Cantei ainda na cama.
Janela aberta, dia nublado.
Adoro dias nublados.
Adoro dias.
Adoro.
Coloquei os pães de queijo no forno cantando, fui buscar a toalha cantando, tomei banho cantando, escovei os dentes cantando. Cantando peguei o vestido no (outro) armário.
Cantando e pensando que eu não tenho do que reclamar. Pensando que já foram tantas coisas legais.
E cara! não lembrei de nada triste.
Descobri que eu deleto fácil o que é chato. Coisas verdadeiramente chatas e dolorosas não existem na minha vida. As sensações não ficam, sabe... Sou uma pessoa otimista.
Eu sou.
E segui, cantando e pensando os dias nublados que me trouxeram até aqui.
Nublados e felizes.
Muitos querem a sol. Para brilhar, talvez.
Muitos querem a sol. Para brilhar, talvez.
Eu quero as nuvens.
As muitas nuvens brancas no céu azul em dia de praia. As nuvens escuras e espessas que guardam as gotas de chuva. Nuvens finas que compõem a lua grande e redonda.
Nunca gostei de andar no sol. Oh coisinha que cansa...
e, se eu quero viver muito, prefiro viver descansada.
Sou baiana, só quero sombra e água fresca.
A sombra das nuvens.
Quero os elefantes, os pássaros, os peixes, a coroa, poodles, unicórnios, jacarés e Falkor, o cachorro voador da História Sem Fim.
Todos feitos de nuvem.
Algodão doce.
As nuvens fofas e densas dos ursinhos carinhosos.
Adoro dias nublados.
Adoro meu dia.
Adoro dias nublados.
Adoro meu dia.
E hoje, o que existe é a essência.
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