberto.
"E eles viveram o fim, para sempre".

segunda-feira, 10 de março de 2008

Estações.


É inverno dentro de mim.
Nada mais floresce quando meus olhos se deparam com você; o conjunto de tudo que me inspira.
Nenhum vento de primavera sopra devagar, fazendo gélida minha pele ao escapar um só pensamento seu.
Me sinto nua como árvores de outono; ainda que livre do peso das folhas, vazia por estar habituada a sua presença.
O sol sufocante de verão já não aquece mais o meu peito quando ouço o seu nome.
E te abraçar não é mais como mergulhar em uma piscina durante uma tarde de janeiro.
Em que esquina perdemos o frescor?
Sinto falta da sensação das flores abrindo-se aqui, bem dentro de mim.
Será que elas cresceram tanto que sufocaram umas as outras e morreram?
É uma possibilidade. Faltava quem colhesse.
Talvez quem regasse.
Difícil dizer isso, porém melhor que tenham morrido as suas.
Difícil: estava habituada com todas elas crescendo, murchando, crescendo, murchando.
Melhor: elas resistiram tempo demais; assim sem cuidado já eram para terem deixado de existir há séculos.
E meu coração seria apenas um cemitério colorido.
Um campo de flores sem vida para depois, então, nascer às verdadeiras flores do campo.
E Deus ajude que, das suas, não existam sementes.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Fragmento

(...) é aquela conversa por olhares, é a vontade de que passem uma borracha em tudo (e todos) que não seja nós dois. É não conseguir ser indiferente a sua presença. É olhar para você e desconfiar que quer a mesma coisa, é sentir o seu abraço e ter certeza. É, inclusive, não ter certeza.

Chuva de verão

Às vezes esqueço que você não me pertence.
Às vezes eu sinto a sua falta.
Às vezes tento entender porque não estamos juntos.
Às vezes não entendo o não permanecer.
Às vezes tenho a certeza que você sempre estará ao meu alcance.
Às vezes não têm paixão.
Outras vezes existe querer.
Às vezes brincamos de nos pertencer.
Atuamos na constante tentativa de viver.
Às vezes deixamos de vestir os personagens.
Às vezes encontramos nosso figurino pendurado em um cabide escondido no fundo do armário.
Às vezes dá saudade.
Às vezes não.
Às vezes mando um sinal para ver se você está a fim de se recompor.
Às vezes você liga e pede para eu me vestir.
Voltamos a atuar.
Às vezes atuamos por um ou dois meses.
Às vezes interpretamos por 19 minutos.
Às vezes nos magoamos.
Às vezes fingimos estar apaixonados.
Às vezes pensamos estar apaixonados.
Às vezes fazemos o papel de amigos.
Outras de namorados.
Às vezes nada somos.
Eu.
Você.
Às vezes, nós.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Antes que eu me esqueça:
* O que nos pertuba e causa dor, sofrimento, não é a dúvida. É a certeza.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Coisas de amigas.

Cansei de falar desses * (não posso xingar, sou uma boa menina) que aparecem ai pela minha vida e pela de tantas outras. Muitos tentam entender as mulheres; porque gostamos de fofoca, porque não vamos ao banheiro sozinhas, porque não nos importamos em dormir juntas e tomar banho juntas... coisas de mulher?
Não!
Coisas de amigas?
Também, mas se ficar só nisso são apenas conhecidas, colegas.
Sou tão feliz com minhas amigas que as vezes penso que já não cabe outra, ou outras. 24 horas comigo, ou não. Aqui, em Salvador, Barreiras ou Brasília; não importa.
É o tocar de telefone no meio da madrugada, ouvir nada mais que prantos do outro lado e mesmo assim entender direitinho o que está acontecendo.
É o abraço saltitante no reencontro.
É passar o final de semana inteiro como enfermeira ao lado de alguém e sentir que aquele é o melhor lugar onde pode-se estar, mais do que isso, é sentir-se especialmente feliz por estar ali.
É inclusive odiar a palavra enfermeira.
É o pedacinho que forma cada uma e se molda como uma bela colcha de retalhos.
A mais perfeita colcha de retalhos.
É saber para quem ligar quando sei que mereço uma bronca, ou quando só quero que me ouçam, ou ainda, vibre com o meu pecado inocente.
São várias.
É uma.
São únicas, as minhas amigas.
Amigas ligam de volta dois segundos depois de desligar o telefone só porque sentiu a sua voz um pouquinho triste.
Amigas voltam na sua casa só pra te dar um abraço quando tem certeza.
Amigas não desligam o celular e te atendem a qualquer hora da madrugada.
Elas fazem você sorrir da besteira que cometeu. E é bom deixar sempre claro: amigas não são lésbicas.
As amigas existem exatamente para te ajudar a xingar aquele cara que aprontou com você ou repetir dez mil vezes o quanto a outra que ela arrumou é desprovida de beleza.
E o cabelo dela?
Palha pura.
Amiga, vamos dar a ela uma hidratação de presente?
Pobrezinha.
A amiga se sente filha da sua mãe e briga com você quando grita com sua irmã mais nova. Ela é a única que lembra que você não pode comer abacaxi. Amigas têm centenas de apelidos e conversam por telepatia. E, se às vezes, assim como por um estalo, você também ouve dentro de você uma voz aconchegante, ainda que estridente: “Que bom que ela existe!”.
Já era. Tens uma amiga.
E eu ouço o tempo inteiro.

