segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Eu nego.

Você encosta sua perna na minha sob a mesa e a trago rapidamente de volta para perto de mim. Essa é a minha forma de dizer não. Você olha nos meus olhos, mas finjo admirar uma tela em branco na parede. Repito, não. Você segura a minha mão propositalmente enquanto me entrega uma taça de champanhe que na pressa em não sentir seu toque suave, por pouco, não deixo cair. Você não entendeu ainda? Estou dizendo não. Certifica-se que ninguém está nos observando, segura firme meu braço e me põe contra a parede. Não! Seu corpo tão próximo do meu que posso sentir seu cheiro, não a fragrância do perfume que todas as mulheres sentem quando você passa, mas aquele cheiro peculiar de madeira, lavanda, suor e o sabonete de rosas do último banho que formam o seu cheiro. Paro de respirar. Tão perto que posso ver meu rosto entregue em seus olhos como em um espelho. Fecho os olhos. Corações ritmados. Preciso fugir. Me debato como um peixe ainda preso ao anzol e você me controla como um bom pescador obstinado a não perder a isca. Sigo a luta em vão. Você não pode se aproximar de mim assim, eu te proíbo. Seus dedos tocam meus lábios. Odeio quando você faz isso. Finalmente, me beija. Finalmente não, porque eu não queria ser beijada; não desse jeito que faz eu me sentir tão grande que não me ajusto em mim e tão pequena que preciso que você me complete. Suas mãos, seus beijos, seu cheiro, sua respiração... Desesperadamente, não.

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