segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Trilogia

Pensamento 01
Ainda não podia escrever sobre você, mas eu sou teimosa até comigo mesma. Isso é um defeito.
Tem medo de altura.
Balança o tronco e aperta os lábios quando está nervoso.
Possui vários sorrisos. E eu odeio aquele de canto de boca. Ou aquele outro de deboche.

Pensamento 02
Meu peão não usa bota ou espora. O couro não está no chicote e, sim no chinelo de padre. Meu peão que não é meu. Tênis e meias brancas. Cinto sem fivela de vaquejada. Blusa sem botão. Cabeça sem chapéu. Príncipe sem cavalo. Devoto de Nossa Senhora. Troca a ordem das mãos ao fazer o sinal da cruz. Come pouco no almoço e muito no jantar. Bebe whisky e cerveja ao mesmo tempo. Cowboy.

Pensamento 03
Nos últimos dias tenho olhado mais que o normal para o porta-retrato com a foto dos meus pais no criado-mudo ao lado da minha cama.
Coisa mais antiquada o tal criado-mudo. Acredito que o meu seja o único que fale, em todo o mundo. De qualquer forma, eu não moro mesmo nesse mundo.
O fato é que a foto está lá, me lembrando a todo tempo que o amor existe.
Ei, ele existe, mas não é para o seu bico.
Tudo bem, eu nem me arriscaria a viver algo tão complicado, intenso e sublime como o amor. Como posso amar se não sei identificar sequer se estou apaixonada.
Minhas mãos deveriam tremer ou algo assim? As vezes eu perco a fome, isso é um indicio? Aos 23 anos a paixão fica um pouco mais complicado do que aos 13. Porque às vezes não é só paixão, vários outros aspectos passam a serem analisados e, nem todos são avaliados necessariamente pelo seu lindo e puro coração.
Coração, suor, cérebro, consciente, inconsciente, ego. É muita gente tentando mandar em uma só. Como posso saber se estou apaixonada?
Eu preciso estar apaixonada para continuar com ele?
Ele está apaixonado?

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