quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Aquela salada de frutas

Ele quase não vinha e, quando vinha ficava meses. Vinha quase sempre no fusca. Branco. Como ele. Cabelo grisalho. E comia arroz com vinagre. O almoço, o lanche, tudo mudava quando ele estava na mesa. Pouco sal e não sei mais o quê. Quando ele abria a geladeira e via que ela não estava dizia manso: - Faz aquela salada de frutas. E eu adorava. Coincidência – ou não – na sexta fizemos a salada de frutas. Ele adorava. Quando mais novo, era mais sério, fechado. Mas, depois que descobri seu romance, caiu na graça. Casa, casa, casa. Se ele cassasse ficava pra sempre. E eu gostava (muito!) dela. Ele não podia e eu não entendia por quê. Agora entendo. Andava devagar. Sempre calmo, sempre lento, limpando o fusca novinho. Companheiro de anos. Anotava a quilometragem. Era chato, não nego, mas me acostumei. Depois de um tempo só ria quando ele apertava a língua. Quanto mais velho, mais legal. Nunca pensei que um dia ele fosse tema, mas quem pode imaginar qualquer coisa nessa vida...

Um comentário:

Unknown disse...

Amiga, amei seu blog, vc escreve muiiito lindo, quase da para tocar.
beijos