quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Coletânea

Numa manhã teimosa, ela ressolveu ler Tati, eu ouvi. E entre todos aquelas palavras, aquelas sempre familiares, que há tempos eu não me preocupava em interpretar ou me encontrar, descobrimos (mais) semelhanças crueis e felizes. Muita coisa podia ter saido de mim, se morta fosse, realmente acreditaria na teoria da psicografia.
Muita coisa podia ter saido de mim, das partes de Tati que são minhas. Das minhas partes que ela descreve:
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"Apesar da gente nunca ter namorado ou casado ou feito planos, hoje completamos oito anos juntos. (...) Nunca contamos o tempo ou demos nomes aos nossos sentimentos de compromisso. (...) Foi e foi e foi. Aquilo que dizem sobre o que é pra ser. Simplesmente fomos e continuamos sendo. (...) Mas é isso, sou feliz com você. Sem esforço e mesmo sendo, muitas vezes, bem infeliz. Sou feliz. (...) Não fomos fáceis a nada e nem a ninguém, mas cá estamos. Sem a comemoração deslumbrada e terrivelmente curta do amor e por isso mesmo podendo celebrar o pouco cabível de cada instante. (...) Vai começar a chover e eu posso chorar. Hoje completamos oito anos juntos e eu só queria um presente. Voltar no tempo, me encontrar e chacoalhar meu corpo. Aquela época em que eu já estava quase cínica mas ainda acreditava em um relacionamento com todas as forças do mundo. Porque quanto mais cinismo e cansaço, mais força fazemos e mais forte parece. Eu queria me chacoalhar e dizer que ele existe, sim, o tal do amor, mas você, querida, não sabe ainda nada disso. (...) Amar um homem não é o telefone que não toca, é o telefone que toca (...). Foi e foi e foi e cá estamos.". Tati Bernardi.

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