segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Limite

Existe, sim, um circulo em torno de cada um de nós. Imaginária, claro, mas isso não significa que ela não funcione. Sim, ele funciona. Aquela linha delimitando “aqui é o meu espaço”. É seu, e de ninguém mais. As vezes nossas linhas ficam assim embaraçadas, mas isso não significa que elas não existam. Sim, elas existem.
Estou assim, com um pé sobre a tal linha vermelha. O apelo da amarela já foi, certeza que em algum daqueles momentos onde eu queria, a qualquer custo, fazer você enxergar o que deveria ser feito.
“Pare!”. Não precisa dizer que é isso que diz a linha vermelha; as crianças aprendem isso ainda na escola. Se as pessoas param, se distanciam, mas é preciso aprender a viver com algumas distâncias.
Terei o pé. Nada mais pode ser feito. Não se pode invadir assim o território vizinho e guiá-lo ao que consideramos a vitória. Não a força. Assim como a salvação à vitória é individual, o sofrimento é individual, a dor é individual, o amor idem. Nós, serem humanos, somos singulares. Um. Não existem pares. Não importa se as atitudes e escolhas de uns influenciam na vida (e trazendo mais para o nosso lado) na dor do outro. Cada um precisa aprender a lidar com as suas próprias experiências.
A algum tempo meu circulo foi invadido. Sendo eu, com tudo que me forma; intensamente eu, não poderia ser diferente. Invadimos os círculos e lutamos por uma vitória comum. Mas as vitórias não são comuns, não quando diz respeito a uma das partes apenas.
Não gosto de distância. Odeio a distância e esse dia tão calado. Mas só ela pode se encarregar para que voltemos aos nossos círculos de origem e permanecemos aqui, limitadas as nossas linhas imaginarias, vivendo alguma parte da nossa vida que não é “nossa”. Não minha, sua. Não sua, minha. Não nossa.
Estou voltando para a linha verde do seu circulo.

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