sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Pasárgada

Eu sou o sofá, a tv, e a brisa leve que faz dançar a cortina de renda que finge guardar uma privacidade que não existe. Eu sou o grito que vem do portão e todas aquelas pessoas que passeiam em frente a televisão. Furados, transparentes. E entro naquele vagão com cheiro de mofo aromatizado feliz em estar indo ao melhor lugar que eu poderia chegar. E quando vejo a grama verde, o muro verde (e vivo), o verde das folhas enormes das plantas enormes do jardim... eu sou aquele lugar. Cada célula, cada tossi, cada lágrima e todos os pensamentos complexos ou vazios. É ele. Sou eu. O ócio que me carrega sublime ao sofá enquanto esfregam o chão da varanda com água e sabão. Sou eu. É simples. É vivo. Eu só preciso me encher outra vez.

Nenhum comentário: