Às vezes eu odeio você. Não odeio de verdade, mas sinto tanta raiva que só me contenta o ódio. Queria mesmo era ter escrito ontem. Se eu tivesse feito isso só iria escrever coisas ruins. Coisas ruins sobre você. Sobre nós. Por isso não o fiz. E iria listar todos os seus defeitos. E dizer que não te conhecer por inteiro é o pior deles. Eu iria contabilizar quantas vezes você já fez isso e repensar como fico com raiva e a raiva passa depois. Reviver aquela sensação de “Aii, como sou tonta por fazer todo esse drama por aquilo”. Sou mesmo tonta. Eu me odeio por ainda acreditar em você mesmo quando a luz vermelha pisca. Esperança consciente. Odeio depois ter que ouvir: “Eu avisei”. Eu também sabia. Odeio a tal da esperança consciente. Você tem consciência de tudo que me deixa pirada. Só que eu não me conformo em mandar você dormir – como você faz comigo. Ontem eu o fiz mesmo porque estava cansada demais para discutir, cansada demais para explicar, cansada demais para te ouvir. Ontem eu estava cansada. Às vezes eu canso de você. Às vezes eu canso até de mim, imagine. E não acho que isso seja necessariamente ruim. Ruim mesmo é você me fazer chorar. Odeio quando você me faz chorar. Mas, tanta gente me faz chorar e por tantos motivos diferentes. São tantas as bobagens. De qualquer forma, não gosto quando você me faz chorar. É fato. Ainda tenho que avaliar se o fato de você ter consciência de que está errado é bom ou ruim. Não posso negar que a mensagem que você enviou antes de dormir fez passar um pouco da minha raiva. Mas, eu estava cansada demais pra responder. Estava cansada demais pra você. E fiz um sacrifício enorme para responder a outra - de sempre - hoje pela manhã. Estou cansada demais para guerra. Respondi. E agora, que a raiva está passando, vejo que gosto mesmo de você. Às vezes, eu tenho dúvidas em relação a isso. Confesso. Mas, acho que se eu não gostasse de você não tinha sentido ódio, nem raiva, nem nada. Sentimentos ruins provém dos bons – principalmente quando os motivos são bobos. Principalmente quando eles não são essencialmente ruins. E é por isso que às vezes eu odeio você.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
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