quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A verdade sobre mim

Tudo que existe aqui dentro agora cabe em uma pequena caderneta Campo Marzio – minha melhor aquisição em Roma. Suas páginas 8x12cm cabem perfeitamente meus registros mais secretos que complexos. Talvez por isso, não precise mais desse espaço virtual. Encontrei uma coisa mais minha do que um lugar qualquer no cyber espaço, que fizeram questão de anunciar de porta em porta – mas, não porque achavam que tenho o dom de combinar bem as palavras. Dane-se.
A verdade é que não estou mais nem ai pra muita gente. Que não me preocupo mais em agradar aqui e ali. A verdade é que tanto queria viver mais por mim do que pelos outros e pela paz mundial, que consegui.
E tanto queria deixar de ser apontada como a boneca de porcelana incapaz de se mexer dentro da caixa sem quebrar, que consegui. Claro que em mim ainda existe algo de frágil – afinal, ainda sou de carne e osso – mas, o extremismo ficou para trás. E agora sou apenas uma pessoa normal, dentro do meu limite de ser normal.
A verdade é que hoje abrigo mais garra do que conformismo. E já não vivo para balançar a cabeça de cima para baixo. Nem para as pessoas, nem para o mundo. Às vezes, nem para mim. E aflorei sentidos, manias, reflexos e limites que nem sabia que existiam aqui dentro. Viviam abafados pelo meu medo de ser eu. E só.
Não me tornei uma pessoa pior. Nem desisti do meu mundo cor de rosa. Só percebi que ele podia ser um pouco mais laranja. Que mal faz? Não acho que deva me justificar. Assim como não vou sair de casa amanhã com uma caveira pendurada no pescoço – Jaz aqui uma ex-sonhadora-bondosa-e-frágil garotinha. Vai ver eu só cresci. E crescer é o que mais quero agora.
A verdade é que eu mudei. E agora, combino muito mais com uma pequena caderneta azul com capa de couro. Até!

P.S.: isso não se trata – necessariamente – de uma despedida.

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