Doeu. Não doeu fisicamente, mas aquela dor aqui dentro.
Dor e alívio.
Dor de alívio.
Mas, só doeu depois que tudo passou.
Depois que me percebi ainda perfeita.
Foi só um susto.
Mas, tudo deixa marcas.
Por menor que seja, deixa marcas.
Meu talhinho de 5cm deixou marcas.
E agora é assim.
Todas as vezes que alguma coisa acontece – por mais boba que seja – me lembro da minha marca.
Gotas vermelhas lembram a minha marca.
Não sou eu quem lembro.
É o eu.
O eu faz tudo tremer e ficar girando e girando...
O eu pede pra descansar e deixa minha boca amarelinha.
Foi uma bobagem para mim.
O que é 5 cm em 1,65m?
Mas, o eu é pequeno e grande.
E a parte frágil do eu é do tamanho de um grão de feijão.
5cm é muito para um grão de feijão.
E depois que tudo girou, sentei, melhorei. Cheguei em casa. Chorei.
Eu chorei.
Chorei porque tudo é tão pequeno e frágil e estranho.
O mundo é tão estranho.
Naquele dia, depois que saí do hospital, e me ligaram para falar aquela barbaridade sobre o meu pai, eu chorei.
Chorei de medo.
Tive medo desse mundo.
E tudo pode ficar realmente estranho.
E agora, com esse papo. História triste.
Tudo é tão estranho.
E tudo deixa marcas.
Tenho uma pequena marca.
Suportável.
Que me faz chorar de alívio.
O ser humano é tão frágil.
Ser humano é tão frágil.
Frágil ser.
Humano.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
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