Quando vi aquela cena do filme que assisti no domingo (sozinha) me deu uma vontade enorme de correr para um farol abandonado e ficar sentada na campina vendo o mar no fim de uma tarde qualquer. Ela só precisava ser alaranjada. Outono, talvez.
Me deu uma vontade tão grande de sentir aquela plenitude.
Me deu uma vontade tão grande de ser um jarro de cristal transparente com curvas leves e refinadas.
Me deu uma vontade tão grande de pegar aquele mar, o sol, o alaranjado do fim da tarde de outono, o farol e transformar tudo em líquido.
Me deu vontade de encher o jarro com aquele líquido até transbordar.
Cheia.
Plena.
E depois que você chegou, recebemos visitas, comemos, rimos, relembramos a briga da noite anterior, cansamos, tomamos banho. Depois de tudo, quando estávamos lá deitados no quase escuro, quietos, em silêncio, eu senti.
Senti uma coisa encher e transbordar.
Foi tão rápido que eu quase não senti.
Se eu não estivesse quieta, no quase escuro, confortável, em silêncio, eu não tinha sentido. E foi assim, sem mar, sem tarde alaranjada, sem farol.
Eu senti.
Eu não amo você, tenho ciúmes, pensamentos doentios. Às vezes, eu fico olhando pra você e pensando se devíamos mesmo estar juntos ou por quanto tempo vamos permanecer juntos.
Mesmo assim, eu senti.
Então, resolvi não pensar. Resolvi esquecer que eu fico tentando decifrar o que eu sinto. Esquecer que eu gosto. Esquecer que não gosto. Esquecer que me faz sorrir. Esquecer que me faz chorar. Esquecer que é perfeito. Esquecer que é imperfeito.
Esquecer e só deixar você. Você, o quase escuro, a cortina rosa pink, o lençol de borboletas, os três travesseiros, a fresta de céu estrelado.
Me deu uma vontade tão grande de sentir aquela plenitude.
Me deu uma vontade tão grande de ser um jarro de cristal transparente com curvas leves e refinadas.
Me deu uma vontade tão grande de pegar aquele mar, o sol, o alaranjado do fim da tarde de outono, o farol e transformar tudo em líquido.
Me deu vontade de encher o jarro com aquele líquido até transbordar.
Cheia.
Plena.
E depois que você chegou, recebemos visitas, comemos, rimos, relembramos a briga da noite anterior, cansamos, tomamos banho. Depois de tudo, quando estávamos lá deitados no quase escuro, quietos, em silêncio, eu senti.
Senti uma coisa encher e transbordar.
Foi tão rápido que eu quase não senti.
Se eu não estivesse quieta, no quase escuro, confortável, em silêncio, eu não tinha sentido. E foi assim, sem mar, sem tarde alaranjada, sem farol.
Eu senti.
Eu não amo você, tenho ciúmes, pensamentos doentios. Às vezes, eu fico olhando pra você e pensando se devíamos mesmo estar juntos ou por quanto tempo vamos permanecer juntos.
Mesmo assim, eu senti.
Então, resolvi não pensar. Resolvi esquecer que eu fico tentando decifrar o que eu sinto. Esquecer que eu gosto. Esquecer que não gosto. Esquecer que me faz sorrir. Esquecer que me faz chorar. Esquecer que é perfeito. Esquecer que é imperfeito.
Esquecer e só deixar você. Você, o quase escuro, a cortina rosa pink, o lençol de borboletas, os três travesseiros, a fresta de céu estrelado.
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