Não faz sentido algum. Eu acabei de entender que não faz sentido algum. Eu sei que não enxergo nada através da sua pele. Desde o seu passado até se prefere pizza de frango com milho ou de frango e de milho. Nada sobre a disposição do seu dia. Nada sobre você ser medroso ou cretino. Mesmo assim, eu ainda quero continuar tentado pular o grande muro. Já chutei, empurrei, apedrejei. Mas, você sempre permaneceu intacto. Superior. Inatingível. E tudo se transformou em um problema meu. Era eu brigando com a minha ansiedade, com os meus medos, com as minhas limitações para tentar encaixar aquela parede sem fim bem ali na minha vida. Até que um dia eu cansei de berrar pra nada, gritar pra ninguém. Eu desgastada, você intocável. Então eu corri. Arght! Eu sou tão idiota. E você é uma muralha. Muralhas não têm fim. E mesmo que eu não olhasse pra trás, era sua a sombra no chão que eu pisava. Era estranho. Nostálgico. Injusto. E de tanto refletir sobre o quanto era injusto, eu achei que podia tentar voltar. E em frente àquela imensidão de coisas empilhadas sem nenhuma definição do que realmente forma tudo aquilo, senti vontade outra vez de descobrir o que havia ali do outro lado. E preferi cutucar ao invés de chutar. Rabiscar ao invés de apedrejar. Escalar ao invés de empurrar. E mesmo tendo certeza de que eu não quero ficar lá dentro, eu insisto em atravessar. Eu preciso. De alguma forma, eu preciso. E quanto mais perto da parede, mais próximo estou do outro lado. Mais perto de você.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
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