Entrelinhas.

Dias pós você são sempre assim, diferentes dos outros. Quantas vezes já não disse isso? E por mais quantas vezes vou continuar repetindo? Você esteve aqui ontem, e sinceramente, dessa vez não sei descrever o que aconteceu entre nós. Não sei discorrer em nada sobre a liberdade em nos permitir. Não quero falar o quanto de errado existe em mim e como eu não importo com isso. Ou finjo que não me importo. Não sei ao certo o quanto de você existe em mim e a diferença que faz o pouco de mim que existe em você. Não consigo mensurar o quanto me consome ou se é tudo que me toca. Não sei se você percebeu as vezes que estive assustada ou as que estive segura. Não entendo porque não tive vergonha. Não sei ao certo porque consigo descrever das coisas mais simples as mais complexas, mas algumas outras bem especiais não me inspiro a compartilhar.

Bobo

Se eu tivesse uma varinha de condão...
faria aparecer um lugar só meu e seu; um lugar onde não exista passado, nem futuro.
Um esconderijo ao ar livre.
Se eu tivesse uma varinha de condão...
faria possível meu querer, assumiria essa paixão e te tornaria meu, e só.
Se eu tivesse uma varinha de condão...

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Rima.

Sinto seu toque, mas é só o vento.
Fecho meus olhos e vejo você entrar.
Procuro o restinho do seu cheiro no meu travesseiro e no vestido vermelho que escolhi esperando você chegar.
Não precisa de muita imaginação; já produzi todas as cenas. Não existe palavra que deixei sem rimar.
Me traduzo nos versos e sonho com seus gestos depois de deitar.
Me mantenho acordada pensando nas palavras que a sua respiração queria sufocar.
Faço poesia da sintonia dos nossos corpos ao se tocar.
Me vê de longe, mas sabe o que em mim esconde ao me observar.
Te sinto perto e sei ao certo o quanto seu coração pode pulsar.
Me perco no ritmo, me prendo ao ilícito e não tenho medo de pecar.
Assumo meu erro, embora não admita que essa é a melhor maneira de acertar.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Vidro.


Todas as vezes que ouço o portão bater desse jeito e eu fico aqui sentada, sozinha, penso o quanto de vidro existe em mim. De vidro eu não queria ser; pessoas de vidro sofrem com medo das curvas, com medo de cair e espalhar pedacinhos minúsculos por toda parte. Pedacinhos minúsculos de mim. Vidro não dá para colar. Até que ponto posso resistir a isso sem trincar? Não quero uma rachadura enorme em mim. Rachadura de vidro fere. Você disse que sou de vidro, mas não sei se acredito em você ou na minha vontade de não ser. Mas se de vidro eu for que seja menos cristal e mais acrílico. Acrílico é vidro? Acrílico não quebra fácil. Talvez se eu fosse mais de acrílico pudesse viver isso que estou com medo, caso seja de vidro. Mas se a queda for muito forte... adeus. Quanto de acrílico existe em mim? Quanto de acrílico preciso para não quebrar caso descubra que sou mesmo de vidro? Como eu protejo o vidro? Se de vidro me fizeram tenho o direito de exigir uma proteção de aço. O aço é forte. Aço não quebra nunca. Sendo aço serei sempre superficial e inviolável. Quanto de aço existe em mim? Se eu for de aço tenho certeza que posso viver o que quero; mas nada vou sentir.

Mera semelhança.

Somos iguais. De tudo que nos difere, das perspectivas ao modo de sorrir, nossos corações são iguais. Do abismo que nos depara nos caminhos que escolhemos para seguir, nossos medos são os mesmos. A quem diga que nosso receio nos impede de viver, mas que talvez por ele, você tivesse deixado de viver uma das melhores coisas da sua vida, fui eu que afirmei. Te culpar? Não, eu não te culpo porque sei que não faria diferente se fosse eu aí no seu lugar. E com o medo grande e o sofrimento pequeno acabamos mesmo indo um para cada lado, e talvez, muito talvez, o mais difícil disso seja permanecermos do mesmo lado. Do mesmo lado, na mesma mesa, no mesmo bar, na mesma piscina.
Tudo bem vai... estou dramatizando, não é tão difícil assim. E se não é para mim, também não é para você, afinal, somos iguais, e quando for a gente finge.
Você finge que não sentiu raiva e eu finjo que não doeu, mesmo que um pouquinho assim, ter te dado aquele abraço. Eu finjo que não percebi a forma como tocava o meu braço durante aquela conversa. Finjo que não estou com o coração apertado. Finjo que é por você. Eu finjo.
Somos iguais; nessa estúpida não entrega ao amor, somos iguais. Nesse medo devastador de pular, somos iguais. Em sufocar as paixões, que nem se transformam em paixões porque antes tiramos-lhe o ar, somos iguais. Somos iguais no não viver. Somos racionais. Somos melhores, por isso não sofremos um pelo outro (ou pelos outros), sofremos por nós e ninguém mais. Por isso, além de iguais, somos egoístas. Talvez por sermos iguais é que eu consiga te olhar por tanto tempo enquanto você me olha. Iguais e sozinhos.